Astronomia no Zênite
Diário astronômico - Espaçonave Terra

Asteroides perigosos

Dez mil toneladas vindas do espaço penetram em nossa atmosfera a cada ano, com velocidades entre 11 e 70 km/s. A maioria se transforma em inocentes meteoros. Entre os principais geradores desses corpos estão os cometas, embora sejam os asteroides os candidatos preferidos pelos pesquisadores. São também os mais perigosos.

Sua composição heterogênea teria melhores condições de explicar a origem da diversidade na composição das várias classes de meteoritos. Além disso, nem todos os asteroides permanecem na conhecida faixa entre Marte e Júpiter. Colisões recíprocas e órbitas instáveis podem levá-los para longe dali.

São denominados asteroides potencialmente perigosos (em inglês Potentially Hazardous Asteroids ou PHAs) as rochas maiores que 100 m, aproximadamente, e que se aproximam do nosso planeta menos que 0,05 UA (1 UA vale aproximadamente 150 milhões de km). A tabela a seguir relaciona as passagens mais recentes de PHAs, destacando aqueles que se aproximaram menos de cinco vezes a distância Terra-Lua (DL).

Fato rápido
Pesquisas sugerem que existem entre 10 e 20 mil PHAs na vizinhança
Asteroide
Data (UT)
Distância da Terra
Velocidade (km/s)
Diâmetro (m)
2020 BV9
2021-Fev-22
14,7 DL
7,6
26
2020 XU6
2021-Fev-22
10,7 DL
8,4
214
2021 CC5
2021-Fev-22
18,1 DL
10,4
42
2021 DX1
2021-Fev-23
10,7 DL
6,6
90
2015 EQ
2021-Fev-23
18 DL
10,5
21
2021 CH8
2021-Fev-23
13 DL
9,7
38
2021 DP1
2021-Fev-24
4,7 DL
9,5
23
2021 DE
2021-Fev-27
4,2 DL
26
51
2021 DM
2021-Fev-28
12,8 DL
10,2
21
2011 DW
2021-Mar-01
14,1 DL
13,6
95
2011 EH17
2021-Mar-02
9,6 DL
16,8
43
1999 RM45
2021-Mar-02
7,7 DL
20
408
2016 DV1
2021-Mar-03
2,1 DL
18,3
39
2020 SP
2021-Mar-03
18,4 DL
3,9
13
2021 DE1
2021-Mar-03
4,4 DL
3
11
2021 DW1
2021-Mar-04
1,5 DL
5,4
33
2021 CN3
2021-Mar-05
11,2 DL
3,8
20
2021 CF8
2021-Mar-05
11,5 DL
11,8
54
2021 DL
2021-Mar-08
11,8 DL
5,8
34
535844
2021-Mar-10
14,2 DL
7,3
162
2021 CF6
2021-Mar-10
4,2 DL
8,4
62
2020 FM
2021-Mar-10
18,2 DL
13,3
56
2011 YW10
2021-Mar-12
19,8 DL
13,2
45
2021 CX8
2021-Mar-15
18,1 DL
6,6
52
2021 DT
2021-Mar-16
18,3 DL
7,3
34
231937
2021-Mar-21
5,3 DL
34,4
1024
2021 CX5
2021-Mar-27
7,7 DL
5,6
48
2020 GE
2021-Mar-27
12,7 DL
1,5
8
2019 GM1
2021-Mar-31
15,1 DL
3,9
14
2015 MB54
2021-Abr-06
13,6 DL
3,7
57
2020 GE1
2021-Abr-07
12,2 DL
4,2
14
2014 FO38
2021-Abr-07
16,8 DL
8,3
20
2020 UY1
2021-Abr-15
16 DL
8,7
22
2017 HG4
2021-Abr-16
7,6 DL
4,1
10
2020 HE5
2021-Abr-17
8,5 DL
4,3
10
2019 HQ
2021-Abr-20
14,8 DL
8,8
20
2020 HO5
2021-Abr-22
16,5 DL
3,3
7
2019 PS1
2021-Abr-23
14,5 DL
10
16
2016 QE45
2021-Abr-24
13,2 DL
15,3
162
2015 HA177
2021-Abr-26
18,7 DL
8,7
10
2019 HF4
2021-Abr-26
7,8 DL
6,8
11
DL é a distância média da Lua (1 DL = 384.401 km). UT é a hora universal. Fonte: spaceweather.com.

Monitorando PHAs

Note que você também pode obter mais informações sobre um PHA em particular. Basta clicar sobre sua desgniação, na tabela acima. Isso vai lhe direcionar à página do JPL/NASA, contendo diversas informações – entre elas o diagrama orbital, com a possibilidade de simular sua trajetória futura.

Também disponibilizamos este diagrama que mostra o mapeamento dos impactos ocorridos na atmosfera (bólidos) entre 1994 e 2013. Para um registro ainda mais abrangente acesse este artigo.

Nenhum PHA conhecido está em curso de curso de colisão com o nosso planeta. Isso inclui os rumores de colisões de asteroides este ano ou nas próximas décadas. Por outro lado, estatisticamente não é tolice pensar que um impacto é pura questão de tempo.

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Sempre perigosos

Vários impactos já aconteceram na história recente. O mais violento foi em 1908, na Sibéria (o evento Tunguska). Outro, também de grandes proporções, aconteceu sobre o Brasil em 1930. Mais recentemente, o asteroide 2008 TC3, de apenas 3m, tornou-se o primeiro a ser detectado antes de seu impacto, ocorrido em 7 de outubro de 2008 a cerca de 36 km acima do deserto da Núbia, entre o Egito e o Sudão. Foram encontrados cerca de 4 kg em meteoritos provenientes dele. Não houve vítimas.

Foto de Alex Alishevskikh.VISITANTE EXTRATERRESTRE Um objeto celeste caiu ao longo dos Urais na manhã de 15 de fevereiro de 2013. Ele explodiu na atmosfera, e mesmo assim causou danos em edifícios e ferimentos a centenas de pessoas. Clique na foto para ampliar.

O maior impacto recente aconteceu na manhã (3:20 UTC) de 15 de fevereiro de 2013, quando um asteroide penetrou em nossa atmosfera, desintegrando-se sobre a cidade de Chelyabinsk, na Rússia (foto).

O evento foi fartamente documentado e diversos registros em vídeo indicaram uma trajetória de nordeste para sudoeste, com um ângulo raso de 20° sobre a horizontal. A velocidade de entrada foi estimada em cerca de 18 km/s (mais de 64 mil km/h).

Com base na análise das ondas sonoras de baixa frequência, detectadas por uma rede global, estimou-se que o objeto tinha um tamanho de 17 m e uma massa entre 7 e 10 toneladas quando atingiu a atmosfera. Ela explodiu a cerca de 15 ou 20 km acima do solo com uma energia equivalente a 500 quilotons de TNT (cerca de 30 vezes a energia liberada pela bomba atômica de Hiroshima).

Isso provocou um estrondo sônico que destruiu vidraças e telhados de várias edificações na cidade. Os estilhaços chegaram a ferir mais de mil pessoas e mais de 100 tiveram de ser hospitalizadas. Fragmentos do asteroide foram encontrados no lago Chebarkul e em vilarejos próximos. De acordo com a compreensão atual sobre PHAs, eventos assim são esperados uma vez a cada centena ou várias dezenas de anos.

Contudo, naquele mesmo dia, um PHA de 50m de comprimento (denominado 2012 DA14) passou a distância de apenas 27.700 km da Terra, um dos rasantes mais próximos já registrados. Mesmo assim, sua trajetória exclui qualquer relação com o evento na Rússia (entenda porque).

Bom mesmo seria se tudo isso tivesse sido útil para convencer as autoridades mundiais de que a nossa vizinhança no espaço não é tão tranquila quanto gostaríamos que fosse. Talvez só uma tragédia convença.  Fim

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Enquanto Apófis não vem
O evento Tunguska
Coruça, um impacto sobre o Brasil
Pousando em um asteroide

Referências (fontes consultadas)
• ESA. Russia asteroid impact: ESA update and assessment. Disponível em <http://www.esa.int/Our_Activities/Operations/Russia_asteroid_impact_ESA_update_and_assessment>. Acesso em 8 mar 2013.
• JPL/NASA. Target Earth. Disponível em <http://neo.jpl.nasa.gov/neo/target.html>. Acesso em 22 nov 2012.
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