Novidades do Espaço ExteriorAntena
 Ano IV - Nº 166

Aniversário do Hubble
Hubble Site - 24 de abril de 2004

O telescópio espacial Hubble está completando hoje 14 anos em órbita (foi lançado em 24 de abril de 1990). Em comemoração a data, a NASA divulgou esta semana imagens da galáxia AM 0644-741, a 300 milhões de anos-luz da Terra, na direção da constelação de Dourado.

Ela tem 150 mil anos-luz de diâmetro (cerca de 50% maior que a Via Láctea) e seu aspecto anelar brilhante recorda um bracelete de diamantes. Seu núcleo amarelado já foi uma galáxia espiral. Os hipotéticos habitantes desta galáxia verão uma longa faixa de estrelas azuis cobrindo todo o céu. O Hubble é um dos engenhos espaciais mais produtivos, do ponto de vista científico, de todos os tempos.

Problemas em seus giroscópios podem fazer com que sua operação cesse definitivamente até, no máximo, 2007, se nenhuma missão de manutenção for agendada com urgência. Após o acidente com o ônibus espacial Columbia, a NASA decidiu cancelar o envio de missões tripuladas para o Hubble.

A decisão despertou a reação da comunidade científica, que iniciou uma campanha no Congresso para encontrar uma solução que prolongue a vida do Hubble até a chegada do seu substituto, o Telescópio Espacial James Webb, que não deve ser lançado antes de 2012.

Testando Einstein
Stanford University - 20 de abril de 2004

Em 1960, o físico Leonard Schiff defendeu a idéia de que a curvatura do espaço-tempo poderia ser verificada através de giroscópios. Apenas pelas Leis de Newton, um giroscópio em órbita da Terra deveria permanecer fixo.

Mas se, conforme prediz Einstein, o espaço-tempo curva-se pela ação de uma força gravitacional, o giroscópio irá se mover. Mas não foi por falta de curiosidade que os cientistas esperaram quase meio século para fazer, talvez, a maior experiência científica de todos os tempos.

Na verdade, eles estão tentando viabilizá-la há décadas, e já foram gastos centenas de milhões de dólares naquele que é considerado o mais longo projeto espacial da história. Mais de noventa estudantes se tornaram doutores ajudando a encontrar soluções para viabilizar a missão Gravity Probe B, lançada hoje da Base Aérea de Vandenberg, Califórnia.

Com 7 m de altura por 2,80 m de largura e pesando 3.400 quilos, ela não se destaca tanto pelo tamanho, mas pelos equipamentos de bordo, alguns dos mais precisos já feitos pelo Homem. São esferas perfeitas de quartzo recobertas com nióbio – o coração de quatro giroscópios, contidos no interior de uma câmera com hélio líquido resfriado a uma temperatura próxima do zero absoluto, e onde ficarão os equipamentos que não poderão sentir nem mesmo as menores vibrações da própria sonda.

O princípio de funcionamento do conjunto é relativamente simples. Um telescópio perfeitamente alinhado com o eixo dos giroscópios apontará para uma estrela distante. Se o Universo funcionar conforme as Leis de Newton, ele permanecerá apontado para aquela estrela.

Mas se o Universo funcionar conforme a teoria especial da relatividade de Einstein, os giroscópios vão alterar sua posição, deixando de apontar para a estrela. Sensores ultraprecisos se encarregarão de medir para onde o eixo dos giroscópios está apontando. Segundo os cálculos de Schiff, após um ano em órbita, o ângulo deverá ser de 42 mili segundos de arco.

É tão pouco que se duas linhas partirem de um mesmo ponto, com esse ângulo de separação, terão de percorrer 7.200 km para ficarem separadas uma da outra o equivalente à altura de um ser humano. Medir tão diminuta diferença é o trabalho da Gravity Probe B.