Asteroides perigosos

Dez mil toneladas vindas do espaço penetram em nossa atmosfera a cada ano, com velocidades entre 11 e 70 km/s. A maioria se transforma em inocentes meteoros. Entre os principais geradores desses corpos estão os cometas, embora sejam os asteroides os candidatos preferidos pelos pesquisadores. São também os mais perigosos.

Sua composição heterogênea teria melhores condições de explicar a origem da diversidade na composição das várias classes de meteoritos. Além disso, nem todos os asteroides permanecem na conhecida faixa entre Marte e Júpiter. Colisões recíprocas e órbitas instáveis podem levá-los para longe dali.

São denominados asteroides potencialmente perigosos (em inglês Potentially Hazardous Asteroids - PHAs) as rochas maiores que 100 m, aproximadamente, e que se aproximam do nosso planeta menos que 0,05 UA (1 UA vale aproximadamente 150 milhões de km).

Até o momento são conhecidos 1731 PHAs

Disponibilizamos registros completos das passagens conhecidas de PHAs para os anos de 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 e um diagrama com o mapeamento dos impactos ocorridos na atmosfera (bólidos) entre 1994 e 2013. Para um registro ainda mais abrangente acesse este artigo.

A tabela a seguir relaciona as passagens mais recentes de PHAs, destacando aqueles que se aproximaram menos de cinco vezes a distância Terra-Lua (DL).


Monitorando PHAs
VOCÊ MESMO PODE SABER MAIS sobre um determinado PHA. Basta digitar na caixa a seguir o nome do objeto (por exemplo: 2008 TC3) e a tecla ENTER para ser direcionado à página do JPL/Nasa com mais informações sobre o astro – inclusive o diagrama orbital, com a possibilidade de simular sua trajetória futura.

Busca de PHAs no JPL/Nasa

Nenhum PHA conhecido está em curso de curso de colisão com o nosso planeta. Isso inclui os rumores de colisões de asteroides este ano ou nas próximas décadas. Por outro lado, estatisticamente não é tolice pensar que um impacto é pura questão de tempo.

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Sempre perigosos
NA VERDADE, VÁRIOS IMPACTOS JÁ ACONTECERAM na história moderna (veja este diagrama). O mais violento foi em 1908, na Sibéria (o evento Tunguska). Mais recentemente, o asteroide 2008 TC3, de apenas 3m, tornou-se o primeiro a ser detectado antes de seu impacto, ocorrido em 7 de outubro de 2008 a cerca de 36 km acima do deserto da Núbia, entre o Egito e o Sudão. Foram encontrados cerca de 4 kg em meteoritos provenientes dele. Não houve vítimas.

Foto de Alex Alishevskikh.

VISITANTE EXTRATERRESTRE Um objeto celeste caiu ao longo dos Urais na manhã de 15 de fevereiro de 2013. Ele explodiu na atmosfera, e mesmo assim causou danos em edifícios e ferimentos a centenas de pessoas. Clique na foto para ampliar.

O maior impacto recente aconteceu na manhã (3:20 UTC) de 15 de fevereiro de 2013, quando um asteroide penetrou em nossa atmosfera, desintegrando-se sobre a cidade de Chelyabinsk, na Rússia (foto).

O evento foi fartamente documentado e diversos registros em vídeo indicaram uma trajetória de nordeste para sudoeste, com um ângulo raso de 20° sobre a horizontal. A velocidade de entrada foi estimada em cerca de 18 km/s (mais de 64 mil km/h).

Com base na análise das ondas sonoras de baixa frequência, detectadas por uma rede global, estimou-se que o objeto tinha um tamanho de 17 m e uma massa entre 7 e 10 toneladas quando atingiu a atmosfera. Ela explodiu a cerca de 15 ou 20 km acima do solo com uma energia equivalente a 500 quilotons de TNT (cerca de 30 vezes a energia liberada pela bomba atômica de Hiroshima).

Eventos assim são ESPERADOS uma vez a cada centena ou VÁRIAS dezenas de anos

Isso provocou um estrondo sônico que destruiu vidraças e telhados de várias edificações na cidade. Os estilhaços chegaram a ferir mais de mil pessoas e mais de 100 tiveram de ser hospitalizadas. Fragmentos do asteroide foram encontrados no lago Chebarkul e em vilarejos próximos. De acordo com a compreensão atual sobre PHAs, eventos assim são esperados uma vez a cada centena ou várias dezenas de anos.

Contudo, naquele mesmo dia, um PHA de 50m de comprimento (denominado 2012 DA14) passou a distância de apenas 27.700 km da Terra, um dos rasantes mais próximos já registrados.

Mesmo assim, sua trajetória exclui qualquer relação com o evento na Rússia (entenda porque).

Bom mesmo seria se tudo isso tivesse sido útil para convencer as autoridades mundiais de que a nossa vizinhança no espaço não é tão tranquila quanto gostaríamos que fosse. Talvez só uma tragédia convença.  Fim

 

Enquanto Apófis não vem
O evento Tunguska
Coruça, um impacto sobre o Brasil
Pousando em um asteroide
Minor Planet Center  

» Referências (fontes consultadas):
• ESA. Russia asteroid impact: ESA update and assessment. Disponível em <http://www.esa.int/Our_Activities/Operations/Russia_asteroid_impact_ESA_update_and_assessment>. Acesso em 8 mar 2013.
• JPL/NASA. Target Earth. Disponível em <http://neo.jpl.nasa.gov/neo/target.html>. Acesso em 22 nov 2012.

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