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Estrelas ao extremo www.zenite.nu?aoextremo |
JOSÉ ROBERTO V. COSTA
Astronomia no ZêniteO Universo é tudo para nós |
Ela é mesmo uma estrela e tanto. Descoberta pelo telescópio espacial Hubble por trás de uma densa nebulosa, na direção da constelação de Sagitário, Pistol (Pistola) brilha tanto como cinco ou seis milhões de sóis, e tem tamanho suficiente para preencher todo o espaço entre o Sol e a Terra. Pistola é a estrela mais brilhante que se tem notícia e fica a 25 mil anos-luz de distância.
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"E me ensina como designar a luz maior, e também a menor, que brilha noite e dia..."
William Shakespeare, "A Tempestade" Ato 1, Cena 2 |
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Mas a luz que brilha muito se consome rápido. Assim Pistola, que se formou entre um e três milhões de anos atrás (o Sol tem cerca de 5 bilhões de anos), está destinada a morrer numa violenta explosão chamada supernova.
Na verdade, essa estrela já perde massa constantemente, formando ao seu redor uma concha de gás com dezenas de massas solares. As erupções extremamente massivas de Pistola já preencheram um espaço de mais 4 anos-luz, a mesma distância entre o Sol e a estrela mais próxima, Alfa de Centauro.

PISTOLA e sua nebulosa. Créditos: NICMOS, STScI, NASA. |
Atualmente, os astrônomos estimam que a massa de Pistola seja equivalente a 100 sóis, sendo que a massa inicial deveria ser o dobro. Entretanto, ela não é visível em fotografias nem a olho nu, pois está imersa por trás do gás e da poeira interestelar do centro galáctico. Então, como podemos saber tanto sobre ela?
As emissões da estrela não podem ser percebidas por sistemas óticos, mas podem ser registradas pelos detectores de infravermelho (calor) do telescópio espacial que as reporta como sinais digitais. Cada bit de informação é processado até se obter sua imagem. Mas neste caso as cores não têm qualquer significado físico. Elas são apenas um meio de ressaltar diferentes regiões por meio de contrastes.
Pistola é a mais brilhante? COMO NUM CONTO DE FADAS, em que a madrasta pergunta ao espelho mágico quem é a mais bela, Pistola fica em segundo lugar no quesito brilho. Ela é superada, em brilho e também em massa, pela estrela LBV 1806-20, até 40 milhões de vezes mais luminosa do que o Sol.
Mesmo assim LBV 1806-20 não é facilmente observável, pois além da respeitável distância de 45 mil anos-luz – do outro lado da Galáxia – sua luz também é absorvida pelo material interestelar no meio do caminho. Sua detecção foi possível graças a telescópios que enxergam no infravermelho, uma região do espectro que penetra mais profundamente a poeira interestelar.
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| COVARDIA LBV 1806-20 comparada ao Sol. Gravura de Meghan Kennedy, Universidade da Flórida. |
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Estima-se que LBV 1806-20 tenha mais de 150 vezes a massa solar, adquiridos em apenas 2 milhões de anos de idade. Tamanha engorda é um dos maiores mistérios da Astronomia moderna.
As teorias sobre a formação estelar sugerem que as estrelas devem estar limitadas até cerca de 120 massas solares, senão o calor e a pressão no centro dessas enormes bolas de hidrogênio e helio afastariam a matéria da superfície, impedindo a acresção de mais massa.
Mas também pode ser que a massa e a luminosidade de estrelas tão brilhantes como essa, mas que se encontram a grandes distâncias, confundam os astrônomos.
Não está descartada a hipótese de LBV 1806-20 ser um sistema múltiplo, uma coleção de estrelas em órbitas apertadas. Apenas observações mais acuradas irão confirmar a singularidade da estrela gigante.
| Elas são tão GRANDES que nem deveriam EXISTIR. |
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LBV 1806-20 pertence a uma classe de grandes estrelas. As chamadas "variáveis luminosas azuis", como Eta, da constelação de Carina. São estrelas supergigantes azuis, com luminosidades de dezenas de milhares de vezes a luz do Sol mas cujas massas normalmente estão entre 40 e 50 vezes a massa solar. Elas são tão grandes que "nem deveriam existir", segundo alguns modelos teóricos.
LBV 1806-20 é a maior? NÃO. TRÊS ESTRELAS SUPERGIGANTES VERMELHAS detêm esse recorde – até o momento. KW Sagitarii (a 9.800 anos-luz), V354 Cephei (a 9.000 anos-luz) e KY Cygni (a somente 5.200 anos-luz) têm todas cerca de 1.500 vezes o tamanho do Sol, ou cerca de sete Unidades Astronômicas (UA).
Para efeito de comparação, a supergigante vermelha Betelgeuse, na constelação de Órion, tem 650 vezes o diâmetro do Sol, ou cerca de 3 UA. Se qualquer uma das três maiores supergigantes conhecidas fosse colocada no lugar do Sol, não só engolfaria a Terra, mas seu corpo monstruoso seria capaz de se estender até algum ponto entre as órbitas de Júpiter (a 5,2 UA) e Saturno (a 9,5 UA do Sol).
Publicação em periódico impresso: • Costa, J. R. V. A maior e a mais brilhante. Tribuna de Santos, Santos, 14 jul. 2003. Caderno de Ciência e Meio Ambiente, p. D-4. |
Sobre esta página: Você está em zenite.nu?aoextremo Última atualização em 04/04/2010 às 20h16min.
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