Bolas de fogo

Seguindo uma tradição popular, toda vez que presenciamos uma estrela cadente riscando o céu temos direito de fazer um pedido. “Estrelas cadentes” é o termo corriqueiro para meteoro, um fenômeno atmosférico que acontece quando um pequeno fragmento de matéria vindo do espaço penetra velozmente na atmosfera da Terra, produzindo um breve rastro luminoso.

Vaguear nossos olhos pelo firmamento e ser surpreendido por um meteoro é divertido. Eles são tão rápidos que na maioria das vezes não dá tempo de avisar a pessoa ao lado, se ela não estiver olhando para a mesma parte do céu.

Na Astronomia, o termo meteorito se distingue de meteoro por uma razão bem simples – e um tanto alarmante: se o objeto espacial conseguir cruzar toda a atmosfera sem se desintegrar, chegando ao ponto de impactar com o solo, ele é um meteorito e não um meteoro.

Bola de fogo
CHUVA FORTE  Às margens do mar Mediterrâneo, na Turquia, esse meteoro brilhante foi visto durante a chuva de meteoros Leônidas, em novembro de 2001. Foto de Tunc Tezel.

Entre meteoros e meteoritos ainda existem as bolas de fogo.

Fireball

Este fireball visto em 2009 sobre Groningen, Alemanha, foi mais brilhante que a Lua Cheia. Foto: R. Mikaelyan.

Quando alguém vê uma bola de fogo no céu (ou fireball, o termo original em inglês) pensa em muita coisa, menos num singelo pedido.

Bolas de fogo, como o nome sugere, são meteoros excepcionalmente brilhantes e tão espetaculares que podem ser vistos em uma área muito grande. Eles chamam mesmo nossa atenção, pois clareiam tudo à sua volta, como um relâmpago demorado. Dá tempo de muita gente ver.

Bolas de fogo também podem produzir vestígios no solo, ou seja, também podem ser meteoritos. Num caso ou no outro, elas sempre evocam sentimentos fortes, que vão do alvoroço ao mais puro medo.

Evaporando em pleno ar
CONHEÇA MAIS UM VOCÁBULO ESPACIAL: qualquer fragmento de asteroide ou cometa em órbita do Sol, e com um tamanho variando de uma dezena de mícrons (o milésimo de um milímetro) até várias dezenas de metros é chamado meteoroide.

Portanto, meteoros, bolas de fogo e meteoritos são meteoroides que foram atraídos pela gravidade terrestre.

Mas a atmosfera da Terra dificulta sua passagem, aquecendo-o por fricção com o ar. À frente do meteoroide, uma onda de choque se desenvolve pela compressão dos gases. Parte dessa energia é irradiada para o próprio objeto em queda e provoca sua ablação, ou seja, ele passa do sólido para o gasoso tão rápido que não chega a derreter. Em outras palavras, ele evapora!

Isso reduz seu tamanho e sua velocidade. Para os meteoros (as populares “estrelas cadentes”) significa o seu fim ali mesmo, muito quilômetros acima da sua cabeça, sem qualquer risco. E não se esqueça do pedido!

Sentindo a queda
O CASO DAS BOLAS DE FOGO é diferente. Sua fragmentação durante a queda eleva a quantidade de ar que o detém, aumentando a ablação e o arrasto atmosférico.

Bólido também é outra denominação frequente dada as bolas de fogo ou fireballs.

Quando a força das pressões desiguais que atuam à frente e atrás do meteoroide excede a sua própria resistência à tração, ele se arrebenta catastroficamente, produzindo com alguma frequência uma explosão em plena atmosfera.

Raras vezes, a onda de choque desse evento chega ao solo, o que costuma produzir mais que um estrondo terrível. Edificações e seres vivos também podem sofrer.

Mas geralmente os meteoroides que causam bolas de fogo não são grandes o bastante para sobreviver intactos à passagem pela atmosfera. Mesmo assim, às vezes meteoritos são recuperados após um deles.

Explosões de bolas de fogo também não acontecem todas as noites, embora a tabela abaixo mostre que não são necessariamente incomuns.

Ela fornece informações como a data e hora em que foi registrada uma bola de fogo, a localização geográfica (você pode exibir um mapa), a altitude do impacto (0.0 significa altitude não conhecida) e a energia total irradiada em quilotons (1 kt = 4,185 x 1012 Joules).


 

Os dados fornecidos pela NASA provem de um monitoramento do fenômeno desde 2006, mas não trazem informações em tempo real nem se garante que todas as bolas de fogo nesse período tenham sido registradas. Possivelmente só as mais violentas.

Você pode ordenar os dados da tabela por data (o padrão), pela altitude em que bola de fogo explodiu ou pela energia liberada (se a altitude for zero, significa que foi detectado um forte impacto na superfície).

Ao ordenar a tabela por energia, o evento que encabeça a lista é o que ficou conhecido como o “Meteoro de Cheliabinsk” (na verdade uma bola de fogo que produziu meteoritos – vários – que caíram na Rússia em 15 de fevereiro de 2013).

Foi a bola de fogo mais violenta dos últimos anos. Sua explosão aconteceu a mais de 20 km, mas a onda de choque se alastrou até Cheliabinsk, causando destruição de propriedades e deixando mais de mil pessoas feridas.


CHELIABINSK  Neste vídeo podemos perceber que mesmo após explodir o meteoro não se extingue. Seu rastro persistente indica a direção onde meteoritos foram depois encontrados.

Na mesma tabela encontramos um registro recente de uma grande bola de fogo perto da costa brasileira no dia 6 de fevereiro de 2016.

Não foi a primeira vez que isso aconteceu, nem será a última. Considerando a extensão territorial do Brasil, inúmeras bolas de fogo podem ser vistas daqui, no tempo de uma vida humana. E a única coisa que podemos fazer é torcer para que não sejam “sentidas” também…  Fim

 

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» Referências (fontes consultadas):
• Fireball and Bolide Reports. In: NASA. Disponível em <http://neo.jpl.nasa.gov/fireballs/>. Acesso em 1 mar 2016.

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