Novidades do Espaço ExteriorAntena
 Ano VI - Nº 253

O tamanho de Caronte
Agência FAPESP - 5 de janeiro de 2006

A grande oportunidade surgiu no ano passado, mais de 25 anos depois da descoberta de Caronte, a maior (!) lua de Plutão, em 1978.

Desde então os astrônomos tentavam medir com mais exatidão o tamanho da lua mais distante do Sistema Solar. Mas foi em 11 de julho de 2005 que aconteceu uma ocultação estelar, isto é, Caronte passou exatamente na frente de uma estrela (UCAC2 26257135).

Pela variação da luz que atingiu os telescópios instalados na América do Sul foi possível fazer as novas medições, que afinal confirmaram que o raio de Caronte é de 603,6 quilômetros (com erro máximo de 5 quilômetros). Caronte é também 1,71 vezes mais denso que a água.

No Brasil foi usado o telescópio do Laboratório Nacional de Astrofísica, em Itajubá, Minas Gerais. Outros equipamentos estavam no Chile, na Argentina e no Peru, sendo o mais poderoso deles o Gemini, em Cerro Pachón, no alto dos Andes chilenos.

Os resultados das medidas, realizadas separadamente, foram bastante similares, e também forneceram informações sobre a atmosfera de Caronte – que praticamente inexiste.

As supernovas da Via Láctea
Sky Pub. - 4 de janeiro de 2006

Com que freqüência uma supernova explode na nossa galáxia? Usando o observatório Integral, em órbita da Terra, uma equipe de astrônomos europeus calculou que essa taxa é de aproximadamente uma supernova a cada 50 anos (ou duas por século).

O resultado foi obtido através de medidas de raios gama provenientes do alumínio radioativo (Al 26) do centro da galáxia. Os pesquisadores estimaram um total de aproximadamente três massas solares desse isótopo na galáxia, o que produziriam a taxa calculada de explosões estelares.

Mas a última que pode ser vista da Terra foi a Supernova de Kepler (SN 1604), observada há mais de 400 anos.

Ainda mais frio
Spaceflight Now - 3 de janeiro de 2006

Mercúrio está fervendo. Marte é gelado. A Terra tem o “clima certo”. Quando se trata das temperaturas dos planetas, faz sentido colocar os mais frios para bem longe do Sol. E agora, Plutão prova que frio é com ele mesmo.

Usando uma rede de rádio telescópios no Havaí, astrônomos mediram a temperatura superficial de média deste que, apesar da polêmica, ainda vem sendo chamado de último planeta do Sistema Solar. Ali os termômetros marcam cerca de 43 K (-230 C), ainda mais frio que em sua lua, Caronte.

Plutão está trinta vezes mais distante do Sol que a Terra (aproximadamente cinco bilhões de quilômetros), e recebe apenas 1/1000 da luz que incide em nosso mundo. Mas a temperatura em Plutão varia muito, por causa de sua órbita irregular que pode levá-lo de 30 U.A. (Unidades Astronômicas) até 50 U.A.

Os pesquisadores acreditam que, em Plutão, o calor do Sol converte o gelo de nitrogênio em gás, esfriando-o mais que o esperado. Esse mundo distante tem sido o foco das atenções desde a descoberta de um objeto com dimensões superiores a ele (veja edição 231) no Cinturão de Kuiper, região ainda mais afastada do Sol.

Depois, o telescópio Hubble fotografou dois objetos que podem ser satélites do planeta (veja edição 244). E esta semana foi anunciada o resultado de medidas mais apuradas no tamanho de Caronte (veja a primeira notícia desta edição).