Novidades do Espaço ExteriorAntena
 Ano VI - Nº 281

Estrela solitária?
Universe Today - 18 de julho de 2006

Os astrônomos sempre assumiram que a pequena Proxima Centauri era parte de um sistema estelar triplo (três estrelas em órbita do mesmo centro de gravidade) chamado Alpha Centauri. Contudo, cálculos recentes estão pondo essa afirmação em dúvida. Seria sua localização mera coincidência? Estaria Proxima apenas passando perto de um sistema duplo, num “voo solo” pela Via Láctea?

Embora não possamos observar os três astros separadamente sem auxílio de instrumentos, Alpha Centauri é facilmente visível. Basta olhar na direção do Cruzeiro do Sul. De frente para essa constelação você verá, à esquerda, duas estrelas muito brilhantes, popularmente conhecidas como as “guardas do Cruzeiro”. A mais afastada é o sistema Alpha Centauri, cuja componente Proxima é a estrela mais perto de nós depois do Sol.

Ela ganhou o título de estrela mais próxima quando sua distância foi medida com precisão em 1917. Como Proxima está bem perto das estrelas Alfa Centauri A e B e se movendo na mesma direção pelo céu, acreditava-se que fazia parte do mesmo sistema estelar.

Esta suposição começou a vir abaixo quando um grupo de pesquisadores, usando os melhores dados disponíveis, começou a desconfiar que Alfa Centauri A e B não teriam gravidade o bastante para segurar Proxima.

Talvez, Proxima nunca tivesse feito parte do sistema Alpha Centauri. Ela pode ter nascido num outro lugar, longe dali, estando apenas de passagem. É uma possibilidade remota, mas não impossível.

Mas Jeremy G. Wertheimer e Gregory Laughlin, da Universidade da Califórnia, fizeram novamente as contas e alertam. Assumindo que a órbita de Proxima é altamente excêntrica, essa estrela estaria atualmente no ponto mais distante de sua órbita.

Lance uma nave interestelar na direção desse sistema e aguarde. Se a nave chegar lá e Proxima Centauri ainda não tiver ido embora, então ela tem mesmo duas companheiras estelares.

Transformando Vênus
Astronomy magazine - 17 de julho de 2006

Dois geólogos planetários do Imperial College de Londres estão colocando em cheque teorias amplamente aceitas sobre o passado do segundo planeta do Sistema Solar.

Modelos feitos em computador acerca da história de impactos sofrida pelo nosso planeta irmão, levou Timothy Bond e Mike Warner a sugerir que vulcanismo global pode ter transformado o planeta.

A nave Magalhães mapeou 98% da superfície de Vênus entre 1990 e 1994. Quando esses dados foram estudados, os pesquisadores notaram que a distribuição de crateras era aleatória e que elas não estavam danificadas por atividade vulcânica.

Isto, somado ao pequeno número de crateras encontrado (menos de mil), levou os cientistas a crerem que Vênus sofreu muito pouco vulcanismo nos últimos 500 milhões de anos.

Para explicar essa hipótese, pensou-se que Vênus teria passado por uma rápida – porém intensa – atividade vulcânica há pouco mais de 500 milhões de anos. Durante esse período, o magma cobriu as crateras mais antigas e literalmente aplanou a superfície, limpando vestígios de impactos anteriores de meteoritos.

Só que Bond e Warner não aceitam essa teoria. “Não sabemos de nenhum planeta que tenha experimentado erupções desta magnitude e rapidez”, desconfiam.

Por isso eles puseram o computador para trabalhar numa nova modelagem da superfície de Vênus, obtendo uma situação onde simplesmente não era necessário um rápido período de grandes erupções para explicar o quadro hoje visto no planeta.

“Ninguém testou a idéia de erupções como as que acontecem hoje”, defende Bond. “Erupções em intervalos aleatórios, diminuindo continuamente com o tempo, explicam até melhor que a idéia da superfície de Vênus ter sido massacrada 500 milhões de anos atrás”, completa.