Vivendo no espaço

Neste exato instante, a uma altitude média de 387 km, astronautas estão trabalhando na Estação Espacial Internacional (EEI ou ISS, na sigla em inglês). Eles completam uma volta em torno da Terra a cada 90 minutos; com isso podem assistir um nascer e um pôr do Sol a cada 45 minutos!

ISS
A ISS quando ainda estava em construção. Quanto mais baixa a órbita, mais rápido é preciso ir para vencer a força de gravidade, que teima em nos puxar de volta ao chão.

Desde outubro do ano 2000 a EEI vem sendo habitada ininterruptamente por equipes de dois ou três tripulantes. É provável que durante todo o século XXI nenhum habitante da Terra venha a nascer sem que haja pessoas vivendo no espaço.

Mas, afinal, como é “viver no espaço”?

Fala-se muito nas condições extremas lá de cima – e aquele pesado traje espacial afinal indica não somente a necessidade de suprimentos de ar, mas de toda uma proteção contra radiações e a manutenção de uma temperatura adequada para trabalhar. Por falar nisso, você acha que o espaço é muito frio ou muito quente?

Transferência de calor
EM PRIMEIRO LUGAR, O ESPAÇO É VÁCUO e não tem uma “temperatura”. Temperatura é atribuída à radiação e a matéria. Podemos dizer que um objeto no espaço está a uma certa temperatura, mas não o espaço em si. Então, como o calor do Sol chega a Terra, se não existe matéria ao longo do caminho?

Vamos reformular a pergunta: como ocorre a transferência de calor? Existem três maneiras. A primeira delas chamamos de condução. Ela acontece quando, por exemplo, temos a infelicidade de tocar a parte metálica de uma panela que está no fogo.

A segunda chama-se convecção, e o exemplo mais típico está novamente na cozinha. É quando vemos a água ferver através de um recipiente de vidro (o sobe e desce das bolhas e do líquido indicam o transporte de calor).

A última é a transferência de calor por radiação, onde não é necessária a presença de matéria como agente de transporte (ao contrário dos modos anteriores). A radiação eletromagnética pode viajar através do vazio.

Sol
O SOL QUE NOS AQUECE  Qualquer objeto que estiver acima da temperatura da radiação de fundo do Universo (3,7 Kelvin ou -269,5°C) emitirá calor por radiação.

Frio x quente
NO CASO DOS ASTRONAUTAS E SUAS NAVES, a diferença entre a quantidade de calor emitido e absorvido é a sua temperatura. No espaço um corpo diretamente exposto ao Sol pode aumentar sua temperatura rapidamente, mas isso lhe custa perder seu próprio calor.

A temperatura do traje de um astronauta ou de sua espaçonave depende de sua posição no espaço. Se está do lado iluminado pelo Sol (dia) ou escuro (noite). Isto porque objetos em zonas sombreadas resfriam-se muito rapidamente.

A cápsula contendo um jipe se desprende para viajar até Marte.

Pior ainda: do mesmo modo que acontece na Terra, qualquer objeto no espaço exposto ao Sol tem uma área iluminada e outra na sombra. A temperatura do casco de uma nave espacial (ou do traje de um astronauta) sobre o qual incide luz e calor costumeiramente fica bem acima dos 100°C. Enquanto o lado à sombra pode estar, ao mesmo tempo, a mais de 100 graus negativos!

De sorte que uma órbita não demora e a nave ainda pode girar sobre si mesma (animação ao lado). Se ficasse muito tempo à sombra a temperatura de um objeto no espaço desceria inexoravelmente. A alternância entre claro e escuro, calor e frio, faz a temperatura sofrer aumentos e diminuições graduais.

Mas como manter a temperatura agradável no interior de um traje ou de uma nave espacial? Siga para a última parte desse texto para conhecer melhor alguns desses dispositivos de suporte à vida, o que há dentro deles e como funcionam, e saber mais sobre o fascinante ambiente sideral.

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Estação Espacial Internacional
Brasil no espaço

» Publicação em mídia impressa:
• Costa, J. R. V. Vivendo no espaço – Parte 1 Tribuna de Santos, Santos, 9 ago. 2004. Caderno de Ciência e Meio Ambiente, p. D-2.

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