Novidades do Espaço ExteriorAntena
 Ano IV - Nº 179

Uma nave espacial que pensa
Spaceflight Now - 26 de julho de 2004

Satélites não organizam os dados que coletam. Eles simplesmente cospem quantidades enormes de informações. É como receber livros e livros sem títulos, capítulos ou seções, onde as "histórias" são contadas do início ao fim sem intervalos, sem uma desejável organização.

É que satélites não pensam, e isso é muito irritante. Mas pesquisadores da Universidade do Arizona e do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), nos Estados Unidos, estão trabalhando no desenvolvimento de satélites que podem tomar decisões.

Um software inteligente poderá ser usado em toda sorte de naves espaciais, incluindo orbitadores, módulos de pouso e veículos de exploração da superfície. Ele permitirá reconhecer e organizar dados, inclusive pela sua importância, transmitindo os mais relevantes primeiro.

O projeto recebeu a sigla ASE, de Autonomous Sciencecraft Experiment, e inclui também o reconhecimento de imagens e padrões, o que será útil tanto em observações da Terra quanto para as distantes luas de Júpiter (erupções vulcânicas em Io, rachaduras de gelo em Europa). O projeto é financiando pelo programa New Millennium, da NASA, que tem foco no desenvolvimento e testes de novas tecnologias aeroespaciais.

O pesado Amazonas
GRACE Mission e Folha On Line - 23 de julho de 2004

O maior rio do mundo, o Amazonas (que supera o Nilo tanto em volume de água quanto em extensão) também influencia de modo marcante a gravidade terrestre.

A descoberta é da missão GRACE, da NASA, formada por dois satélites gêmeos lançados em março de 2002, em órbita a 500 km de altitude e a 220 km um do outro. O primeiro sente o efeito de uma área de gravidade mais forte e se afasta do segundo. A mudança é captada por um acelerômetro, capaz de medir variações na distância menores do que o diâmetro de um fio de cabelo.

GRACE é sigla em inglês para Gravity Recovery and Climate Experiment. A força da gravidade é inerente a todas as massas e faz com que elas se atraiam mutuamente. Se a Terra tivesse uma distribuição de massa homogênea seu campo gravitacional seria o mesmo em qualquer ponto da superfície.

Mas a Terra é achatada como uma pêra e além disso possui grandes massas de líquidos em movimento sobre sua superfície. Isso faz com que o campo gravitacional varie tanto em latitude quanto em longitude. De acordo com dados colhidos por GRACE e publicados numa recente edição da revista "Science", as cheias e vazantes do Amazonas afetam não somente o clima, mas também a gravidade na região.