Dez mil toneladas vindas do espaço penetram em nossa atmosfera a cada ano, com velocidades entre 11 e 70 km/s. A maioria se transforma em inocentes meteoros. Entre os principais geradores desses corpos estão os cometas, embora sejam os asteroides os candidatos preferidos pelos pesquisadores. São também os mais perigosos.
Sua composição heterogênea teria melhores condições de explicar a origem da diversidade na composição das várias classes de meteoritos. Além disso, nem todos os asteroides permanecem na conhecida faixa entre Marte e Júpiter. Colisões recíprocas e órbitas instáveis podem levá-los para longe dali.
São denominados asteroides potencialmente perigosos (em inglês Potentially Hazardous Asteroids ou PHAs) as rochas maiores que 100 m, aproximadamente, e que se aproximam do nosso planeta menos que 0,05 UA (1 UA vale aproximadamente 150 milhões de km). A tabela a seguir relaciona as passagens mais recentes de PHAs, destacando aqueles que se aproximam menos que cinco vezes a distância Terra-Lua (DL).
| Asteroide | Data (UT) | Distância da Terra | Velocidade (km/s) | Diâmetro (m) |
| 2025 YY8 | 2026-Jan-08 | 12,4 DL | 6,6 | 37 |
| 2026 AU1 | 2026-Jan-08 | 5,6 DL | 18,5 | 24 |
| 2026 AU | 2026-Jan-08 | 0,7 DL | 11,2 | 9 |
| 2026 AC1 | 2026-Jan-08 | 5,7 DL | 16,2 | 66 |
| 2026 AB | 2026-Jan-10 | 2,1 DL | 9,1 | 11 |
| 2026 AB2 | 2026-Jan-10 | 8,4 DL | 19,1 | 17 |
| 2026 AV1 | 2026-Jan-10 | 15,3 DL | 19,8 | 20 |
| 2026 AW1 | 2026-Jan-10 | 0,7 DL | 7 | 4 |
| 2026 AW | 2026-Jan-11 | 7,1 DL | 11,4 | 13 |
| 2026 AN | 2026-Jan-11 | 4 DL | 10,5 | 30 |
| 2025 YU6 | 2026-Jan-11 | 4,1 DL | 4,7 | 23 |
| 2026 AV | 2026-Jan-11 | 5,6 DL | 5,1 | 15 |
| 2025 YL | 2026-Jan-11 | 7,5 DL | 3,9 | 13 |
| 2026 AJ | 2026-Jan-12 | 4 DL | 9,2 | 13 |
| 2025 YR7 | 2026-Jan-12 | 9,2 DL | 8,9 | 23 |
| 2022 GR3 | 2026-Jan-12 | 14,5 DL | 12,9 | 9 |
| 2026 AO | 2026-Jan-12 | 4,2 DL | 9,7 | 43 |
| 2026 AX1 | 2026-Jan-13 | 9,6 DL | 14,9 | 33 |
| 2026 AY1 | 2026-Jan-14 | 5,1 DL | 5,6 | 11 |
| 2025 XN1 | 2026-Jan-14 | 9,3 DL | 4,7 | 35 |
| 2022 OB5 | 2026-Jan-14 | 1,7 DL | 2,2 | 6 |
| 2026 AR1 | 2026-Jan-15 | 2,9 DL | 16,9 | 22 |
| 2026 AX | 2026-Jan-16 | 4,4 DL | 3,6 | 15 |
| 2018 SB2 | 2026-Jan-17 | 16,2 DL | 23,7 | 51 |
| 2025 BL | 2026-Jan-17 | 4,7 DL | 6,9 | 28 |
| 2004 MO3 | 2026-Jan-17 | 17 DL | 10,2 | 129 |
| 2011 AM37 | 2026-Jan-17 | 19,8 DL | 5,1 | 4 |
| 2026 AS1 | 2026-Jan-18 | 8,2 DL | 7,1 | 20 |
| 2025 YX7 | 2026-Jan-20 | 19,5 DL | 11,5 | 76 |
| 2026 AK | 2026-Jan-20 | 11,5 DL | 15 | 67 |
| 2026 AL | 2026-Jan-21 | 17,1 DL | 4,9 | 36 |
| 2026 AG | 2026-Jan-21 | 10,8 DL | 9,1 | 20 |
| 2019 LZ4 | 2026-Jan-23 | 14,2 DL | 11,6 | 45 |
| 2025 YR1 | 2026-Jan-27 | 19,5 DL | 4,1 | 29 |
| 2022 AG | 2026-Jan-29 | 13,7 DL | 5,3 | 34 |
| 2020 GE | 2026-Jan-29 | 16,2 DL | 1,2 | 8 |
| 2023 RX1 | 2026-Jan-31 | 8,8 DL | 1,2 | 3 |
| 2022 OC3 | 2026-Jan-31 | 1,3 DL | 3,8 | 8 |
| 2021 CZ5 | 2026-Fev-09 | 18,3 DL | 9,3 | 23 |
| 2025 CC | 2026-Fev-09 | 17,6 DL | 5,1 | 11 |
| 2019 CN2 | 2026-Fev-11 | 20 DL | 9,2 | 7 |
| 2022 DV | 2026-Fev-12 | 15,4 DL | 5 | 18 |
| 1999 AO10 | 2026-Fev-13 | 10,5 DL | 2,7 | 59 |
| 162882 | 2026-Fev-14 | 17 DL | 19,2 | 626 |
| 2023 CM2 | 2026-Fev-21 | 4,2 DL | 11,4 | 22 |
| 2025 DQ | 2026-Fev-21 | 3 DL | 6,8 | 4 |
| 2007 DB61 | 2026-Fev-21 | 9 DL | 8,8 | 65 |
| 2012 XF55 | 2026-Fev-23 | 16,3 DL | 4 | 98 |
| 2022 EZ6 | 2026-Fev-24 | 11,6 DL | 6,9 | 73 |
| 2018 RB1 | 2026-Fev-24 | 8,3 DL | 7,9 | 9 |
| 2011 CL50 | 2026-Fev-27 | 13,4 DL | 4,5 | 12 |
| 2020 FV4 | 2026-Fev-27 | 16,3 DL | 8,7 | 30 |
| 2007 DG8 | 2026-Fev-28 | 10 DL | 9,9 | 32 |
| 2011 EH17 | 2026-Mar-02 | 15,8 DL | 16,5 | 39 |
| 2021 ER | 2026-Mar-06 | 6,3 DL | 4 | 14 |
| 2017 BM123 | 2026-Mar-06 | 19,9 DL | 7,2 | 61 |
| 2012 DF31 | 2026-Mar-08 | 13,4 DL | 16 | 43 |
| 2020 GE | 2026-Mar-09 | 16,1 DL | 1,3 | 8 |
| 2025 EK4 | 2026-Mar-10 | 14,7 DL | 10 | 55 |
| 2021 BW1 | 2026-Mar-10 | 14,2 DL | 4,1 | 18 |
| 2023 ET2 | 2026-Mar-11 | 7,8 DL | 12,7 | 3 |
| 2025 DP3 | 2026-Mar-11 | 9,4 DL | 9,1 | 27 |
Monitorando PHAs
Note que você também pode obter mais informações sobre um PHA em particular. Basta clicar sobre sua desgniação, na tabela acima. Isso vai lhe direcionar à página do JPL/NASA, contendo diversas informações – entre elas o diagrama orbital, com a possibilidade de simular sua trajetória futura.
Também disponibilizamos este diagrama que mostra o mapeamento dos impactos ocorridos na atmosfera (bólidos) entre 1994 e 2013. Para um registro ainda mais abrangente acesse este artigo.
Nenhum PHA conhecido está em curso de curso de colisão com o nosso planeta. Isso inclui os rumores de colisões de asteroides este ano ou nas próximas décadas. Por outro lado, estatisticamente não é tolice pensar que um impacto é pura questão de tempo.
Sempre perigosos
Vários impactos já aconteceram na história recente. O mais violento foi em 1908, na Sibéria (o evento Tunguska). Outro, também de grandes proporções, aconteceu sobre o Brasil em 1930. Mais recentemente, o asteroide 2008 TC3, de apenas 3m, tornou-se o primeiro a ser detectado antes de seu impacto, ocorrido em 7 de outubro de 2008 a cerca de 36 km acima do deserto da Núbia, entre o Egito e o Sudão. Foram encontrados cerca de 4 kg em meteoritos provenientes dele. Não houve vítimas.
VISITANTE EXTRATERRESTRE Um objeto celeste caiu ao longo dos Urais na manhã de 15 de fevereiro de 2013. Ele explodiu na atmosfera, e mesmo assim causou danos em edifícios e ferimentos a centenas de pessoas. Clique na foto para ampliar.O maior impacto recente aconteceu na manhã (3:20 UTC) de 15 de fevereiro de 2013, quando um asteroide penetrou em nossa atmosfera, desintegrando-se sobre a cidade de Chelyabinsk, na Rússia (foto).
O evento foi fartamente documentado e diversos registros em vídeo indicaram uma trajetória de nordeste para sudoeste, com um ângulo raso de 20° sobre a horizontal. A velocidade de entrada foi estimada em cerca de 18 km/s (mais de 64 mil km/h).
Com base na análise das ondas sonoras de baixa frequência, detectadas por uma rede global, estimou-se que o objeto tinha um tamanho de 17 m e uma massa entre 7 e 10 toneladas quando atingiu a atmosfera. Ela explodiu a cerca de 15 ou 20 km acima do solo com uma energia equivalente a 500 quilotons de TNT (cerca de 30 vezes a energia liberada pela bomba atômica de Hiroshima).
Isso provocou um estrondo sônico que destruiu vidraças e telhados de várias edificações na cidade. Os estilhaços chegaram a ferir mais de mil pessoas e mais de 100 tiveram de ser hospitalizadas. Fragmentos do asteroide foram encontrados no lago Chebarkul e em vilarejos próximos. De acordo com a compreensão atual sobre PHAs, eventos assim são esperados uma vez a cada centena ou várias dezenas de anos.
Contudo, naquele mesmo dia, um PHA de 50m de comprimento (denominado 2012 DA14) passou a distância de apenas 27.700 km da Terra, um dos rasantes mais próximos já registrados. Mesmo assim, sua trajetória exclui qualquer relação com o evento na Rússia (entenda porque).
Bom mesmo seria se tudo isso tivesse sido útil para convencer as autoridades mundiais de que a nossa vizinhança no espaço não é tão tranquila quanto gostaríamos que fosse. Talvez só uma tragédia convença.
+ Enquanto Apófis não vem
+ O evento Tunguska
+ Coruça, um impacto sobre o Brasil
+ Pousando em um asteroide

