Solstício de inverno

Neste ano de 2016, o inverno começou no dia 20 de junho às 19h34 (horário de Brasília). Mas somente para o hemisfério Sul, ou seja, ao Sul da linha do equador. Em qualquer data, cada hemisfério da Terra apresenta a estação "oposta" do outro. Assim, o inverno no hemisfério Sul corresponde ao verão no Norte ─ e assim por diante.

O inverno austral (ou verão boreal) deste ano teve duração de 93,66 dias.

O início de cada estação do ano é definido por dois fenômenos astronômicos: o solstício (para o verão e o inverno) e o equinócio (para a primavera e o outono). A palavra solstício vem do latim e significa "parada do Sol".

Isso porque, nos solstícios, acontece o afastamento máximo do Sol do ponto cardeal Leste (ao nascer) ou do Oeste (no ocaso). O Sol nasce exatamente no Leste e se põe no Oeste apenas em duas ocasiões por ano: os equinócios.

Em todos os outros dias, o astro-rei nasce (e se põe) mais deslocado para o Sul ou para o Norte. No solstício de inverno ocorre o afastamento máximo para o norte. O Sol nasce (e se põe) precisamente 23º27' mais para o norte.

Isso acontece apenas nessa data. O Sol interrompe seu deslocamento para o norte (daí a "parada do Sol") e, já no dia seguinte, inverte seu caminho rumo ao Sul.

No dia do solstício de inverno, a duração das horas claras é a menor possível. Há mais noite que dia. Na verdade, é a noite mais longa de todo o ano. Isso é mais evidente nas regiões subtropicais e temperadas do globo, mas vale para qualquer lugar, inclusive os polos.

Solstício de inverno
SOLSTÍCIO  A luz do Sol incide mais sobre o hemisfério Norte que o Sul. Por isso é inverno no Sul e verão no Norte. Clique na imagem para ampliar.

Inércia térmica
NÃO PASSA DE UMA CONVENÇÃO usar as datas dos solstícios e equinócios para assinalar o início das estações. Rigorosamente falando, nesses dias estamos bem no meio de uma estação.

Isso acontece por causa da chamada inércia térmica. Os hemisférios demoram algum tempo para se aquecerem à medida que a incidência da luz e calor do Sol vai aumentando. Também demoram a se resfriarem, e o motivo está na grande quantidade de água na superfície da Terra.

Essa substância tem uma grande “capacidade térmica”, e leva certo tempo para variar sua temperatura. No solstício de inverno os oceanos ainda retêm boa parte do calor absorvido durante o último verão. E em pleno solstício de verão os oceanos ainda estão absorvendo calor e se aquecendo.

Nem sempre quatro estações
A CONCEPÇÃO DAS 4 ESTAÇÕES, outono, inverno, primavera e verão, não parece muito realista para os mortais que habitam a zona intertropical do planeta (a região situada entre os Trópicos de Câncer e Capricórnio).

Afinal, quem – nessa região – acreditaria que a neve do inverno, as floradas da primavera e as folhas secas do outono são as características mais marcantes das estações? Isso é verdade somente para as zonas temperadas do globo (veja o quadro “Zonas Climáticas da Terra”) e chegou até nós simplesmente porque os primeiros livros didáticos usados no Brasil eram traduções de obras europeias e norte-americanas.

O fato é que o clima nos diferentes lugares da Terra é fortemente influenciado por fatores locais, como localização geográfica, altitude, proximidade com uma floresta ou o afastamento do oceano. É por isso que em alguns países nem mesmo se contam quatro estações.

Em Angola, por exemplo, são apenas duas: a “da chuva” (estação quente e úmida) e a “do cacimbo” (seca e ligeiramente mais fresca, principalmente à noite). Já na Índia, o ano tem três estações: a quente, a fria e a chuvosa. Essas divisões também se encaixariam em muitas localidades brasileiras.

Zonas Climáticas da Terra

Inverno no Brasil
SENDO UM PAÍS QUE SE ESTENDE de 33ºS até 5ºN (ou seja, do Sul do Trópico de Capricórnio até um pouco ao norte do equador), o inverno no Brasil tem características muito variadas.

Nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste o inverno é o período menos chuvoso do ano e aquele com as temperaturas mais amenas. Faz frio, o ar é seco e chove muito pouco. No interior, o céu fica claro e apresenta pouca nebulosidade.

Outra característica marcante são as constantes inversões térmicas que causam nevoeiros e neblinas, principalmente no período da manhã.

As frentes frias do inverno geralmente têm fraca intensidade e trazem mais massas de ar frio que chuvas intensas. É frequente as temperaturas caírem abaixo de zero em localidades como Campos do Jordão, São Antônio do Pinhal e outras cidades situadas em lugares altos de São Paulo e Santa Catarina.

Já na região Nordeste, inverno é sinônimo de chuva. Com uma amplitude térmica pequena ou moderada, essa região não registra quedas significativas de temperatura, mas a estação traz umidade, principalmente por causa da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), uma área que circunda a Terra, próxima a linha do equador, e onde os ventos vindos dos hemisférios Norte e Sul se encontram

A ZCIT fica mais intensa no inverno, podendo haver semanas inteiras com forte nebulosidade e chuvas, especialmente nas regiões litorâneas.

O inverno da região Norte é dominado pelo clima equatorial úmido e sub úmido da floresta amazônica. Há maior uniformidade térmica que no Nordeste, mas a ZCIT intensifica as chuvas nessa estação, quando também pode acontecer o fenômeno da "friagem" ─ a penetração das massas de ar polar atlântica, oriundas das bacias hidrográficas do Prata e do Paraguai.  Fim

 

Estações do ano
Atmosfera, morada das nuvens
Previsão do tempo

» Referências (fontes consultadas):
• As estações do ano. In: Observatório Astronômico Frei Rosário, UFMG. Disponível em <http://www.observatorio.ufmg.br/pas44.htm>. Acesso em 1 mar 2015.
• Climas que ocorrem no Brasil. In: Projeto Cactáceas Brasileiras. Disponível em <http://www.brcactaceae.org/clima.html>. Acesso em 1 mar 2015.

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