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Canopus, a estrela-guia

JOSÉ ROBERTO V. COSTA
Astronomia no Zênite
O Universo é tudo para nós

Ela é a segunda mais brilhante do céu noturno, mas chama a atenção tanto quanto a campeã, Sírius. Porém, enquanto Sírius é uma das estrelas mais próximas, a menos de 9 anos-luz, Canopus está a quase 315 anos-luz. E ainda assim brilha como poucas.

Ela é uma supergigante branco-amarelada, 65 vezes maior e 20 mil vezes mais luminosa que o Sol. No palco celeste, Canopus é literalmente uma superstar, e no céu de muitos planetas de outros sistemas solares, provavelmente é a mais brilhante.

Piloto de Tróia
Fácil de localizar (veja como), Canopus é a principal estrela (alfa) da constelação de Carina, a quilha no lendário navio Argus. Essa constelação é visível do pólo sul até 37 graus de latitude Norte (uma linha paralela ao equador terrestre que passa pelo sul do estado de Kentucky, nos EUA, pelo Mar Mediterrâneo e Japão).


A seta indica a posição de Canopus no navio Argus.
Gravura: The University of Minnesota

Diz a lenda, que sua curiosa denominação vem de Canopo (ou Canobo), o nome do piloto do navio que conduziu Menelau e Helena ao Egito, após a queda de Tróia. O jovem foi amado pela filha de um rei egípcio, e após sua morte deu nome a uma cidade daquele país.

No passado, os povos viajantes do deserto a usavam para indicar a direção aproximada do Sul. Por lá, Canopus aparece no inverno, bem abaixo de Sírius e sempre perto do horizonte, quando não raras vezes a atmosfera turbulenta lhe confere uma cor ligeiramente avermelhada.

A MARINER IV utilizou um sensor estelar para chegar em Marte. Foi essa sonda que enviou as primeiras imagens do Planeta Vermelho, em 1965.

Rastreador estelar
Em tempos modernos, mesmo quando um GPS se torna uma orientação mais prática e precisa para se encontrar o rumo, Canopus continua orientando a navegação.

Mas não das naves comuns, aquelas que percorrem os mares da Terra, e sim das que velejam pelo oceano cósmico.

Por causa do brilho e da posição que ocupa no céu (fora do plano da eclíptica, ao contrário de Sírius), Canopus foi muito útil à navegação de sondas espaciais.

Naves famosas como a Mariner, a Lunar Orbiter, a Pioneer e a Voyager usaram uma câmera chamada Canopus Star Tracker (o rastreador da estrela Canopus, numa tradução livre).

E mesmo hoje, quando por algum motivo Canopus não é a preferida, as sondas de exploração planetária usam um “sensor estelar” que é essencialmente o rastreador de Canopus desenvolvido na década de 1960. Esses dispositivos contêm, basicamente, um mapa estelar de onde a nave obtém sua orientação correta, sua atitude em vôo.

Briga de gigantes
A temperatura de Canopus oscila entre 6 mil e 8 mil graus. No centro da estrela, o hélio já começa a se converter em carbono, e embora não tenha massa o bastante para explodir como uma supernova, Canopus vai acabar “queimando” esse carbono em oxigênio – e vai se transformar numa das maiores anãs-brancas da galáxia.


Canopus (Alfa de Carina)
Cor
 
Classe
espectral
Distância
(anos-luz)
Luminosidade
(Sol=1)
Massa
(Sol=1)
Temperatura
superficial
Diâmetro
(Sol=1)
Amarelo claroF0 Ia 31613.60087.350 K 65

Mas isso não vai ser algo para os humanos verem. O que já presenciamos – e podemos ver de novo – foi quando outra estrela da constelação de Carina teve uma enorme erupção de brilho e superou Canopus de sua segunda posição no céu, ainda que por um curto período de tempo. O nome dela é Eta Carina, e ela está prestes a explodir.



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Publicação em periódico impresso:
• Costa, J. R. V. Canopus, a estrela-guia. Tribuna de Santos, Santos, 5 nov 2007. Caderno de Ciência e Meio Ambiente, p. D-2.

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• Última atualização em 02/08/2008 às 21h26min.
   

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