Apreciação filosófica

A pedido de Rui Barbosa, Ministro da Fazenda em 1889, Teixeira Mendes escreveu para o Diário Oficial sua “Apreciação Filosófica”, um longo texto onde descrevia o modo como ele próprio entendia a bandeira que criara. Abaixo reproduzimos o trecho em que se refere às estrelas.

“Figurou-se a esfera inclinada segundo a latitude do Rio de Janeiro, e assinalou-se o pólo Sul pelo sigma do Oitante, que se tornou o símbolo natural do município neutro.

Escolheram-se constelações austrais, com exceção do Pequeno Cão, que forneceu Prócion para significar que a União brasileira tem um Estado que se estende ao hemisfério Norte. Esta constelação fica ao norte do Equador e ao sul da Eclítica.

As outras constelações escolhidas foram, além da do Cruzeiro, convenientemente destacada, o Triângulo Austral, o Escorpião, a Virgem (Espiga), Argos (Canopo) e o Grande Cão (Sírio).

A Virgem tem parte no hemisfério Norte e parte no hemisfério Sul, estendendo-se aquela acima da Eclítica. A sua estrela mais brilhante, a Espiga, pertence ao nosso hemisfério, e a essa estrela está ligada a memória da descoberta da precessão dos equinócios pelo fundador da astronomia, o imortal Hiparco. Ela não podia, pois, deixar de ser escolhida. Na bandeira ela está figurada acima da eclítica, apenas para quebrar a monotonia do hemisfério boreal.

Prócion, que é única estrela das escolhidas que está no hemisfério Norte, não podia ser colocada acima da Eclítica, porque a constelação está ao sul dessa linha.

A liberdade estética, pelo contrário, permitia colocar Espiga acima da faixa representativa do zodíaco, por se tratar de uma constelação que tem parte acima e parte abaixo do plano da órbita terrestre, e de uma estrela que bastaria uma pequena variação da inclinação desse plano para transportá-la ao norte dele. Mas ela foi representada junto a faixa.”


Originalmente, a bandeira continha estrelas das constelações do Cruzeiro do Sul, Escorpião, Cão Maior, Cão Menor, Virgem, Triângulo Austral, Argus e Oitante. Com a inclusão de novos estados, foi também acrescentada Hidra Fêmea. Carina é o casco do navio Argus, cuja Vela e Popa, também são constelações em separado, mas não estão na bandeira.

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» Referências (fontes consultadas):
• Coimbra, R. O. A Bandeira do Brasil. Rio de Janeiro: Fundação IBGE, 1972. 502 p.

» Publicação em mídia impressa:
• Costa, J. R. V. O firmamento como símbolo nacional. Tribuna de Santos, Santos, 25 nov. 2002. Caderno de Ciência e Meio Ambiente, p. D-4.

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