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Diário astronômico - Espaçonave Terra

Asteroides perigosos

Dez mil toneladas vindas do espaço penetram em nossa atmosfera a cada ano, com velocidades entre 11 e 70 km/s. A maioria se transforma em inocentes meteoros. Entre os principais geradores desses corpos estão os cometas, embora sejam os asteroides os candidatos preferidos pelos pesquisadores. São também os mais perigosos.

Sua composição heterogênea teria melhores condições de explicar a origem da diversidade na composição das várias classes de meteoritos. Além disso, nem todos os asteroides permanecem na conhecida faixa entre Marte e Júpiter. Colisões recíprocas e órbitas instáveis podem levá-los para longe dali.

São denominados asteroides potencialmente perigosos (em inglês Potentially Hazardous Asteroids ou PHAs) as rochas maiores que 100 m, aproximadamente, e que se aproximam do nosso planeta menos que 0,05 UA (1 UA vale aproximadamente 150 milhões de km). A tabela a seguir relaciona as passagens mais recentes de PHAs, destacando aqueles que se aproximaram menos de cinco vezes a distância Terra-Lua (DL).

Fato rápido
Pesquisas sugerem que existem entre 10 e 20 mil PHAs na vizinhança
Asteroide
Data (UT)
Distância da Terra
Velocidade (km/s)
Diâmetro (m)
2020 CK2
2020-Fev-11
1,2 DL
5,5
5
2020 CF2
2020-Fev-11
1,4 DL
3,5
11
2020 CH
2020-Fev-12
11,6 DL
9,4
31
2020 CF
2020-Fev-12
14,8 DL
5,3
12
2020 CQ2
2020-Fev-14
0,4 DL
8
7
163373
2020-Fev-15
15,1 DL
15,2
589
2020 BL14
2020-Fev-16
18,1 DL
8,8
33
2020 CR2
2020-Fev-16
3,1 DL
21,8
12
2020 CG2
2020-Fev-17
2,3 DL
8,7
46
2020 CK1
2020-Fev-17
8,6 DL
8,1
17
2018 CW2
2020-Fev-17
6,3 DL
10,2
28
2020 BA10
2020-Fev-18
12,3 DL
9
29
2020 CX1
2020-Fev-19
14,1 DL
7,9
53
2020 BL7
2020-Fev-19
13,9 DL
8,5
36
2020 CO2
2020-Fev-19
3,9 DL
15,4
16
2020 BC9
2020-Fev-20
13,9 DL
9,3
77
2019 BE5
2020-Fev-20
13,7 DL
14,8
34
2020 CP2
2020-Fev-20
5 DL
21
27
2011 DR
2020-Fev-23
14,7 DL
5,8
25
2016 CO246
2020-Fev-23
18,4 DL
5,9
25
2020 BR10
2020-Fev-23
15,4 DL
15,1
101
2020 BW13
2020-Fev-24
9,1 DL
2,4
12
2012 DS30
2020-Fev-26
12,3 DL
5,4
22
2015 BK509
2020-Fev-29
18,7 DL
12,5
118
2017 BM123
2020-Mar-01
10,5 DL
8,1
65
2018 RF6
2020-Mar-10
11,2 DL
12,6
36
2008 UB95
2020-Mar-11
18,5 DL
7,6
41
2018 GY
2020-Mar-15
6,2 DL
9,5
39
2012 XA133
2020-Mar-27
17,4 DL
23,7
235
2010 GD35
2020-Mar-29
15,3 DL
12
43
2006 FH36
2020-Mar-30
11,3 DL
5,1
93
2019 GM1
2020-Abr-02
9 DL
4,2
14
2015 FC35
2020-Abr-04
10,5 DL
13,8
148
2019 HM
2020-Abr-10
7,2 DL
3,2
23
363599
2020-Abr-11
19,2 DL
24,5
224
DL é a distância média da Lua (1 DL = 384.401 km). UT é a hora universal. Fonte: spaceweather.com.

Monitorando PHAs

Note que você também pode obter mais informações sobre um PHA em particular. Basta clicar sobre sua desgniação, na tabela acima. Isso vai lhe direcionar à página do JPL/NASA, contendo diversas informações – entre elas o diagrama orbital, com a possibilidade de simular sua trajetória futura.

Também disponibilizamos este diagrama que mostra o mapeamento dos impactos ocorridos na atmosfera (bólidos) entre 1994 e 2013. Para um registro ainda mais abrangente acesse este artigo.

Nenhum PHA conhecido está em curso de curso de colisão com o nosso planeta. Isso inclui os rumores de colisões de asteroides este ano ou nas próximas décadas. Por outro lado, estatisticamente não é tolice pensar que um impacto é pura questão de tempo.

Sempre perigosos

Vários impactos já aconteceram na história recente. O mais violento foi em 1908, na Sibéria (o evento Tunguska). Outro, também de grandes proporções, aconteceu sobre o Brasil em 1930. Mais recentemente, o asteroide 2008 TC3, de apenas 3m, tornou-se o primeiro a ser detectado antes de seu impacto, ocorrido em 7 de outubro de 2008 a cerca de 36 km acima do deserto da Núbia, entre o Egito e o Sudão. Foram encontrados cerca de 4 kg em meteoritos provenientes dele. Não houve vítimas.

Foto de Alex Alishevskikh.VISITANTE EXTRATERRESTRE Um objeto celeste caiu ao longo dos Urais na manhã de 15 de fevereiro de 2013. Ele explodiu na atmosfera, e mesmo assim causou danos em edifícios e ferimentos a centenas de pessoas. Clique na foto para ampliar.

O maior impacto recente aconteceu na manhã (3:20 UTC) de 15 de fevereiro de 2013, quando um asteroide penetrou em nossa atmosfera, desintegrando-se sobre a cidade de Chelyabinsk, na Rússia (foto).

O evento foi fartamente documentado e diversos registros em vídeo indicaram uma trajetória de nordeste para sudoeste, com um ângulo raso de 20° sobre a horizontal. A velocidade de entrada foi estimada em cerca de 18 km/s (mais de 64 mil km/h).

Com base na análise das ondas sonoras de baixa frequência, detectadas por uma rede global, estimou-se que o objeto tinha um tamanho de 17 m e uma massa entre 7 e 10 toneladas quando atingiu a atmosfera. Ela explodiu a cerca de 15 ou 20 km acima do solo com uma energia equivalente a 500 quilotons de TNT (cerca de 30 vezes a energia liberada pela bomba atômica de Hiroshima).

Isso provocou um estrondo sônico que destruiu vidraças e telhados de várias edificações na cidade. Os estilhaços chegaram a ferir mais de mil pessoas e mais de 100 tiveram de ser hospitalizadas. Fragmentos do asteroide foram encontrados no lago Chebarkul e em vilarejos próximos. De acordo com a compreensão atual sobre PHAs, eventos assim são esperados uma vez a cada centena ou várias dezenas de anos.

Contudo, naquele mesmo dia, um PHA de 50m de comprimento (denominado 2012 DA14) passou a distância de apenas 27.700 km da Terra, um dos rasantes mais próximos já registrados. Mesmo assim, sua trajetória exclui qualquer relação com o evento na Rússia (entenda porque).

Bom mesmo seria se tudo isso tivesse sido útil para convencer as autoridades mundiais de que a nossa vizinhança no espaço não é tão tranquila quanto gostaríamos que fosse. Talvez só uma tragédia convença.  Fim

 

Enquanto Apófis não vem
O evento Tunguska
Coruça, um impacto sobre o Brasil
Pousando em um asteroide

Referências (fontes consultadas)
• ESA. Russia asteroid impact: ESA update and assessment. Disponível em <http://www.esa.int/Our_Activities/Operations/Russia_asteroid_impact_ESA_update_and_assessment>. Acesso em 8 mar 2013.
• JPL/NASA. Target Earth. Disponível em <http://neo.jpl.nasa.gov/neo/target.html>. Acesso em 22 nov 2012.
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