Doze homens e uma conspiração – 12

Harrison Schmitt

HARRISON SCHMITT, O 12º HOMEM

Harrison Hagan Schmitt nasceu em 3 de julho de 1935 em Santa Rita, Novo México. Bacharel em Ciências pelo Instituto de Tecnologia da Califórnia, dedicou-se a geologia, área em que obteve doutorado em Havard, após ter estudado na Universidade de Oslo, na Noruega.

Antes de entrar para a NASA, Harrison fez parte do primeiro grupo de cientistas-astronautas em 1965, quando trabalhou no Centro de Pesquisa Geológica e Astrogeologia do Arizona, onde desenvolveu técnicas de campo que seriam usadas pelas tripulações das missões Apollo.

Harrison teve um importante papel no treinamento das tripulações, fazendo dos astronautas que ficaram em órbita lunar excelentes observadores geológicos e ótimos trabalhadores de campo daqueles que desceram até a superfície.

Além disso, após o retorno de cada missão, Harrison participava ativamente do exame das amostras lunares, ajudando as tripulações a escrever relatórios científicos. Por isso, não foi surpresa quando ele próprio foi apontado para fazer parte da tripulação da Apollo 18.

Porém, a essa altura, os custos do programa Apollo estavam se tornando proibitivos e ficou decidido que a Apollo 17 seria a última missão lunar (no início, previa-se que o programa só terminaria com o vôo da Apollo 21). E Harrison acabou tendo a sorte de ser piloto do módulo lunar da Apollo 17.

Após sua bem sucedida missão de oito dias na Lua (junto ao comandante Eugene Cernan em dezembro de 1972), Harrison continuou na NASA até se eleger senador em 1975. Derrotado na tentativa de se reeleger em 1982, Harrison se manteve ocupado como consultor em geologia, espaço e política pública no Estado do Novo México, onde vive até hoje.

O projeto Apollo foi o terceiro programa de voos espaciais tripulados coordenados pela NASA (os dois primeiros foram os programas Mercury e Gemini). Seu objetivo era levar homens para a Lua, fazê-los pousar e executar atividades em solo lunar, trazendo-os em segurança de volta a Terra.

O programa começou em 1963 e foi encerrado em 1972, sendo executado em etapas que culminaram em seis missões bem sucedidas de pousos lunares tripulados. Desde então, e apesar das promessas da época, os programas espaciais tripulados dos Estados Unidos se concentraram em atividades na órbita terrestre – e nunca mais houve um retorno à Lua, ou mesmo missões tripuladas a qualquer outro corpo celeste.

Mas de 1972 até o presente é claro que muita coisa mudou. Grandes avanços em ciência e tecnologia moldaram o mundo em que vivemos. Houve uma verdadeira revolução nas comunicações, e o dispositivo que você está usando para ler esse texto testemunha isso.

No campo espacial, espetaculares missões não tripuladas têm acontecido, com resultados memoráveis vindos de lugares que sempre sonhamos visitar, como Marte (e a própria Lua), além de mundos distantes como asteroides, os planetas gasosos e Plutão.

Tudo isso faz muita gente pensar que se hoje somos capazes dessas incríveis façanhas, se nossa tecnologia melhorou tanto desde as décadas de 1960 e 70, por que não estamos indo à Lua com a mesma frequência com que os ônibus espaciais foram ao espaço de 1981 a 2011?

Esta série especial de Astronomia no Zênite vem analisando uma a uma as ideias daqueles que desconfiam de que as viagens tripuladas do programa Apollo foram fraudadas e nunca aconteceram de verdade.

Neste último capítulo, vamos ao derradeiro argumento; aquele usado, talvez, com mais frequência.

O contexto histórico

Dúvida
Considerando que a tecnologia nos dias atuais é superior aquela do final da década de 1960, quando aconteceu a primeira das seis viagens tripuladas à Lua, não seria de se esperar que missões humanas de exploração lunar continuassem acontecendo, e hoje tivéssemos bases lunares permanentemente habitadas, como se faz em órbita da Terra?

Conspiração
É óbvio que sim. E aí está o maior argumento para confirmar a fraude do programa Apollo. Tudo não passou de uma farsa montada pelos Estados Unidos para convencer o seu principal concorrente, a antiga União Soviética, e o resto do mundo de que os norte-americanos eram superiores.

Realidade
Chamamos de anacronismo ao ato falho de atribuir a uma época (ou a um personagem) olhares e referências que são de outra época.

Um exemplo: as Pirâmides de Gizé, na África, foram erguidas há milhares de anos. Até hoje, são consideradas um complexo que envolveu avançadas técnicas de engenharia. No entanto, naquela época não existiam as modernas gruas, guindastes ou veículos pesados. Nenhum dos modernos avanços da engenharia. Se as pirâmides existem, então devem ter sido construídas com a ajuda de uma civilização muito mais avançada – talvez extraterrestres.

Essa dedução absurda provém do anacronismo. Do olhar para trás com os olhos presos ao hoje. Para entender um fato passado, é preciso se desprender das referências do presente. Fazer uma “viagem no tempo” para procurar compreender a época considerada, suas próprias referências e as motivações que ali prevaleciam.

Com o programa Apollo não é diferente. É preciso “mergulhar” naquela época e entender todo o contexto histórico em que se deram aquelas missões. Pode ser algo trabalhoso, mas ao mesmo tempo será esclarecedor.

Quando se fala em Corrida Espacial não é só uma maneira de se expressar. Havia realmente uma corrida ─ e a linha de chagada era a Lua.

O programa Apollo não era bem parte de um empreendimento científico, mas sim de um programa político-militar cujo objetivo era mostrar ao mundo a superioridade de uma nação (e de seu modelo de governo) para que as outras nações a seguissem.

Quem vencesse a corrida, poderia ser o líder do mundo. Os soviéticos eram os concorrentes dos norte-americanos e, hoje sabemos, também tinham um programa espacial com o objetivo de realizar um pouso lunar tripulado. Eles possuíam um poderoso lançador (chamado N1) mas falharam em fazê-lo funcionar.

Enquanto isso, num êxito de gerenciamento maior até do que sua superioridade tecnológica, os Estados Unidos conseguiram. Mas depois da Apollo 11, o desinteresse de sua população foi tanto que nem mesmo as redes de TV se importavam em transmitir novos lançamentos.

Assuntos domésticos, como a guerra do Vietnã, eram mais relevantes. E precisavam de dinheiro. O programa Apollo custou 133 bilhões de dólares (em valores de 2008). Se não havia interesse popular, o Congresso norte-americano não aprovaria novas missões (veja o quadro HARRISON SCHMITT, O 12º HOMEM).

Orçamento da NASA 1958-2009


VARIAÇÃO do orçamento anual da NASA em 50 anos (como porcentagem do orçamento federal norte-americano). Época do programa Apollo foi a mais gorda.

Havia críticas internas também. Carl Sagan, por exemplo, era uma das vozes que defendia que as missões robóticas (não tripuladas) seriam muito menos dispendiosas e mais seguras.

E os políticos adoravam a ideia de que, dessa forma, os Estados Unidos continuariam na vanguarda da exploração espacial, mas gastando menos. Assim haveria mais para aplicar em saúde, educação e no orçamento militar. Não necessariamente nesta ordem, é claro.

Christopher R. Cooper
PRIORIDADES  Gráfico compara custos do programa Apollo e outras despesas históricas dos EUA.

Desde o início foi uma competição. Nunca deixou de ser. O motor que impulsiona a conquista do espaço vem do orgulho das nações, da necessidade de mostrar hegemonia, poder. Da política.

Isso não diminui a grandiosidade do que representou, para toda a humanidade, o programa Apollo. Apenas o situa no contexto da história. E mostra porque, hoje, a Lua já não desperta os mesmos interesses que décadas atrás.  Fim

 

Doze homens e uma conspiração
À luz de uma lua vermelha

» Referências (fontes consultadas):
Apollo Program Cost: An Investment in Space Worth Retrying? In: The Blog of Christopher R. Cooper. Disponível em <https://christopherrcooper.com/blog/was-the-apollo-program-a-prudent-investment-worth-retrying/>. Acesso em 26 dez 2015.
The Apollo Program (1963 – 1972) In: NSSDCA – NASA. Disponível em <http://nssdc.gsfc.nasa.gov/planetary/lunar/apollo.html>. Acesso em 27 dez 2015.

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