Laika e os cosmonautas

Nos dias seguintes ao lançamento foi notado um aumento significativo na temperatura do compartimento biológico. O sistema de controle térmico apresentava sinais de ineficiência e por causa disso Laika sofreu condições extremamente desconfortáveis.

As altas temperaturas no interior da cápsula foram uma constante durante o voo, e Laika acabou morrendo no dia 7 de novembro de 1957.

Citação

Análises posteriores confirmaram que Laika morrera devido ao excessivo aquecimento do seu contentor.

A ogiva protetora do satélite não se separou como deveria, por isso o mau funcionamento do sistema de controle térmico.

Numa entrevista recente, Dimitri Malashenkov, um dos cientistas envolvidos no projeto Sputnik 2, desabafou que era praticamente impossível construir um sistema confiável no prazo estabelecido.

Selos
SELOS COMEMORATIVOS da Polônia, 1964 (à direita), Romênia, 1957 (acima), Albania e Mongólia (1982). Laika recebe homenagens pelo mundo todo até hoje.

A descoberta de Laika
UM ASPECTO IMPRESSIONANTE do voo do Sputnik 2 foi a detecção de cinturões de radiação em torno do nosso planeta, mais tarde batizados como “Cinturões de Van Allen”.

A constatação veio apenas após 1 de fevereiro de 1958, através do satélite americano Explorer 1, o que deu aos Estados Unidos uma das primeiras grandes descobertas da história da Astronáutica.

Na verdade os cientistas soviéticos não souberam interpretar a informação que tinham obtido em primeira mão!

Sem regresso
O SATÉLITE 2 PERMANECEU EM ÓRBITA DA TERRA por mais alguns meses, reentrando na atmosfera terrestre no dia 14 de abril de 1958, após 2.570 voltas em torno da Terra. Na volta, a cápsula ardeu até transformar em cinzas o já sofrido corpinho de Laika.

Uma leva de protestos por parte de associações de proteção aos animais alegou que o voo da cadelinha era desnecessário, cruel e desumano. O voo do Sputnik 2 com sua inocente passageira foi um exemplo de como a corrida espacial esteve movida pela política da Guerra Fria.

Em julho de 1998 Oleg Gazenko confessou estar profundamente arrependido de ter enviado Laika numa missão sem regresso: “Houve uma hipótese de lançar Laika – e lançamos! Faltou-nos uma análise consciente do que estávamos fazendo”, desabafou.  Fim

  Curiosidades
• O Sputnik 2, com a cadelinha Laika, foi lançado na madrugada de 3/nov/1957 (23h30min de 2 de novembro no Brasil) no Cosmódromo de Baikonur, Rússia.
• O satélite reentrou na atmosfera sobre as Ilhas Antilhas, em 14 de abril do ano seguinte, após 163 dias em órbita.
• Laika é uma palavra russa para latido. O animal era uma fêmea vira-lata, sem dono e sem raça, encontrada nas ruas de Moscou pesando aproximadamente 6 kg.
• Laika não é o nome da raça do animal. De fato existe uma raça chamada “Laika da Sibéria Ocidental”, mas suas características diferem da vira-lata que foi ao espaço. A cadelinha também era chamada Kurdrajevskaya ou Kudryavka (Ondinha).
• Oficiais russos afirmaram na época que Laika teria morrido após cerca de 10 dias em órbita, através de uma injeção letal.
• Mas em 2002, Dimitri Malashenkov revelou no The World Space Congress (realizado em Houston, Texas), que Laika morreu numa situação de calor e pânico, entre cinco e sete horas após o lançamento, quando seus sinais vitais foram interrompidos.
• Os sinais vitais da cadelinha foram transmitidos na frequência de 40,002 MHz e alguns radioamadores conseguiram captá-lo (ouça a gravação original abaixo).
• Embora Laika não tenha sobrevivido, sua viagem trouxe os primeiros dados sobre como um ser vivo reage no ambiente de micro gravidade em órbita da Terra, e abriu caminho para os voos espaciais tripulados por humanos.
• A história de Laika emociona até hoje. Centenas de milhares de cães por todo o mundo recebem o nome da cadelinha – que se tornou tão popular que muitas pessoas nem mesmo sabem porque estão chamando seus cães assim.
Clique aqui para ver uma foto rara dos instantes finais da reentrada do Sputnik 2 na atmosfera terrestre.
Ouça a gravação original da notícia do voo de Laika e o som de seu coração, gravado em órbita. Clique aqui para ler a tradução dessa gravação.

 

Os pioneiros
Missões espaciais

» Publicação em mídia impressa:
• Costa, J. R. V. e Barbosa, R.C. A história de Laika. Tribuna de Santos, Santos, 29 out. 2007. C. Ciência e Meio Ambiente, p. D-2.

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