Mais sobre a origem do Sistema Solar

A ideia da nebulosa formadora de planetas e satélites foi proposta pela primeira vez em 1644 pelo matemático e filósofo francês René Descartes (1596-1650). Mais tarde, ela seria retomada pelo alemão Emmanuel Kant (1724-1804) e seu embasamento matemático viria a se solidificar no início do século XIX pelas mãos do astrônomo francês Pierre Simon de Laplace (1749-1827).

Tal teoria conviveu por muito tempo com a chamada hipótese dualista, do naturalista francês Georges Louis Leclerc Buffon (1707-1788). Ela propunha que um corpo maciço havia se aproximado do Sol e arrancado material que se condensaria em planetas e satélites.

A hipótese dualista não resistiu a análises mais profundas, ao mesmo tempo em que foram sanadas dúvidas então existentes sobre a ideia de uma nuvem primordial que, durante sua contração, pôs-se a girar cada vez mais rapidamente.

A rotação atual do Sol não parecia concordar com esse quadro, mas essas objeções foram superadas quando se descobriu, há várias décadas, que outros mecanismos não puramente gravitacionais influíram no turbilhonamento interno da nebulosa, cuja massa também calculou-se ser muito superior aos elementos do Sistema Solar atual.

Concepção artística

Concepção artística de um planeta inóspito iluminado por dois sóis.

Densidade crítica
OS BRAÇOS ESPIRALADOS da nossa galáxia são ricos em nuvens de gás e poeira, mas a contração exige condições especiais para que a densidade da nebulosa atinja um certo valor crítico. A partir daí, a nuvem pode entrar em colapso, e a gravitação dominará, contraindo-a irreversivelmente.

Acredita-se que a onda de choque provocada pela explosão de uma supernova relativamente próxima é a chave desse processo, comprimindo o gás nebular até um volume onde a densidade crítica é alcançada.

Existe, inclusive, a possibilidade dessas explosões causarem uma série de colapsos, resultando numa verdadeira “produção em massa” de sistemas planetários durante um certo período.

Sistemas múltiplos
A ENERGIA TÉRMICA E O CAMPO GRAVITACIONAL podem desempenhar um papel importante no resultado final da contração da nuvem, resultando em única estrela, um sistema binário ou múltiplo, ou ainda a formação ou não de planetas.

Sistemas estelares provenientes de nuvens ricas em hidrogênio provavelmente têm estrelas maciças e planetas gigantes gasosos. Nosso Sistema Solar, com uma única estrela de pouca massa e a presença de planetas rochosos e gasosos em setores distintos, sugere uma nuvem primordial com uma razoável proporção de elementos pesados.

Concepção artística

Superfície hipotética de um cometa.

Cometas e asteroides
ACREDITA-SE QUE OS COMETAS VENHAM DE UM gigantesco invólucro que circunda o Sol até quase a metade do caminho entre ele e a estrela mais próxima, chamado “nuvem de Oort”.

Eles seriam alguns dos elementos formadores de planetas (conhecidos como planetésimos) que foram varridos para bem longe do Sol durante certos estágios da formação do Sistema Solar. Ou então seriam formados pelos próprios grãos da nuvem de Oort, quando esta compunha a parte periférica da nebulosa primordial. Não há unanimidade.

Os asteroides provavelmente também são parte dos resíduos do processo que levou à formação dos planetas. O cinturão dos asteroides, localizado entre as órbitas de Marte e Júpiter, talvez seja a lembrança de um planeta que nunca chegou a se formar, impedido gravitacionalmente pela proximidade com Júpiter.

O estudo de asteroides e cometas, bem como a análise mineralógica de alguns meteoritos encontrados na Terra, é de vital importância para obtermos novas informações sobre os intricados processos que originaram o Sistema Solar.  Fim

 

Enquanto o Sol respira

» Referências (fontes consultadas):
• Astronomia. v 1. Rio de Janeiro: Rio Gráfica, 1985. p. 253-264.

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