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Estrelas e galáxias - Encontro com as estrelas

Antares, a dama de vermelho

Vamos começar com “gente” graúda lá de cima. Uma estrela que, vista aqui de nossa humilde morada, está no coração da constelação do Escorpião: Antares. Fácil de ver a olho nu, seu belo nome vem de anti-Ares, que significa rival de Marte.

AntaresSUPERSTAR Clique na imagem para ver uma comparação entre o raio da estrela Antares, a órbita do planeta Marte e o Sol. Gravura adaptada da Wikipédia.

Cá entre nós, essa rivalidade só existe mesmo em nosso céu, uma vez que Antares e Marte têm uma forte coloração avermelhada que confundimos. Mas quem dera a Marte ter a mesma grandeza que Antares. Estamos falando de uma estrela realmente monumental.

Chame essa estrela para o centro do Sistema Solar (avise o Sol para sair antes) e Antares se estenderá até a beira do cinturão de asteroides, engolindo Mercúrio, Vênus, Terra, Marte e provando que essa história de rivalidade com o Planeta Vermelho é pura intriga.

Supergigante

Gigante é pouco. Os astrônomos (um tipo de paparazzi que aponta suas câmeras somente para o céu) a chamam de supergigante vermelha. Antares é mais de dez mil vezes mais luminosa que o Sol, mas está (sorte nossa!) 37 milhões de vezes mais longe, a 600 anos-luz daqui.

Antares ocupa a posição 14 no ranking das estrelas mais brilhantes e sua fama vem desde a Antiguidade, quando era citada pelos egípcios, persas e árabes, entre outros povos.

Segredos da estrela

A grande revelação sobre Antares e que ela não mora sozinha! Vive com uma companheira quatro vezes o tamanho do Sol. Ambas giram em torno de um centro comum de gravidade, como um casal de mãos dadas.

Cada órbita leva 878 anos para se completar. Elas estão separadas uma da outra por uma distância 14 vezes maior que do Sol a Plutão. Só mesmo a força da gravidade para manter uma união assim.

Apesar de famosa, na verdade Antares não é tão quente quanto o Sol. Literalmente. Sua temperatura superficial fica um pouco acima dos 3.000 ºC (tipo espectral M), enquanto o Sol, mesmo comparativamente diminuto, tem o dobro dessa temperatura (tipo espectral G).

Classificação Temperatura Máx. Compr. de onda Cor convencional
(pico do espectro)
O 25.000 a 40.000ºC 72,5 nm Azul
B 11.000 a 25.000ºC 145 nm Azul claro
A 7.500 a 11.000ºC 290 nm Branco
F 6.000 a 7.500ºC 387 nm Amarelo claro
G 5.000 a 6.000ºC 527 nm Amarelo
K 3.500 a 5.000ºC 725 nm Laranja
M 3.000 a 3.500ºC 966 nm Vermelho
AS LETRAS REPRESENTAM as cores e temperaturas superficiais das estrelas quando vistas do espaço (sem a influência da atmosfera, das nuvens interestelares e dos movimentos estelares próprios).

EXPLICANDO MELHOR

Uma estrela com muita massa produzirá muita energia e, portanto, será mais quente e sua cor tenderá ao azul. Já uma estrela com pouca massa produzirá menos energia e sua superfície será mais fria, tendendo ao vermelho.

A quantidade de energia produzida depende da massa e por isso uma estrela azul pode estar na mesma fase de Supergigante que uma vermelha.

Na verdade, a idade de uma estrela deve ser vista com cautela, principalmente se ela fizer parte de um sistema duplo, onde as componentes se encontram muito próximas, estando sujeitas a interações.

As estrelas nascem de enormes nuvens de gás hidrogênio, o elemento químico mais abundante no Universo. Quando jovens são azuis, muito energéticas e turbulentas – o que se espera da juventude, afinal.

Mas com o tempo (muito tempo…) vão mudando de cor. Do azul para o branco, depois o amarelo (meia-idade, como o Sol), o alaranjado e finalmente o vermelho. Estrelas são vaidosas, mas conservadoras. Seguem a mesma moda há bilhões de anos.

Estrelas anãs amarelas ou vermelhas são estáveis e brilham por tempo suficiente para a vida surgir e evoluir em eventuais planetas ao seu redor. Mas elas também podem ser gigantes vermelhas. Astros inchados, num esforço desesperado para se manter brilhando. Mas nem mesmo as estrelas duram para sempre.

Antares (Alfa de Escorpião)
Cor Classe espectral Distância (anos-luz) Luminosidade (Sol=1) Massa (Sol=1) Temperatura superficial Idade (milhões de anos)
Vermelha M1.5Iab-b 600 10.000 15,5 3.500 K 8

Seu encontro com Antares

Antares é inconfundivelmente vermelha e está quase no meio, no coração, da imagem do Escorpião no céu. A disposição das estrelas dessa constelação sugere facilmente a cauda, o corpo e a cabeça do aracnídeo.

Se tiver um binóculo ou luneta não hesite em usá-lo. Mas não espere ver muito, as estrelas são bastante reservadas. Dica para os fãs: no final de maio Antares pode ser vista a noite inteira, do anoitecer ao amanhecer. Ela adora se mostrar nessa época do ano!

Principais estrelas do Escorpião
FÁCIL DE RECONHECER  Representação das principais estrelas do Escorpião. Quanto maior a bolinha, mais brilhante será a estrela. Essa é uma das constelações mais fáceis de encontrar no céu.

Celebridade

Você está bem habituado com a velocidade do som. Vê o relâmpago e muitas vezes conta vários segundos até o trovão. Mas apesar de parecer instantânea, a luz também leva um tempo para se propagar. O problema é que ela viaja a 300 mil quilômetros por segundo e é muito difícil perceber.

Mas ajuda olhar para o céu. As estrelas estão longe o bastante para que sua luz demore a chegar aqui. Se o Sol apagasse agora, ainda teríamos 8 minutos até o último raio de luz. Por isso dizemos que o Sol está a 8 minutos-luz de distância.

As outras estrelas estão muito mais longe, a muitos anos-luz de distância. Se Antares saísse de cena agora, ainda se passariam seis séculos na Terra até percebermos. Isto sim é uma celebridade!  Fim

 

As constelações
As cores das estrelas

Publicação em mídia impressa
Costa, J. R. V. Antares, a dama de vermelho. Tribuna de Santos, Santos, 2 abr 2007. Caderno de Ciência e Meio Ambiente, p. D-2.
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