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Astronomia no Zênite
Tempo & Espaço

Julho

Eu sei que vocês não aguentam mais, mas não tem como falar sobre os meses sem bater sempre na mesma tecla. Sendo assim, vamos revisitar os primeiros parágrafos do nosso texto original, lá de janeiro
“Nosso calendário, o Gregoriano, foi construído sobre um calendário mais antigo, o Juliano. Este, por sua vez, é um aprimoramento do calendário original romano, criado por Rômulo, primeiro rei de Roma, quando da fundação da Cidade Eterna.

Rômulo teve uma ideia inusitada. Criou um ano com dez meses, que começava em março (martius, em latim).”

Nesse calendário romulano, o quinto mês chamava-se Quintilis. Sim, era um mês com nome pouco imaginativo, não estando ligado à mitologia ou à natureza. Era simplesmente isso: o quinto mês do ano! (Aparentemente, Rômulo perdeu a criatividade e, a partir de Quintilis, passou a simplesmente enumerar os meses…)

E Quintilis permaneceu Quintilis até a grande reforma do calendário promovida por Júlio César. No ano 45 Antes da Era Comum, Júlio César tomou o poder para si (tornando-se um ditador militar ou o primeiro imperador romano, dependendo do ponto de vista!) e, entre as muitas coisas que fez, decidiu reformar o calendário romano, que já estava defasado em relação às estações.

(Isso porque os mecanismos de intercalação, que visam manter esse compasso entre um calendário civil e um calendário natural, ou astronômico, eram muito complexos e mal utilizados antes da reforma juliana.)

Auxiliado pelo astrônomo egípcio Sosígenes, Júlio César instituiu o ano de 365 dias com a intercalação simples de acrescentar um dia extra a cada quatro anos (algo que os egípcios já faziam há séculos).

A ERA COMUM

Fazemos uso da abreviatura AEC (antes da Era Comum) em lugar de a.C. (antes de Cristo). O marco zero da Era Comum é o mesmo da Era Cristã, ou Anno Domini, mas como é sabido que a data do nascimento de Jesus Cristo foi calculada com erro pelos primeiros cronologistas, preferimos a notação acadêmica EC (Era Comum) e AEC. Se insistíssemos no uso das expressões “antes de Cristo” e “depois de Cristo”, acabaríamos escrevendo frases sem sentido, como “Jesus Cristo pode ter nascido no ano 7 antes de Cristo“.

Essa regra simples tornava o calendário civil mais próximo do calendário astronômico. Ela impediria novas defasagens. Mas e a defasagem corrente, que todos em Roma vivenciavam? Júlio César a consertou através de uma medida que só um imperador/ditador poderia impor ao seu povo…

Naquele ano, não por acaso conhecido na história como “Ano da Confusão”, houve 15 meses! E, além disso, Júlio César mudou a ordem de alguns meses. Janeiro, que era o último, passou a ser o primeiro. E fevereiro, o penúltimo, tornou-se o segundo. Com isso, Quintilis, que era o quinto mês, foi empurrado para a sétima posição.

Logo depois dessa confusão, Júlio César foi traído e assassinado. Seus algozes, ao tomar o poder, mantiveram o novo calendário e decidiram homenagear seu criador, alterando o nome Quintilis para Iulius, o nosso mês de julho.Artigo de Astronomia no Zênite

Os senadores cercam Júlio César. Pintura de 1865.
Os senadores cercam Júlio César. Pintura de 1865. Gravura de domínio público.
 

Doze meses
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Créditos: Cherman, A. Julho. Astronomia no Zênite, 1 jul 2022. Disponível em: <https://www.zenite.nu/julho>. Acesso em: 13 ago. 2022.
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