Poemas celestes

Certa vez o estudante Allyson Araujo, 15 anos, entrou em contato pela nossa fanpage confessando ser um profundo admirador de filosofia, história, ciências e… Poesia!

Usando o pseudônimo de Villenom, ele mesmo escreveu algumas, e nos ajudou a montar este post, onde compartilhamos algumas belas palavras de poetas famosos que também escreveram sobre sua paixão pelas belezas do firmamento.

Mas, antes de reproduzí-las, aproveitamos para contar um pouco (muito pouco) sobre quem eram esses poetas brilhantes. Apenas para, quem sabe, inspirar nossos leitores a buscar outros poemas celestes.

E, a propósito, os últimos dois são de autoria do jovem Villenom.

FERNANDO PESSOA

Fernando PessoaFernando Antônio Nogueira Pessoa foi um dos mais importantes escritores e poetas do modernismo em Portugal.

Nascidou em Lisboa no dia 13 de junho de 1888, usou tanto seu próprio nome para assinar suas obras quanto pseudônimos (heterônimos). Os heterônimos de Fernando Pessoa tinham personalidade própria e características literárias diferenciadas. Alguns dos mais famosos eram: Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro.

Fernando Pessoa morreu no dia 30 de novembro de 1935 na mesma cidade em que nasceu.

Tenho dó das estrelas (Poesias, 1942, Ed. Ática, Lisboa)

Tenho dó das estrelas
Luzindo há tanto tempo,
Há tanto tempo…
Tenho dó delas.

Não haverá um cansaço
Das coisas.
De todas as coisas,
Como das pernas ou de um braço?

Um cansaço de existir,
De ser,
Só de ser,
O ser triste brilhar ou sorrir…

Não haverá, enfim,
Para as coisas que são,
Não a morte, mas sim
Uma outra espécie de fim,
Ou uma grande razão —
Qualquer coisa assim
Como um perdão?



AUGUSTO DOS ANJOS

Augusto dos AnjosAugusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos nasceu no município de Sapé, na Paraíba, em 20 de abril de 1884.

Sua obra é extremamente original. Augusto dos Anjos é considerado um dos poetas mais críticos de sua época, sendo identificado como o mais importante poeta do pré-modernismo. Embora sua poesia também revele algumas raízes do simbolismo, retratando, por exemplo, o apreço pela morte, a angústia, além do uso de metáforas.

Augusto dos Anjos faleceu na cidade de Leopoldina, Minas Gerais, no dia 12 de novembro de 1914.

Tristezas de um Quarto Minguante (Eu, 1912)

Quarto Minguante! E, embora a lua o aclare,
Este Engenho Pau d’Arco é muito triste…
Nos engenhos da várzea não existe
Talvez um outro que se lhe equipare!

Do observatório em que eu estou situado
A lua magra, quando a noite cresce,
Vista, através do vidro azul, parece
Um paralelepípedo quebrado!

O sono esmaga o encéfalo do povo.
Tenho 300 quilos no epigastro…
Dói-me a cabeça. Agora a cara do astro
Lembra a metade de uma casca de ovo.



OLAVO BILAC

Olavo BilacOlavo Brás Martins dos Guimarães Bilac nasceu em 16 de dezembro de 1865 no Rio de Janeiro.

Ele foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras e é o autor do “Hino à Bandeira” escrito em 1889.

Em conjunto com Raimundo Correia e Alberto de Oliveira, Olavo Bilac formava a tríade Parnasiana brasileira. Ele era conhecido por sua atenção à literatura infantil mas, principalmente, pela participação cívica, sendo um ativo republicano e nacionalista.

Olavo Bilac faleceu no Rio de Janeiro no dia 28 de dezembro de 1918.

Via Láctea (Soneto XIII)

Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso! E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto,
E abro as janelas, pálido de espanto…

E conversamos toda a noite enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E ao vir do Sol, saudoso e em pranto
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Têm o que dizem, quando estão contigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.”



Poesia astronômica


Oh beleza sacrossanta,
Perante tua luz estou afélio,
Na atmosfera de teu
coração sou gás hélio,
Composição comum
de tua virtuosa grandeza.

Pois agora estou cansado,
Assisto enfim o ocaso,
Sem ver-te neste apside.

Este ano-luz que nos separa,
Não é barreira para minha razão,
Meu desejo é a acreção,
Para que cada parte minha,
Sirva-te de homenagem,
Tens meu coração.

Em um cometa (Villenom)

Mas que lugar é este?
Rochoso, frio e gélido!
Mas olha! Que pequeno ponto,
Da cor de sutil Mirtilo,
E aquele outro ponto,
Aureolado de forte branco!
Resplandecido por fraca luz amarela.

Aqui não há poente,
O que se tem por nascente,
É plutão e caronte.

Esperando o destino,
Viajo e vejo, a cada sono
e acordar um desejo,
De que em infinito espaço,
Se possa ver,
Tudo o que há de ver.  Fim


 

Encontro com as estrelas
Entrevista com um astrônomo


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