Novidades do Espaço ExteriorAntena
 Ano V - Nº 225

O fantasma de uma estrela
Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics - 14 de junho de 2005

No ano de 1987 uma estrela 20 vezes mais maciça que o Sol explodiu na Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia satélite da Via Láctea. Foi a primeira supernova em três séculos – a anterior havia sido observada por Johannes Kepler, em 1604.

Astrônomos e seus modernos instrumentos puseram-se, então, a observar a supernova SN 1987A e os restos da explosão. Mas até agora as observações realizadas, inclusive com o Hubble, não revelaram um núcleo visível, embora a de choque da explosão tenha feito as nuvens de gás e poeira circundantes brilharem com fulgor.

Nada. Nem um buraco negro ou uma estrela de nêutrons muito compacta, que os pesquisadores acreditam ter sido criada pela morte da estrela.

Isso é surpreendente. Quando uma estrela de grande massa explode, deixa para trás um objeto compacto, estrela de néutrons ou buraco negro, dependendo de sua massa inicial. SN 1987A poderia, em princípio, deixar qualquer um desses objetos, pois sua massa estava numa faixa de massa considerada divisória.

Contudo, descobrir um buraco negro ou uma estrela de nêutrons não é uma tarefa simples. Buracos negros são descobertos apenas se estiverem "se alimentando", engolindo matéria ao redor, que à medida que entra no buraco é aquecida e emite luz.

Já uma estrela de nêutrons à distância da Grande Nuvem de Magalhães só pode ser encontrada se emitir feixes de radiação, como um pulsar, ou então como resultado da acresção de matéria quente.

Se existir uma estrela de nêutrons no centro de SN 1987A ela não deverá estar em nenhuma dessas circunstâncias. Os estudos prosseguem. Especialmente a cerca das nuvens de poeira circundantes.

A poeira absorve a luz visível e a ultravioleta e depois volta a emitir energia no infravermelho. Seu estudo talvez permita descobrir mais pistas, assim como observações adicionais dos telescópios espaciais Hubble e Spitzer.

Um mundo híbrido
Sky Pub. - 13 de junho de 2005

Ele é rochoso, mas tem sete vezes e meia a massa da Terra. Sua estrela-mãe, Gliese 876, da constelação de Aquário, tem apenas 1/3 da massa do Sol. Ela "protege" seu mundo, acolhendo-o a apenas 2,3 milhões de quilômetros (cerca de 2% da distância que separa o nosso mundo do Sol).

Por causa disso, um ano nesse planeta tem apenas 46 horas (seu período orbital), enquanto sua temperatura ambiente pode chegar aos 400ºC. De sua superfície, a pequena estrela aparece 24 vezes maior que o Sol visto da Terra.

Ambos ficam a 15 anos-luz de distância, e o estranho planeta é o mais parecido com a Terra já encontrado. A maioria dos planetas extra-solares são “Júpiters quentes”, com massas até 1000 vezes a terrestre.

Mas desta vez tudo indica que foi encontrado uma espécie de “super-Mercúrio” ou um híbrido da Terra e Urano (veja esta a gravura). Se as observações se confirmarem esse planeta rochoso deve ter 1,75 vezes o diâmetro da Terra e sua gravidade seria 2,5 vezes maior que a nossa, o que possivelmente lhe conferirá uma topografia plana.

Segundo o astrônomo Jack Lissauer, que participou do estudo “este é o planeta mais parecido com a Terra já descoberto; mas é improvável que sustente este título por muito tempo”.

Com as técnicas atuais, ainda não se consegue detectar um planeta rochoso na chamada zona habitável, a uma certa distância da estrela-mãe. Mas agora, mais do que nunca, está aberta a temporada de caça aos planetas rochosos.