Novidades do Espaço ExteriorAntena
 Ano IV - Nº 150

SPIRIT POUSA EM MARTE:
Seis minutos de terror – com final feliz
NASA/JPL - 4 de janeiro de 2004

A espaçonave com o Spirit, um robô (rover) norte-americano de exploração de Marte chegou ao topo da atmosfera marciana às 04h29min (UTC) deste domingo.

Começavam os estágios de entrada, descida e pouso (ou EDL, Entry, Descent and Landing, que os controladores da missão chamaram de "seis minutos de terror".

A expectativa era enorme. Poucos minutos depois a espaçonave girou para posicionar os seus escudos de calor e em seguida o rover foi liberado, caindo a quase 20.000 km/h. O calor da fricção atingiu 1.447°C mas no compartimento do rover a temperatura se mantinha tão agradável quanto um amanhecer de verão na Terra.

Cerca de quatro minutos depois o módulo de descida diminuía sua velocidade para pouco mais de 1.600 km/h e, neste ponto, a cerca de 9.000 m da superfície, um pára-quedas supersônico foi ativado. Feito de poliéster e nylon e baseado em experiências anteriores com as missões Viking e Pathfinder, ele reduziu ainda mais a velocidade de descida, liberando o escudo de calor após 20 segundos.

Dez segundos depois, a 6.000 m de altitude, o módulo de pouso se separou do conjunto. Sistemas de radar entraram em ação, determinando a altitude e velocidade vertical relativa para decidir o momento em que os retro-foguetes entrariam em funcionamento. Uma antena de UHF presa ao pára-quedas começou a transmitir para a Mars Global Surveyor, em órbita do Planeta Vermelho.

Airbags se inflaram para amaciar o pouso, semelhantes aos utilizados na missão Mars Pathfinder, em 1997, porém mais robustos. E então, às 04h35min UTC (2h35min em Brasília) e a somente 12 metros do solo, os retro-foguetes reduziram a velocidade do conjunto a praticamente zero, liberando instantaneamente os airbags, em cujo interior se encontrava o rover.

O conjunto em queda livre, pesando 554 kg, caiu por três segundos, pulando sobre a superfície de 20 a 30 vezes antes de parar. Ainda foi preciso esperar longos 80 minutos até que o rover terminasse uma série de auto-exames críticos para verificar seu funcionamento, os airbags murchassem, as pétalas se abrissem e os painéis solares fossem estendidos, obtendo assim a primeira panorâmica do sítio de pouso.

Alegria na Terra. Marte está, neste instante, a 170 milhões de quilômetros da Terra. Um sinal de rádio leva cerca de 10 minutos para percorrer essa distância, a velocidade da luz. No próximo dia 24, outro robô idêntico, chamado Opportunity vai repetir toda a façanha, desta vez pousando no lado oposto do planeta. Está começando uma nova era de exploração do Planeta Vermelho.

Stardust coleta amostras do cometa Wild 2
NASA/JPL - 2 de janeiro de 2004

Stardust ("poeira de estrelas" em inglês) é o nome da primeira missão espacial norte-americana dedicada à exploração de um cometa, e o primeiro dispositivo robótico a coletar e trazer de volta a Terra material além da órbita da Lua, o chamado Deep Space (espaço profundo).

A espaçonave foi lançada no dia 7 de fevereiro de 1999 e realizou sua primeira coleta de poeira entre fevereiro e maio de 2000. Em 2 de novembro de 2002 ela coletou amostras de poeira emanadas do asteroide Annefrank, e hoje, 2 de janeiro de 2003, extraiu com sucesso amostras da poeira que jorra do núcleo do cometa Wild 2.

Agora ela inicia sua longa viagem de volta, retornando a Terra em 15 de janeiro de 2006. Dados transmitidos pela sonda mostram que a nave sobreviveu ao perigoso encontro e que todos os seus instrumentos funcionam perfeitamente. A Stardust esteve a somente 300 km do núcleo do cometa Wild 2, num encontro a 389 milhões de quilômetros da Terra.

Pela primeira vez os astrônomos terão acesso direto ao gelo, minerais e compostos orgânicos de que são feitos os cometas. Com essas amostras se poderá investigar quão rara (ou frequênte) é a vida e a quais são as moléculas precursoras no Sistema Solar. A Stardust não é a única missão com destino aos intrigantes cometas.

A Contour (também da NASA) foi perdida ainda em órbita da Terra, a Rosetta [da Agência Espacial Européia] está atrasada, e a Deep Impact [NASA] está passando por revisões de projeto. Os cometas são remanescentes da formação Sistema Solar e percorrem órbitas altamente elípticas. Quando enfim se aproximam do Sol, o gelo que o recobre sublima-se, formando as conhecidas caudas que os tornam visíveis às vezes até mesmo a olho nu.