Os tipos de astrônomos

Astronomia é mesmo uma atividade singular. Primeiro, porque é um dos poucos campos de conhecimento onde os amadores são bem-vindos. Você não se sentiria confortável em ser atendido por um médico ou um advogado amador. Mas um astrônomo amador pode se capaz de fazer um trabalho irretocável tanto em divulgação quanto em pesquisa observacional.

Para se tornar um médico ou advogado, há ofertas de cursos por todo país. Mas para receber o grau de Bacharel (não existe Licenciatura) em Astronomia, você precisa participar de um curso presencial de quatro anos que só é oferecido em duas cidades: Rio de Janeiro e São Paulo.

É verdade que outras localidades oferecem cursos de Graduação em Física com ênfase em Astronomia. Mas o título recebido após a formatura continua sendo o de físico, não astrônomo. Somente o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP (IAG-USP) e o Observatório do Valongo (OV) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) formam astrônomos.

Mesmo assim, essas não são as únicas portas de entrada para a profissão de astrônomo.

Confuso? Vamos falar um pouco sobre os tipos de astrônomos que encontramos no Brasil (e provavelmente em outros países também). A classificação a seguir não se propõe a ser oficial ou definitiva. É apenas uma tentativa de contemplar as diversas aptidões que permitem a todos os diferentes perfis, abaixo, puderem ser chamados de astrônomos.

Profissional

Astrônomo profissional
É AQUELE QUE OBTEVE O GRAU DE BACHAREL em Astronomia. Como vimos, no Brasil isso só é possível aos egressos dos cursos de Astronomia da UFRJ e USP.

O complemento “profissional” serve apenas para indicar que esse astrônomo atua em sua própria área de formação. Ele pode ser pesquisador numa universidade, mas também pode estar em outros campos, como a astronáutica (atuando no desenvolvimento e lançamento de satélites) ou a divulgação científica (trabalhando em planetários e museus).

Astrofísico

Astrofísico
SÃO PROFISSIONAIS EGRESSOS DA FÍSICA, Matemática, Engenharia ou áreas afins e que após a conclusão de cursos de pós-graduação (geralmente o Doutorado) atuam em alguma área de pesquisa da Astronomia.

Esses campos de pesquisa são bastante variados e normalmente se dão no meio acadêmico, isto á, as universidades. Reconhecemos que o termo “astrofísico” não é uma generalização muito feliz. Além dos astrofísicos propriamente ditos, também temos cosmólogos, astrobiólogos e tantos outros astrônomos que atuam em alguma das áreas abaixo (entre outras).

Astronomia Observacional
(áreas divididas de acordo com a região do espectro eletromagnético utilizada para captar imagens)
  • Radioastronomia
  • Astronomia Infravermelha
  • Astronomia Óptica
  • Astronomia Ultravioleta
  • Astronomia de Raios-X
  • Astronomia de Raios Gama
  • Astrometria e Mecânica Celestial
Astronomia Observacional e Teórica
  • Astronomia Solar – Dinâmica e evolução Solar
  • Ciência Planetária – Dinâmica e evolução Planetária
  • Astronomia Estelar – Dinâmica e evolução Estelar
  • Astronomia Galáctica – Formação e evolução de galáxias
  • Astronomia Extragaláctica – Estrutura em grande escala da matéria no Universo
  • Cosmologia – Origem dos raios cósmicos, Relatividade Geral e Cosmologia Física
Campos Interdisciplinares
  • Arqueoastronomia
  • Artronomia Cultural
  • Astrobiologia
  • Astroquímica e Cosmoquímica
  • Astronáutica
Planetarista

Astrônomo planetarista
SÃO PROFISSIONAIS QUE ATUAM COM ENSINO E DIVULGAÇÃO da Astronomia no ambiente dos planetários, sendo oriundos das mais diversas áreas, sendo que alguns ainda nem mesmo concluíram um curso superior.

O QUE É UM PLANETÁRIO?

Os planetários são lugares onde se pode assistir uma simulação do céu noturno, de qualquer lugar ou época. Mas também podem ir muito além disso.

Numa cúpula hemisférica podemos ter a projeção do céu visto do polo Norte, por exemplo, ou na época do nascimento de Jesus. O tempo também pode ser acelerado, e fenômenos celestes que duram horas, meses ou mesmo anos podem ser vistos em instantes.

Planetários modernos ainda permitem viagens virtuais diretamente para a superfície de outros mundos, ou mesmo para o ambiente submarino, o interior do corpo humano ou quaisquer outras apresentações visuais imersivas.

 

O astrônomo planetarista será o “comandante das viagens astronômicas” que acontecem nos planetários. Será desejável que ele tenha bons conhecimentos em Astronomia Geral e Astronomia de Posição – mas não somente isso. Ele também precisa saber lidar com o público, com recursos computacionais sofisticados e reunir habilidades que frequentemente misturam arte e técnica.

Por isso, o planetarista é um profissional que pode vir das mais diversas áreas de conhecimento, como computação, artes plásticas ou as licenciaturas em geral.

Amador

Astrônomo amador
NÃO SÃO PROFISSIONAIS. Atuam em astronomia em suas horas vagas e têm outra profissão como meio de sustento.

Astrônomos amadores podem ser médicos, advogados, arquitetos, engenheiros, jornalistas, comerciantes ou de um número virtualmente ilimitado de outras ocupações. Parte de seus salários é gasto (às vezes todos os meses!) para incrementar a sua paixão, adquirindo equipamentos, livros e acessórios para o seu hobby – que é levado muito a sério.

Astrônomos amadores jamais devem ser subestimados. Alguns deles são verdadeiramente brilhantes e contribuem de forma significativa para a ciência que tanto amam. Constroem telescópios, realizam acurados programas de observação, fazem descobertas que entram para a história ou simplesmente se abastecem do prazer que é aprender e difundir o conhecimento sobre o Universo que nos cerca.

Na verdade, qualquer um dos três primeiros tipos de astrônomos citados tem de ser um amador, no melhor sentido do termo, para ser realmente feliz que faz.

Muitas vezes um astrônomo amador, ou um planetarista, se mostra mais hábil em atividades de divulgação científica que um astrofísico. Isso não reduz em nada a importância deste último. É que o trabalho de pesquisa de um astrofísico foca em áreas bem específicas. Eles são os melhores em seus campos. São especialistas.

Já o astrônomo amador, e principalmente o planetarista, precisa ser mais generalista. Até porque atua com um público leigo, de todas as faixas etárias. Embora isso também possa ocorrer ao astrônomo profissional (Bacharel) que trabalhe em um planetário.

Enfim, qualquer que seja o tipo de astrônomo, se atua na divulgação lhe será essencial se apropriar de estratégias e habilidades próprias da área de Ensino.

E afinal, como já opinava José Reis (1907-2002), um dos fundadores da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC): “suponho que a alegria do divulgador é maior que a do mestre, que ensina em classes formais. O divulgador exerce um magistério sem classes”.  Fim

 

Profissão: astrônomo
Carreira de astrônomo
Entrevista com um astrônomo

» Referências (fontes consultadas):
• GREFF, Andrea da Costa. Os Campos de Pesquisa da Astronomia. São Carlos: USP, 9 jan. 2010. Palestra ministrada na Sessão Astronomia do CDCC-CDA. Disponível em <http://www.cdcc.usp.br/cda/sessao-astronomia/2010/campos-pesquisa-astronomia-09-01-2010.doc>. Acesso em 1 mai 2016.

» Como usar o texto desta página como uma fonte de sua pesquisa? show

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