Doze homens e uma conspiração – 2

Já faz 47 anos desde que uma pequena nave de nome "Águia", pertencente a um programa espacial de nome Apollo, pousou na Lua. Logo em seguida aquela histórica façanha, dois astronautas, Neil Armstrong e Edwin Aldrin, caminharam algumas horas na superfície de um outro mundo ─ pela primeira vez.

Edwin Aldrin

ALDRIN, O 2º HOMEM

Edwin Eugene Aldrin Jr. foi o segundo homem a caminhar na Lua, em julho de 1969. Natural de Montclair, Nova Jersey, foi piloto militar e obteve doutorado em ciências e astronáutica pelo MIT antes de ingressar no projeto Gemini.

Sendo uma pessoa muito mais "pública" que seu colega da Apollo 11 (Armstrong era avesso a entrevistas e aparições em público) ele já emprestou a voz até para um episódio do desenho animado Os Simpsons. Mas certa vez, já aposentado e aos 72 anos, envolveu-se num incidente quando deu um soco num homem que o chamou de mentiroso e esbravejou que a viagem a Lua nunca havia acontecido. Clique na foto para ampliar.

Muitos pensam que foi a única viagem. Mas nos anos seguintes outras cinco missões – as Apollo 12, 14, 15, 16 e 17 – também fizeram pousos bem sucedidos na superfície lunar, com permanências cada vez maiores.

A Apollo 13 tinha o mesmo objetivo, mas foi obrigada a abortar o pouso por causa de um acidente que quase custou a vida da tripulação. Todas as missões foram muito realistas e perigosas, e o sucesso também se deveu a uma boa dose de sorte.

Contexto histórico
Houve uma euforia no fim dos anos 60 e acreditou-se que a NASA estaria enviando homens para Marte antes do fim da década seguinte.

Mas passada a época da corrida espacial (e militar) contra a antiga União Soviética, os norte-americanos se deram conta do rombo no orçamento por causa das caras missões tripuladas, e do quanto tinham se arriscado para provar sua hegemonia.

Mas isso é apenas parte de um contexto histórico, que geralmente foge ao entendimento da população, sem falar nos que simplesmente não acreditam que o Homem tenha estado na Lua.

Eles colecionam "argumentos" que contribuam com sua causa, mas a maioria dessas especulações guarda apenas enormes lacunas no aprendizado básico de ciência, que idealmente deveria ter sido transmitido até o final do Ensino Médio.


Leis de Newton

Fato
Para ir à Lua, os astronautas utilizaram o poderoso Saturno V, o maior foguete já construído, com três estágios, 110 metros de altura e poder suficiente para colocar em órbita todas as missões anteriores dos Estados Unidos, juntas. Para sair da Lua, bastou o pequeno módulo lunar (LM, na sigla em inglês), de 6 metros de altura.

Diagrama do foguete Saturno V
GIGANTESCO  Os módulos Lunar e de Comando e Serviço com suas posições no interior do foguete Saturno V por ocasião do lançamento. Clique na imagem para ampliar.

Dúvida
Onde o pequenino LM guardava combustível suficiente para trazer os astronautas de volta?

Conspiração
Isso é uma evidência de fraude. Os engenheiros da NASA certamente duvidaram que as pessoas pudessem perceber o logro, pois elas não têm conhecimentos técnicos.

Realidade
As viagens a Lua foram feitas em etapas ou "degraus". Uma vez em órbita lunar, o LM descia com os astronautas até a superfície. Mas não conseguiria voltar direto para a Terra, apenas subir um degrau de volta à órbita do satélite, onde sua nave mãe, o Módulo de Comando e Serviço (CSM, na sigla em inglês), estaria esperando.

As duas naves eram o coração da missão. Os motores do primeiro e segundo estágio do Saturno V serviram para colocar o pesado conjunto em órbita da Terra, vencendo o respeitável puxão da gravidade terrestre.

Da órbita terrestre até a órbita da Lua a viagem passa a ser relativamente simples (embora com considerável gasto de energia). Basta usar o terceiro estágio do Saturno para atingir a aceleração necessária. E nem é preciso manter os motores acionados o tempo todo (como aconteceu na subida até a órbita terrestre). A Primeira Lei de Newton faz o serviço.

Lunar Landers
Diagrama compara o tamanho de módulos de pouso lunar, o da esquerda considerando um pouso (e decolagem) direto. O seguinte (que foi usado) usando acoplagens em órbita lunar. Cortesia da NASA.

E como a força gravitacional na Lua é um sexto da terrestre e o LM tem bem menos massa que o Saturno V na decolagem, levantar voo da Lua requer muito menos aceleração.


Câmera remota

Fato
As imagens da missão Apollo 11 transmitidas para TV mostram Neil Armstrong descendo a escada do módulo lunar. Mais tarde também é possível ver o módulo lunar decolando.


Vídeo cortesia da NASA.

Dúvida
Como isso é possível, já que não havia ninguém na Lua antes do pouso, e na decolagem os dois astronautas já estavam a bordo do LM?

Conspiração
Certamente isso é mais um indício de fraude. Havia várias câmeras no estúdio cinematográfico alugado pela NASA para filmar a falsa descida na Lua. Foi tudo feito como num filme de cinema.

Realidade
Havia uma câmera montada no lado externo do LM, especialmente para filmar a descida, e outra foi deixada por Aldrin a certa distância do módulo. Operada por controle remoto (o primeiro sistema de TV remoto foi inventado em 1942), ela filmaria a decolagem e seria deixada para trás, junto com os demais instrumentos instalados.

Câmera

Por que uma câmera tem que ter alguém olhando através de seu visor para gravar alguma coisa? Fonte: Moonlandinghoax.org

No caso da câmera na escada foi mais simples ainda. Uma alavanca no interior do LM comunicava-se mecanicamente com uma montagem do lado de fora, onde uma câmera foi acoplada. Acionando a alavanca, a plataforma de câmera seria travada numa posição pré-definida, apontando na direção da escada (foto à direita).

Aliás, uma das evidências das viagens à Lua é o conjunto de espelhos deixados pelos astronautas. Um laser disparado da Terra reflete neles e, conhecida a velocidade da luz, o tempo que o laser gasta para ir e voltar permite calcular a distância da Lua com precisão de poucos metros. Tal medição não seria possível sem os espelhos.

Mas por que nem mesmo o Telescópio Espacial Hubble consegue ver esses espelhos ou outros objetos deixados na Lua pelos astronautas das missões Apollo? É o que veremos a seguir.


Continua...

 

Moon Landing Conspiracy  
Do sonho à conquista

» Publicação em mídia impressa:
• Costa, J. R. V. Doze homens e uma conspiração. Tribuna de Santos, Santos, 27 fev 2006. Caderno de Ciência e Meio Ambiente, p. D-4.

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