Um brasileiro na Lua

Neste ano de 2019 o dia 20 de julho é um sábado. Cinquenta anos atrás, em 1969, essa data caia num domingo. E era noite, quando muitos brasileiros hoje com mais de sessenta anos se recordam muito bem onde estavam – e o que estavam fazendo.

Foi quando viram pela televisão os astronautas Neil Armstrong e Edwin Aldrin descendo do Módulo Lunar e caminhando na superfície da Lua, no grande clímax da missão Apollo 11 – primeiro pouso lunar tripulado.

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EVENTO HISTÓRICO  Família reunida para assistir a alunissagem da Apollo 11. Imagem: AFPGetty.

Primeiro porque depois da Apollo 11 foram feitas mais seis viagens tripuladas para o nosso satélite natural. Cada cápsula levava três astronautas, mas apenas dois desciam até a superfície. Como a Apollo 13 não atingiu seu objetivo, foram ao todo doze homens que caminharam na Lua entre julho de 1969 e dezembro de 1972 (missões Apollo 11, 12, 14, 15, 16 e 17).

Causos
Esses são os fatos. Para nós, no entanto, há um curioso “causo” que de vez em quando volta à tona na voz do povo. A última vez foi em 2006, quando o atual ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Cesar Pontes, passava uns dias a bordo da Estação Espacial Internacional.

Rumores no Sul do país falavam que ele não era o primeiro brasileiro no espaço. Outro homem nascido aqui é que teria direito a essa primazia. E ele tinha ido até a Lua.

Charles 'Pete' Conrad Junior

Charles “Pete” Conrad Junior foi o terceiro homem a caminhar na Lua, no comando da Apollo 12, que pousou em 19/nov/1969.

A história toda havia começado logo depois que a Apollo 12 completara com sucesso o segundo pouso lunar tripulado, em novembro de 1969. Conta-se que na pequena comunidade rural de Maratá, em Santa Catarina, uma camponesa havia visto uma foto do astronauta Charles Conrad, comandante da missão, e reparado na semelhança entre o terceiro homem a pisar na Lua e os integrantes da família Rehme.

Ana Rehme era casada com um tal Joseph Konrad, e o casal teve dois filhos: Erna e Charles, que nascera em 1929. Eles se mudaram para os Estados Unidos logo depois que o pequeno Charles veio ao mundo, e o bebê acabou sendo registrado nas terras do Tio Sam, onde cresceu.

A diferença na letra inicial do sobrenome não importava. Era ele. O capitão Charles Conrad era o filho de Joseph Konrad ─ e era um brasileiro nato, ainda que não tivesse a certidão.

Na época, a notícia ganhou destaque na mídia e chegou aos ouvidos da NASA, que se apressou em desmentir tudo. O nome completo do astronauta era Charles Conrad Junior. Seu pai, portanto, chamava-se Charles e não Joseph.

Sem efeito. Os Estados Unidos é que eram orgulhosos demais para compartilhar sua glória com outra nação. Com o tempo essa resenha perdeu força, se confundindo com um mero caso de homônimo.

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PANORAMA obtido durante a missão Apollo 12. Foto da NASA.

Brincalhão
A história oficial conta que Charles Conrad Junior nasceu em 2 de junho de 1930 na Filadélfia. Ele serviu nas missões espaciais Gemini 5 e Gemini 11, Apollo 12 e Skylab 2. Foi também escalado para voltar à Lua na Apollo 20, que acabou cancelada.

De baixa estatura (tinha 1,69 m), Charles foi o primeiro destro a pisar na Lua (Armstrong e Aldrin eram canhotos) e ele fez piada com a famosa frase de Neil Armstrong quando foi dar o seu primeiro passo na Lua, dizendo, o que em Português, numa tradução livre, seria mais ou menos o seguinte:

Iupi! Cara! Isso pode ter sido pequeno para o Neil, mas para mim é enorme.

Bem humorado assim, pelo menos alma de brasileiro ele tinha…  Fim

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