Doze homens e uma conspiração – 3

Depois da famosa Apollo 11, foram feitas mais 6 viagens tripuladas para a Lua. Cada cápsula levava 3 astronautas, mas apenas 2 desciam até a superfície. Como a Apollo 13 não atingiu esse objetivo, sendo forçada a retornar sem o pouso lunar, contamos hoje 12 homens que caminharam na Lua, entre os anos de 1969 e 1972.

Charles 'Pete' Conrad Junior

CHARLES CONRAD, O 3º HOMEM

Charles “Pete” Conrad Junior nasceu em 2 de junho de 1930 na Filadélfia, e faleceu em 8 de julho de 1999 vítima de uma hemorragia interna após um acidente de motocicleta. Conrad foi o terceiro homem a caminhar na Lua, no comando da missão Apollo 12, que pousou no dia 19 de novembro de 1969.

Ele serviu nas missões espaciais Gemini 5 e Gemini 11, Apollo 12 e Skylab 2. Foi também escalado para voltar à Lua na Apollo 20, que foi cancelada.

De baixa estatura (tinha 1,69 m), ele foi o primeiro destro a pisar na Lua (Neil Armstrong e Edwin Aldrin eram canhotos) e tripudiou de si mesmo e da famosa frase de Armstrong após o primeiro passo, dizendo: “Esse pode ter sido um pequeno passo para o Neil, mas para mim é enorme. Iupi!!!

De lá para cá não houve outras missões lunares tripuladas. Um retorno está sendo minuciosamente estudado para que se tenham mais ganhos científicos e para servir de trampolim para uma futura viagem tripulada a Marte.

Mas os rumos da conquista do espaço nestes anos, com cada vez mais missões robóticas, fazem alguns pensarem que aquelas viagens para a Lua nunca aconteceram. Teria sido fruto do jogo de propaganda da Guerra Fria a da Corrida Espacial entre os Estados Unidos e a antiga União Soviética.

São apresentados argumentos para sustentar essa ideia. Argumentos que, na verdade, escondem grandes lacunas no aprendizado básico de ciências. Ao longo do ano, esta série especial estará analisando as questões mais comuns levantadas pelos que ainda duvidam que “estivemos lá”.

Um brasileiro na Lua?
Em 2006, quando Marcos Cesar Pontes passava alguns dias a bordo da Estação Espacial Internacional, rumores no Sul do país falavam que ele não era o primeiro brasileiro no espaço. Outro homem nascido aqui é que teria direito a essa primazia. E ele tinha ido até a Lua.

A história toda havia começado décadas antes, no final de 1969, logo depois que a Apollo 12 completará com sucesso o segundo pouso tripulado na Lua. Conta-se que na pequena comunidade rural de Maratá, em Santa Catarina, uma camponesa teria visto uma foto do astronauta Charles Conrad e reparado que havia semelhança entre o terceiro homem a pisar na Lua e os integrantes da família Rehme.

Ana Rehme era casada com um tal Joseph Konrad, e o casal teve dois filhos: Erna e Charles, que nascera em 1929. Eles se mudaram para os Estados Unidos logo depois que o pequeno Charles veio ao mundo, e o bebê acabou sendo registrado nas terras do Tio Sam, onde cresceu.

A diferença na letra inicial do sobrenome não importava. Era ele. O capitão Charles Conrad era o filho de Joseph Konrad ─ e era um brasileiro nato, ainda que não tivesse a certidão.

A notícia ganhou destaque na mídia nacional e chegou aos ouvidos da NASA, que se apressou em desmentir tudo. Sem efeito. Os Estados Unidos é que eram orgulhosos demais para compartilhar sua glória com outra nação.

Com o tempo a história perdeu força, se confundindo com um mero caso de homônimo. Mas uma conspiração que se preze nunca se apaga. E em 2006, ela ressurgiu com algum ânimo, estimulada por um clima de mistério que ainda havia em Maratá: os poucos que se lembravam de alguma coisa tinham medo de falar.

Mas, afinal, a NASA já havia fornecido informação suficiente para esclarecer o enigma: o nome completo do astronauta era Charles Conrad Junior. Seu pai, portanto, chamava-se Charles, e não Joseph.



Poeira fina

Fato
Nos vídeos que mostram os astronautas num jipe caminhando pela superfície da Lua, a poeira lunar (que já sabemos, é fina como talco), não permanece flutuando durante algum tempo, quando remexida do solo. Ao contrário, ela cai rapidamente, quase como se estivesse molhada ou fosse pesada como chumbo.

Dúvida
Por que isso acontece? Com certeza a gravidade na Lua é menor que na Terra. Por que a fina poeira lunar não fica flutuando por um longo tempo antes de cair?

Conspiração
Certamente isso evidencia a fraude das viagens tripuladas à Lua. Tudo foi feito num estúdio, usando, quem sabe, areia da praia. Sem poder simular o efeito esperado da pouca gravidade lunar, os engenheiros da NASA simplesmente esperaram que ninguém reparasse nesses detalhes.

Realidade
Realmente, a gravidade lunar equivale a 1/6 da terrestre. Mas, além disso, a Lua não tem atmosfera. A única razão pela qual a poeira flutua aqui na Terra é a existência do ar. No vácuo, a poeira se comporta como qualquer outro objeto.


Vídeo (narrado em inglês) explica porque ao comportamento da poeira lunar visto nas filmagens da Apollo é precisamente uma evidência de que foram feitos na Lua.

Galileu demonstrou isso usando planos inclinados. Não importa se você segura numa de suas mãos uma pena e na outra um tijolo. Ambos chegarão no mesmo instante ao chão, se não houver resistência do ar. Aprendemos isso na escola: a velocidade de um corpo em queda livre não tem nada a ver com sua massa, apenas com a aceleração da gravidade e o tempo da queda (v = gt).

O experimento idealizado por Galileu foi integralmente reproduzido por um astronauta da missão Apollo 15 com uma pena e um martelo – e mostrou os objetos atingindo o solo ao mesmo tempo. Isto sim, uma boa evidência em favor das missões lunares tripuladas, pois na Terra (no hipotético estúdio da NASA), sem dúvida o ar faria a pena flutuar e chegar ao chão depois do martelo.


Telescópio Hubble

Fato
Em cada uma das viagens à Lua os astronautas deixavam experimentos de diversos tipos, as bases dos módulos lunares (usados para o pouso) e até um jipe. Tudo isso permanece na Lua até hoje, praticamente intacto, já que não existe erosão pelo vento ou chuva.

Hubble

Dúvida
Por que não podemos ver nada com um telescópio? Por que nem mesmo o poderoso Telescópio Espacial Hubble (que enxerga galáxias a bilhões de anos-luz da Terra) consegue ver esses vestígios tão inquestionáveis da presença humana na Lua?

Conspiração
Isso é uma evidência inquestionável da fraude das viagens lunares tripuladas. Naquela época os engenheiros da NASA não podiam imaginar que o Hubble existiria, e que suas poderosas lentes apontariam justamente para os supostos locais de pouso, revelando ao mundo inteiro a “maior mentira do século 20”.

Realidade
A pergunta aqui é uma só, e tem a ver com resolução. Qual o tamanho mínimo de um objeto para que um telescópio o resolva, isto é, mostre-o como mais que apenas um ponto. Exemplificando: uma pessoa ao seu lado preenche uma parte significativa do seu campo de visão. Mas se ela estiver a quilômetros de distância vai parecer apenas um ponto – ou nem será vista.

A habilidade de um telescópio de resolver um objeto está diretamente relacionada com o diâmetro de seu espelho primário ou lente objetiva.

Existe uma relação simples entre o tamanho do espelho e poder de resolução:

R = 11,6 / D

Onde R é o tamanho angular em segundos de arco (existem 3.600 segundos de arco em 1 grau; a Lua Cheia tem cerca de ½ grau de diâmetro angular) e D é o diâmetro do espelho (ou da lente) em centímetros.

O Hubble é um telescópio refletor. Seu espelho primário tem 2,4 m de diâmetro (ou 240 cm). Substituindo na fórmula, vamos obter a resolução máxima do Hubble: 11,6 / 240 = 0,05 segundos de arco.

Isso é uma resolução incrível! Um ser humano teria de estar a quase 8 mil km de distância para ser visto com esse tamanho angular.

Há outra fórmula simples que você pode usar para determinar o tamanho angular de um objeto com base no seu tamanho real e sua distância:

α = (d / D) x 206.265

Basicamente, o que você tem de fazer é dividir o tamanho d do objeto pela distância D que você está dele, e multiplicar o resultado pela constante 206.265. Isso vai lhe dar o tamanho angular (α) em segundos de arco (desde que D e d estejam na mesma unidade de comprimento).

Agora vejamos o tamanho do módulo de pouso que foi deixado em todas as missões Apollo. Ele tem cerca de 4 m de comprimento e a Lua está a cerca de 400 mil km. Assim: (4/400.000.000) x 206.265 = 0,002 segundos de arco.

O que significam esses números? Que você precisa de um instrumento com resolução de pelo menos 0,002 segundos de arco (2 milionésimos) para ver um módulo lunar na Lua. O Hubble lhe dá, no máximo, 0,05 segundos de arco (5 centésimos). Viu? Nada feito.

Na prática, o Hubble pode ver objetos na Lua que tenham pelo menos 200 m de comprimento. Desse jeito até mesmo um estádio de futebol não passa de um ponto numa foto do famoso telescópio espacial.

Você ainda está pensando nas galáxias a bilhões de anos-luz que o Hubble vê? Galáxias são estruturas gigantescas, com centenas de milhares de anos-luz de comprimento, brilhando com a luz de centenas de bilhões de estrelas.

Isso nos faz sentir bem pequenos, não?

Continua…

 

The Apollo Lunar Rover and dust arcs (vídeo) 
Moon Landing Conspiracy  

» Referências (fontes consultadas):
• País viveu mito de astronauta brasileiro na Apollo 12. In: Estadão, 20 Julho 2009. Disponível em <http://ciencia.estadao.com.br/noticias/geral,pais-viveu-mito-de-astronauta-brasileiro-na-apollo-12,405534>. Acesso em 1 mar 2015.
• Moon hoax: why not use telescopes to look at the landers?. In: Bad Astronomy. Disponível em <http://blogs.discovermagazine.com/badastronomy/2008/08/12/moon-hoax-why-not-use-telescopes-to-look-at-the-landers/>. Acesso em 1 mar 2015.

» Publicação em mídia impressa:
• Costa, J. R. V. Doze homens e uma conspiração. Tribuna de Santos, Santos, 27 mar 2006. Caderno de Ciência e Meio Ambiente, p. D-4.

» Como usar o texto desta página na sua pesquisa? show