Plutão – Na periferia gelada

No final do século XIX já havia suspeitas de que haveria um planeta depois de Netuno e muitos pesquisadores estavam dispostos a encontrá-lo. Entre eles o astrônomo americano Percival Lowell (1855-1916) que construiu seu próprio observatório astronômico. Mas foi um de seus auxiliares, o jovem Clyde William Tombaugh (1906-1997), que em março de 1930 descobriu Plutão.

Seu único satélite, Caronte, foi descoberto somente em 1978. Até hoje, boa parte dos dados disponíveis sobre ambos são estimativas baseadas em observações. Sabe-se, por exemplo, que Plutão é menos denso que todos os planetas rochosos do Sistema Solar, embora mais denso que os gigantes gasosos.

Plutão gira em volta do Sol percorrendo uma órbita tão elíptica que por cerca de 20 a cada 248 anos de seu período orbital ele passa internamente à órbita de Netuno. A última vez que isso aconteceu foi de 1979 a janeiro de 1999.

Sua massa equivale a menos de 2% da massa da Lua. Plutão é menor e menos maciço que os quatro principais satélites de Júpiter (Io, Europa, Ganimedes e Calisto), que Titã (lua de Saturno) e também Tritão (de Urano). Mesmo assim ele era o maior e mais maciço objeto do Cinturão de Kuiper até a descoberta de Éris, em 2005, e continua sendo maior que qualquer asteroide do Cinturão Principal.

Plutão
POR DENTRO DE PLUTÃO  1-Núcleo rochoso; 2-Manto gelado e 3-córtex.

Composição e atmosfera
SEGUNDO O MODELO PROPOSTO, baseado nos valores medidos de densidade, raio e período de rotação e ainda levando em conta as substâncias presentes àquela distância do Sol, Plutão tem um núcleo rochoso de silicatos, sobre o qual existiria um manto de gelo e material orgânico e uma superfície recoberta de água, metano, nitrogênio e óxido de carbono congelados.

O principal elemento na atmosfera de Plutão pode ser o nitrogênio. A pressão atmosférica, assim como outros aspectos físicos desse planeta, lembram os valores encontrados para Tritão, a maior lua de Netuno.

Notáveis variações de brilho (albedo) foram detectadas pelo Telescópio Espacial Hubble, que em junho de 2005 encontrou mais duas luas em órbitas quase circulares em torno de Plutão. No ano seguinte os novos satélites foram denominados Nix e Hidra. Em 2011 uma quarta lua foi encontrada também pelo Hubble. Ela ainda não tem nome oficial e é chamada, provisoriamente, de P4.

Plutão é o nome latino de Hades, o senhor dos infernos na mitologia grega, local para onde permaneciam as almas dos mortais. Para a mitologia era uma ilha muito fria no Ocidente, onde a noite imperava eternamente. Mas há quem acredite que não foi mero acaso as duas primeiras letras coincidirem com as iniciais de Percival Lowell, que falecera anos antes da descoberta.

Curiosidades sobre Plutão
PlutãoNa época da descoberta de Plutão foram sugeridos vários nomes, como Cronos ou Minerva. Mas quem sugeriu Plutão foi uma garotinha inglesa de onze anos chamada Venetia Phair, que se interessava tanto por mitologia quanto por astronomia.

PlutãoPlutão foi considerado um planeta do Sistema Solar de 1930 a 2006, quando a União Astronômica Internacional decidiu incluí-lo numa nova categoria de objetos ─ os planetas anões, da qual também fazem parte Ceres (o maior asteroide do cinturão principal) e Éris.

PlutãoVisto de Plutão, o Sol é apenas a estrela mais brilhante entre todas as outras do céu. Acredita-se que um dia ensolarado nesse mundo é o mesmo que uma noite pálida de luar na Terra.

PlutãoEstima-se que a temperatura na superfície de Plutão atinja os inconcebíveis 230°C negativos. Frio o bastante para que sua própria atmosfera congele, reaparecendo somente quando o planeta atinge o periélio, o ponto de maior aproximação com o Sol, que ocorre aos 4,42 bilhões de quilômetros do astro-rei.

PlutãoCaronte é a maior lua de Plutão, com 1/8 da sua massa (a maioria dos satélites são milhares ou milhões de vezes menos maciços). Quando Plutão era considerado planeta, essa era a maior correlação de massa do Sistema Solar. Agora esse número pertence ao sistema Terra-Lua, com 1/81.

PlutãoPlutão e suas luas são membros do Cinturão de Kuiper, um grupo de objetos situados entre 5 e 8 bilhões de quilômetros do Sol. A maioria pequenos asteroides. Éris e Plutão são planetas anões.

PlutãoEstudos indicam Nix e Hidra se originaram do formidável impacto que criou Caronte, há bilhões de anos. Se for verdade, isso sugere que outros objetos do Cinturão de Kuiper também poderiam abrigar satélites múltiplos.

PlutãoSe as medidas estiverem corretas, o período de rotação de Caronte coincide com a rotação de Plutão: um caso único no Sistema Solar. Caronte seria um satélite geoestacionário de Plutão.  Fim

Alguns dados sobre as luas de Plutão
Nome
Distância* de Plutão
Diâmetro
Massa
(× 1019 kg)
Excentricidade orbital
Magnitude
Período
orbital
Caronte
17.536 km
1.208 km
158
0,0022
16,8
6,38 dias
Estige
64.738 km
8-28 km
0,001
0,006
27
20,1 dias
Nix
48.694 km
48 x 36 km
0,005
0,0020
23.7
24,85 dias
Cérbero
57.783 km
31 km
0,002
0,003
26
32,1 dias
Hidra
67.738 km
55 x 40 km
0,005
0,005
23.3
38,2 dias
* Semi-eixo maior da órbita. Dados atualizados em setembro de 2015.

Luas de Plutão
Posições relativas de Plutão e seus cinco satélites.

Luas de Plutão II
Tamanhos comparativos de Plutão e seus cinco satélites.

 

Plutão em números  
A família do Sol
Segredos do distante Plutão
Os planetas anões

» Referências (fontes consultadas):
• Astronomia. v 1. Rio de Janeiro: Rio Gráfica, 1985. p. 97-108.
• Beatty, J. K., O’Leary, B., Chaikin, A. The New Solar System. New York: Sky Pub. Corp., 1981. 224 p.
• Cayeux, André de, Brunier, Serge. Os planetas. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1985. p. 41-43.
• Universo. São Paulo, Abril, p. 141-147, 1999.

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