Astronomia no Zênite
Diário astronômico - Espaçonave Terra

Asteroides perigosos

Dez mil toneladas vindas do espaço penetram em nossa atmosfera a cada ano, com velocidades entre 11 e 70 km/s. A maioria se transforma em inocentes meteoros. Entre os principais geradores desses corpos estão os cometas, embora sejam os asteroides os candidatos preferidos pelos pesquisadores. São também os mais perigosos.

Sua composição heterogênea teria melhores condições de explicar a origem da diversidade na composição das várias classes de meteoritos. Além disso, nem todos os asteroides permanecem na conhecida faixa entre Marte e Júpiter. Colisões recíprocas e órbitas instáveis podem levá-los para longe dali.

São denominados asteroides potencialmente perigosos (em inglês Potentially Hazardous Asteroids ou PHAs) as rochas maiores que 100 m, aproximadamente, e que se aproximam do nosso planeta menos que 0,05 UA (1 UA vale aproximadamente 150 milhões de km). A tabela a seguir relaciona as passagens mais recentes de PHAs, destacando aqueles que se aproximam menos que cinco vezes a distância Terra-Lua (DL).

Fato rápido
Pesquisas sugerem que existem entre 10 e 20 mil PHAs na vizinhança
Asteroide
Data (UT)
Distância da Terra
Velocidade (km/s)
Diâmetro (m)
2017 DU34
2023-Fev-02
13,3 DL
11,2
16
2023 BY4
2023-Fev-02
12,9 DL
10,8
41
2023 BP5
2023-Fev-02
4,4 DL
6,3
14
2023 BB8
2023-Fev-02
15,6 DL
11,2
30
2023 BH6
2023-Fev-02
5,8 DL
9,7
8
2023 BX7
2023-Fev-02
4,2 DL
13,5
34
2023 BR5
2023-Fev-03
10,9 DL
7,9
11
367789
2023-Fev-03
4,7 DL
9,9
149
2010 LK34
2023-Fev-03
10,3 DL
26,9
148
2023 BN6
2023-Fev-04
2 DL
7,5
31
2020 OO1
2023-Fev-04
4,8 DL
7,7
19
2023 BO7
2023-Fev-04
14,3 DL
5,1
13
2023 BZ7
2023-Fev-04
12,1 DL
9,3
22
2023 BC4
2023-Fev-04
16,2 DL
11,6
53
2023 BG4
2023-Fev-05
17,2 DL
10,4
32
2023 BT1
2023-Fev-06
16,9 DL
8,8
30
2023 CC
2023-Fev-06
3,9 DL
9
22
2022 YO6
2023-Fev-06
12,1 DL
13,4
158
2023 CO
2023-Fev-06
6 DL
6,6
35
2023 BU7
2023-Fev-08
1,3 DL
1,7
3
2023 BS
2023-Fev-08
19,4 DL
10,9
35
2023 BO8
2023-Fev-08
4,2 DL
6,6
15
2022 CX1
2023-Fev-09
17,4 DL
13,2
14
2023 BC8
2023-Fev-11
15,5 DL
14
52
2021 EP4
2023-Fev-13
19 DL
6,1
5
199145
2023-Fev-16
12 DL
24,6
756
2022 RG
2023-Fev-16
8,2 DL
3
24
2020 DG4
2023-Fev-17
1,4 DL
6,9
8
2020 CX1
2023-Fev-19
17,4 DL
7,7
53
37638
2023-Fev-21
17 DL
11,1
495
2023 AA2
2023-Fev-22
17,4 DL
10,1
132
2012 DK31
2023-Fev-27
12,6 DL
15,5
148
2006 BE55
2023-Fev-28
9,4 DL
13,3
148
2021 QW
2023-Mar-03
13,9 DL
12,1
79
2017 BM123
2023-Mar-03
12,1 DL
7,8
62
2007 ED125
2023-Mar-03
11,7 DL
13,1
224
2015 EG
2023-Mar-04
13,9 DL
10,6
27
2023 BK5
2023-Mar-05
17,9 DL
8,5
59
535844
2023-Mar-07
10,5 DL
7,7
150
2020 FQ
2023-Mar-09
14 DL
6,3
13
2020 FV4
2023-Mar-13
17,6 DL
8,2
30
2023 CM
2023-Mar-15
10,6 DL
13,8
196
2018 UQ1
2023-Mar-17
10,7 DL
11,7
143
2016 WH
2023-Mar-19
18,1 DL
11,8
14
2018 FE3
2023-Mar-21
10,1 DL
5,4
13
2022 YK4
2023-Mar-29
11,9 DL
2,3
25
2017 SE12
2023-Mar-30
5,2 DL
8,4
15
2016 GH1
2023-Mar-30
7,7 DL
5,8
11
2022 GO3
2023-Abr-02
17 DL
11,6
15
2021 GN1
2023-Abr-02
17,7 DL
14,2
18
2018 FD
2023-Abr-07
17,9 DL
8,2
47
DL é a distância média da Lua (1 DL = 384.401 km). UT é a hora universal. Fonte: spaceweather.com.

Monitorando PHAs

Note que você também pode obter mais informações sobre um PHA em particular. Basta clicar sobre sua desgniação, na tabela acima. Isso vai lhe direcionar à página do JPL/NASA, contendo diversas informações – entre elas o diagrama orbital, com a possibilidade de simular sua trajetória futura.

Também disponibilizamos este diagrama que mostra o mapeamento dos impactos ocorridos na atmosfera (bólidos) entre 1994 e 2013. Para um registro ainda mais abrangente acesse este artigo.

Nenhum PHA conhecido está em curso de curso de colisão com o nosso planeta. Isso inclui os rumores de colisões de asteroides este ano ou nas próximas décadas. Por outro lado, estatisticamente não é tolice pensar que um impacto é pura questão de tempo.

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Sempre perigosos

Vários impactos já aconteceram na história recente. O mais violento foi em 1908, na Sibéria (o evento Tunguska). Outro, também de grandes proporções, aconteceu sobre o Brasil em 1930. Mais recentemente, o asteroide 2008 TC3, de apenas 3m, tornou-se o primeiro a ser detectado antes de seu impacto, ocorrido em 7 de outubro de 2008 a cerca de 36 km acima do deserto da Núbia, entre o Egito e o Sudão. Foram encontrados cerca de 4 kg em meteoritos provenientes dele. Não houve vítimas.

Foto de Alex Alishevskikh.VISITANTE EXTRATERRESTRE Um objeto celeste caiu ao longo dos Urais na manhã de 15 de fevereiro de 2013. Ele explodiu na atmosfera, e mesmo assim causou danos em edifícios e ferimentos a centenas de pessoas. Clique na foto para ampliar.

O maior impacto recente aconteceu na manhã (3:20 UTC) de 15 de fevereiro de 2013, quando um asteroide penetrou em nossa atmosfera, desintegrando-se sobre a cidade de Chelyabinsk, na Rússia (foto).

O evento foi fartamente documentado e diversos registros em vídeo indicaram uma trajetória de nordeste para sudoeste, com um ângulo raso de 20° sobre a horizontal. A velocidade de entrada foi estimada em cerca de 18 km/s (mais de 64 mil km/h).

Com base na análise das ondas sonoras de baixa frequência, detectadas por uma rede global, estimou-se que o objeto tinha um tamanho de 17 m e uma massa entre 7 e 10 toneladas quando atingiu a atmosfera. Ela explodiu a cerca de 15 ou 20 km acima do solo com uma energia equivalente a 500 quilotons de TNT (cerca de 30 vezes a energia liberada pela bomba atômica de Hiroshima).

Isso provocou um estrondo sônico que destruiu vidraças e telhados de várias edificações na cidade. Os estilhaços chegaram a ferir mais de mil pessoas e mais de 100 tiveram de ser hospitalizadas. Fragmentos do asteroide foram encontrados no lago Chebarkul e em vilarejos próximos. De acordo com a compreensão atual sobre PHAs, eventos assim são esperados uma vez a cada centena ou várias dezenas de anos.

Contudo, naquele mesmo dia, um PHA de 50m de comprimento (denominado 2012 DA14) passou a distância de apenas 27.700 km da Terra, um dos rasantes mais próximos já registrados. Mesmo assim, sua trajetória exclui qualquer relação com o evento na Rússia (entenda porque).

Bom mesmo seria se tudo isso tivesse sido útil para convencer as autoridades mundiais de que a nossa vizinhança no espaço não é tão tranquila quanto gostaríamos que fosse. Talvez só uma tragédia convença. Artigo de Astronomia no Zênite

 

Enquanto Apófis não vem
O evento Tunguska
Coruça, um impacto sobre o Brasil
Pousando em um asteroide

Referências (fontes consultadas)
• ESA. Russia asteroid impact: ESA update and assessment. Disponível em <http://www.esa.int/Our_Activities/Operations/Russia_asteroid_impact_ESA_update_and_assessment>. Acesso em 8 mar 2013.
• JPL/NASA. Target Earth. Disponível em <http://neo.jpl.nasa.gov/neo/target.html>. Acesso em 22 nov 2012.
Créditos: Costa, J.R.V. Asteroides perigosos. Astronomia no Zênite, out. 2006. Disponível em: <https://www.zenite.nu/asteroides-perigosos>. Acesso em: 8 fev. 2023.
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