Novidades do Espaço ExteriorAntena
 Ano VI - Nº 280

Boletins do tempo espacial
Sky Pub. - 12 de julho de 2006

Se em agosto de 1972 astronautas estivessem na Lua, teriam sofrido de um terrível enjôo. Talvez até mesmo morressem. Foi quando um enxame de partículas vindas do Sol atingiu um nível de radiação 50 mil vezes maior que o de uma radiografia de tórax.

O evento, conhecido como expulsão de massa coronal (CME, na sigla em inglês), atingiu a Lua entre as missões da Apollo 16 e Apollo 17 – e portanto nenhum astronauta foi prejudicado. Mas como a intenção da NASA é enviar novamente seres humanos para a Lua e também Marte, as CMEs são um problema real.

Elas lançam bilhões de toneladas de partículas carregadas no espaço, a centenas de quilômetros por segundo, com a força de milhões de bombas atômicas de uma só vez. São nuvens extremamente energéticas que poderiam representar enorme perigo para a vida na Terra, não fosse a magnetosfera – nosso campo de força natural que deflete a maior parte das partículas para os pólos do planeta.

Porém, na Lua, ou durante uma longa viagem pelo espaço, os astronautas não contarão com a proteção da magnetosfera terrestre. Por isso os cientistas vêm tentando elaborar modelos que consigam pelo menos prever com alguma antecedência quando uma CME eclodirá do Sol.

Por hora, a presença de manchas solares são as melhores pistas, mas novos estudos já estão levando em consideração o comportamento da coroa solar, a atmosfera do Sol. Ela é também uma peça chave para que um dia possam existir boletins confiáveis sobre o perigoso e instável clima espacial.

Eclipse total da Terra
Universe Today - 7 de julho de 2006

É um consenso entre os cientistas que as emissões humanas de dióxido de carbono na atmosfera irão aquecer o planeta por décadas no futuro. O que ainda se discute é qual será o aumento de temperatura e a velocidade desse aquecimento.

De uma forma ou de outra, já está mais do que na hora de agir. A redução dos agentes poluentes é a ação requerida – mas e se for tarde demais? E se o clima tiver atingido um ponto sem volta, em que o aquecimento prosseguirá, mesmo que todas as emissões parem imediatamente?

O Dr. Roger Angel, da Universidade do Arizona, acredita que encontrou a solução. Ele sugere um gigantesco pára-sol, colocado num lugar do espaço entre a Terra e o Sol, de modo a controlar a insolação e minimizar o efeito estufa.

O melhor lugar existe. É o ponto de Lagrange 1 ou L1, onde há equilíbrio gravitacional com o Sol e uma espaçonave exige muito pouca energia para manter-se praticamente estacionada.

Mas não seria fácil. A idéia do Dr. Angel requer, na melhor hipótese, uma frota de pequenas “naves guarda-sol”, com 200 metros de diâmetro cada, equipadas com velas solares que usariam a própria luz do Sol para manter sua posição, produzindo não uma sombra gigante, mas uma penumbra controlável sobre a Terra.

As naves poderiam ser fabricadas na Terra e lançadas em órbita, ou montadas na Lua, onde instalações industriais do futuro obteriam toda a matéria prima requerida no projeto, usando o Sol como fonte de energia.

Tudo isso está além de qualquer coisa feita até hoje, e gastaria trilhões de dólares para ser implementado, além do risco de interferir no clima global – coisa que, aliás, já fizemos.

Assim mesmo a idéia do Dr. Angel foi uma das 11 propostas que receberam o prêmio Phase 1, do Instituto de Conceitos Avançados da NASA (NIAC, na sigla em inglês). O NIAC foi criado em 1998 para estimular idéias que empurrem os limites da ciência atual no campo da exploração do espaço.