Doze homens e uma conspiração

Noite de domingo, 20 de julho de 1969. Quase todos os brasileiros com mais de cinquenta anos se recordam onde estavam – ou o que estavam fazendo – naquela ocasião. Foi quando os astronautas Neil Armstrong e Edwin “Buzz” Aldrin desceram do Módulo Lunar (LM) e caminharam algumas horas na superfície da Lua, no grande clímax da missão Apollo 11.

Apollo 11

Instante da transmissão de TV ao vivo, em 20 de julho de 1969.

A viagem começara na quarta-feira, 16, quando o poderoso foguete Saturno V partiu de Cabo Canaveral, Flórida. O pouso lunar foi às 16h17min (horário de Brasília), numa planície chamada Mar da Tranquilidade, facilmente visível com um binóculo.

Um pequeno passo para um homem, um gigantesco salto para a humanidade” disse Armstrong ao mundo via rádio, numa transmissão pela TV cheia de ruídos. Ao todo, Armstrong e Aldrin caminhariam por uma área menor que um campo de futebol nessa primeira visita ao nosso único satélite natural.

Neil Alden Armstrong (1930-2012)ARMSTRONG, O 1º HOMEM

O piloto de testes civil da NACA (antecessora da NASA) Neil Alden Armstrong nasceu em 5 de agosto de 1930. Norte-americano de Ohio, Armstrong foi selecionado como astronauta em 1962 e participou do programa Gemini.

Na missão Apollo 11, Armstrong era o comandante, mas não foi por isso que ele foi o primeiro homem a pisar na Lua. Na verdade, a porta das cápsulas ficava do lado do piloto, não do comandante. Apenas nos módulos de pouso da Apollo isso foi diferente, por uma mera questão de engenharia – e somente por isso Armstrong desceu primeiro.

Ele faleceu em 25 de agosto de 2012.

Sonho distante
Numa paisagem magnífica, porém absolutamente desolada, os astronautas instalaram alguns instrumentos científicos, tiraram fotos e coletaram amostras do solo. Às 14h54min (em Brasília) do dia seguinte, 21 de julho, e após 21 horas e 36 minutos de permanência na Lua, eles se recolheram em sua pequena cápsula, que disparou silenciosamente rumo a órbita da Lua, onde estava todo esse tempo o Módulo de Comando e Serviço (CSM), com Michael Collins a bordo.

Juntos, eles retomaram o caminho de casa, aonde chegaram no início da tarde do dia 24. Nos três anos seguintes outros dez homens fariam o mesmo, em novas missões Apollo – cada vez mais ousadas, porém menos divulgadas pela mídia.

Missões Apollo que pousaram na Lua
SEIS MISSÕES TRIPULADAS reclamam pousos lunares bem sucedidos, entre 1969 e 1972.

Mas até que, depois de dezembro de 1972, tudo se calou. As promessas de astronautas em Marte (o próximo passo depois da Lua) foram aos poucos adiadas, esquecidas. Nenhum ser humano voltou à Lua até hoje, e a realidade mostra que uma missão tripulada a Marte é bem mais difícil do que se pensava.

O mundo parecia ter despertado do sonho de viajar pelo espaço, de passar as férias em luxuosos hotéis orbitais, de construir estações avançadas na Lua e além. Guerras, fome e crises econômicas voltaram às manchetes dos jornais. Ir à Lua não era mais novidade, talvez não fosse um sonho plausível, talvez não valesse a pena… Talvez nem tivesse acontecido.

Questões curiosas
Décadas mais tarde, mergulhados numa sociedade muito mais tecnológica do que aquela de há mais de 45 anos, o mito da falsa viagem à Lua sobrevive, paradoxalmente, como nunca. Alguns acham que o ser humano esteve lá sim, mas depois de 1969.

A Apollo 11 teria sido uma gigantesca jogada da propaganda dos Estados Unidos, que precisavam chegar à Lua antes dos russos, que também estavam na corrida. Outros vão mais além e desacreditam todos os seis voos tripulados bem sucedidos que culminaram em pousos na Lua.

Não lhes faltam “argumentos”. O vídeo de baixa qualidade da primeira transmissão (propositadamente ruidoso para esconder detalhes de um estúdio cinematográfico). O estranho voo do LM – como um veículo tão pequeno poderia ter combustível suficiente para retirar os astronautas da Lua, já que para ir até lá eles precisaram do gigantesco Saturno? E quem filmou a saída da Lua?

A radiação e a temperatura altíssima da Lua não destruiriam os filmes fotográficos? Por que nem mesmo o poderoso telescópio Hubble consegue detectar vestígios dos pousos tripulados? Por que as fotos tiradas na Lua não mostram estrelas no céu?

Farsa
PRODUÇÃO SOFISTICADA  Nesta série de 12 artigos que começa agora, vamos analisar, mês a mês, todos os argumentos da “farsa da viagem lunar”.

A lista é bem grande. A princípio são perguntas sensatas, indagações curiosas. Talvez você mesmo já tenha ficado intrigado com algumas delas. Então, chega de dúvidas. Vamos analisá-las. Teremos um ano inteiro pela frente até a última edição dessa série, em dezembro. Acompanhe-nos a partir de agora nesta viagem no tempo, no espaço e no conhecimento.


Exposição fotográfica

Fato
As fotografias tiradas na Lua pelos astronautas não mostram estrelas no céu.

Fotos obtidas na Lua

Dúvida
Como isso é possível, já que sem atmosfera, sabemos que as estrelas são visíveis no céu lunar a qualquer hora, não importando se o Sol está acima do horizonte ou não?

Conspiração
Os técnicos da NASA não conseguiram falsificar o complicado arranjo celeste em estúdio, então eles apenas as retiraram, na esperança de que o público se detivesse apenas nos objetos em primeiro plano.

Realidade
Você tem uma câmera fotográfica? Então sabe que é praticamente impossível capturar na mesma imagem um objeto brilhante em primeiro plano (como o chão iluminado, uma casa ou uma pessoa) e objetos pouco luminosos, como estrelas, no fundo da cena.

Vista noturna do rio Capibaribe, em Recife
FRAUDE?  Será que essa vista noturna do Rio Capibaribe (Recife), é falsa? Então, por que não mostra estrelas? Foto: Cássio Cavalcante.

Chama-se exposição. Se você forçar uma máquina manual a registrar a fraca luz dos objetos de fundo, a luz intensa refletida pelos objetos em primeiro plano preencherá o filme muito antes disso, velando-o (queimando) ou saturando o sensor, no caso das câmeras digitais.

Sem atmosfera e com um solo duramente castigado pelas radiações solares, a areia lunar é fina como talco e reflete a luz como o gelo da Antártica. Tudo brilha intensamente e é grande o contraste com o céu negro. A única maneira de fotografar estrelas é retirar do campo de visão da máquina qualquer objeto brilhante – e aumentar o tempo de exposição.

Mas perceba que as estrelas estão lá. Elas simplesmente não aparecem nas fotos. Há quem alegue que as estrelas deveriam estar visíveis. E está certo. Só é preciso reconhecer a diferença entre “ver” “e fotografar” estrelas. Os astronautas poderiam ter capturado imagens de estrelas em fotos de longa exposição. Mas eles não estavam lá para tirar fotos do céu. A finalidade das imagens foi registrar as atividades na superfície lunar.

Fotos obtidas em órbta
SEM ESTRELAS  As fotos acima foram tiradas em órbita da Terra e a não ser que você ache que a ISS (à esquerda), a MIR (centro) e o Telescópio Espacial Hubble são fraudes, vai perceber que o céu realmente não mostra estrelas ─ por uma mera questão de exposição fotográfica. Fonte: Moonlandinghoax.org


Vibrações mecânicas

Fato
Em alguns filmes feitos na Lua, a bandeira norte-americana parece tremular.


Vídeo cortesia da NASA.

Dúvida
Como isso é possível, já que na Lua não existe vento?

Conspiração
Com todo aquele fundo negro, o estúdio cinematográfico alugado pela NASA para filmar a falsa descida na Lua era muito quente. Ventiladores foram instalados para ajudar a refrigerar o lugar – mas nem sempre eles eram colocados nos lugares corretos…

Realidade
Primeiro é preciso saber que o mastro das bandeiras era sempre em forma de um L invertido. A bandeira era sustentada pelo seu comprimento, caso contrário jamais ficaria na horizontal. Eram hastes de alumínio, bem finas e leves.

Experimente agitar uma bandeira montada da mesma forma. Ela vai parar dentro de poucos segundos devido à pressão atmosférica. A energia que você usou para impulsioná-la será dissipada no ar.

Mas como, na Lua, a bandeira está no vácuo, também não há resistência atmosférica. Se o astronauta a fizer vibrar, nenhuma pressão do ar irá retardá-la. Ela vai oscilar por muito mais tempo que na Terra.


Vídeo (em inglês) testa o mito da bandeira na Lua.
Crédito: Discovery channel.

O solo lunar, apesar da fina camada de poeira, é muito duro. Os filmes também mostram o esforço de alguns astronautas para enterrar a haste. A vibração passa para a bandeira, fazendo-a oscilar de um modo notadamente diferente daquele produzido por uma brisa na Terra.


Continua…

 

Do sonho à conquista
Estações orbitais

» Publicação em mídia impressa:
• Costa, J. R. V. Doze homens e uma conspiração. Tribuna de Santos, Santos, 23 jan 2006. Caderno de Ciência e Meio Ambiente, p. D-4.

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