O espetáculo do eclipse
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JOSÉ ROBERTO V. COSTA
Astronomia no Zênite
O Universo é tudo para nós

Numa anedota conhecida, o professor pergunta aos alunos Quem vocês acham que é mais importante, o Sol ou a Lua? O aluno mais astuto da classe reage rápido: A Lua, é claro! Surpreso e curioso ao mesmo tempo, o mestre pergunta o porquê, e ele responde sem demora: Porque a Lua brilha durante a noite, quando está escuro, enquanto o Sol brilha de dia, quando já está tudo claro...

Não é uma resposta surpreendente, se considerarmos a forma eficaz como a luz do Sol se espalha pela atmosfera, produzindo um azul luminoso por todo o céu. Mais extraordinário seria se alguém lhe dissesse que é possível ver a luz do Sol mesmo depois do anoitecer. E é. Basta olhar para a Lua.

Cor do luar
Todas as noites em que vemos a Lua contemplamos um pouco da luz do Sol. O luar da Lua Cheia, intenso o bastante para que caminhemos sem ajuda de luzes artificiais, é o momento em que recebemos mais luz solar em plena noite. É claro que se trata de uma luz indireta, refletida. Mas é do Sol, pois a Lua não brilha sem ele.

Outra constatação curiosa ocorre durante os eclipses totais da Lua, como o que aconteceu no dia 15 de junho de 2011. Foi o primeiro eclipse total desse ano e, num raro lance de sorte para quem vive na América do Sul, a Lua já nasceu eclipsada.

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Assim, a já conhecida percepção de uma Lua Cheia ilusoriamente maior no horizonte foi acrescida pelos belos tons de vermelho e laranja de um eclipse total – um espetáculo que proporcionou magníficas fotografias.

TEMOS A IMPRESSÃO que a Lua fica maior quando perto do horizonte (foto 1). Mas sem efeitos de câmera e medindo com precisão o tamanho da Lua desde que nasce, descobrimos que isso não é real (foto 2). Há várias explicações para essa ilusão mas, no eclipse total de junho de 2011, ela só ressaltou a beleza do fenômeno. Fotos:
1. luar (irreal) sobre Scituate, Massachusetts, por Susan Kelly ©2011 e 2. exposições fotográficas do nascer da lua sobre Seattle, por Shay Stephens ©2002.


Um eclipse lunar só acontece quando a Terra passa exatamente entre a Lua e o Sol. Como o diâmetro da Terra é quase quatro vezes maior que o da Lua, a sombra que o nosso planeta projeta no espaço cobre todo o satélite.

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Porém, ainda que totalmente à sombra, a Lua não desaparece por completo. Os raios solares tangenciam a atmosfera terrestre, que os desvia para o meio de seu cone de sombra, atingindo em cheio a Lua. E essa é a revelação notável: a cor avermelhada da Lua, durante o eclipse total, é a mesma do nascer e do pôr do Sol.

Você pode entender isso mais facilmente observando atentamente a figura ao lado. Os raios de Sol passam pela borda da Terra. Mas essa borda, essa região que separa dia e noite enquanto o mundo gira, é onde estão acontecendo as alvoradas e os poentes. A cidade onde você mora passa por ali a cada amanhecer e anoitecer.

A soma da beleza
A atmosfera desvia os raios solares que por ali passam para dentro da sombra terrestre, e por onde a Lua estará passando no eclipse – de forma semelhante ao que acontece com um raio de luz que passa do ar para a água, fazendo um lápis parecer quebrado quando o vemos imerso num copo cheio pela metade.

A luz do Sol leva mais tempo para atravessar essas camadas de ar, que agem como um filtro, alterando o azul típico de um céu diurno. A luz azul se dispersa, dando lugar aos tons avermelhados que embelezam nossos fins de tarde.

O que geralmente não nos damos conta é que essa luz colorida continua o seu caminho, se perdendo no fundo negro do espaço para sempre. Ao cair da tarde de 15 de junho de 2011 populações no Brasil ou Portugal puderam vê-la pintando as nuvens de um lado do horizonte, como de costume.

Mas, enquanto isso, do lado oposto, no nascente, acontecia um raro replay: os mesmos raios de luz que coloriram o céu do poente há poucos instantes agora se inclinavam sobre a Lua, que pouco a pouco se erguia sobre o horizonte. Uma Lua Cheia incomum, iluminada não pelo Sol, mas pela soma de todos os nasceres e pores do Sol do mundo.


PASSO A PASSO: O ECLIPSE TOTAL DA LUA DE 15/JUN/2011 

• Quando a Lua nasceu, no fim da tarde, estava totalmente eclipsada. O máximo do eclipse (totalidade) aconteceu às 17:12, horário em que a Lua nasceu em algumas localidades do nordeste brasileiro. No Sul e Sudeste os horários foram um pouco mais tarde. Em São Paulo, por exemplo, a Lua nasceu às 17:24 e em Porto Alegre às 17:28.

• O Sol estava se pondo praticamente ao mesmo tempo, de modo que o céu ainda estava parcialmente iluminado. A Lua Cheia não foi vista com seu brilho característico, mas num tom pálido (por causa do crepúsculo) de vermelho e laranja. Cores mais acentuadas foram observadas ao sul do continente, por causa das cinzas do vulcão chileno Puyehue, presentes na atmosfera.

• O eclipse total terminou às 18:02 (horário de Brasília). A totalidade demorou 100 minutos, o mais longo eclipse lunar dos últimos 11 anos. Visto do Brasil, no entanto, apenas parte do fenômeno foi visível, pois o início da totalidade começou às 16:22 (antes da Lua nascer). Após às 18h (já com o céu mais escuro), a Lua havia perdido o brilho avermelhado e o que se viu foi uma parte mais clara, que pouco a pouco foi tomando o lugar da negritude da sombra terrestre.

• O eclipse penumbral começou uma hora depois, às 19:02. A essa altura a Lua Cheia já parecia estar com seu brilho de volta. Mas estava coberta por uma penumbra. Somente depois das 20:00, quando o eclipse realmente terminou, a Lua Cheia voltou a brilhar como de costume. O próximo eclipse total da Lua visível no Brasil será em 2014.

• Observar um eclipse lunar é seguro e não requer nenhum tipo de proteção aos olhos. Podem, inclusive, ser usados binóculos, lunetas ou telescópios. Neste texto você encontra dicas para obter boas fotografias de eclipses da Lua. Abaixo, uma animação mostra todas as fases deste eclipse lunar.


Animação mostra o eclipse lunar total de 15 de junho para um observador no Brasil.
Clique na figura para abrir a animação.
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Adaptado do original, publicado em:
• Costa, J. R. V. Esta semana tem eclipse total da Lua. Tribuna de Santos, Santos, 13 jun. 2011. C. Ciência e Meio Ambiente, p. C-4.


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• Última atualização em 16/06/2011 às 22h43min.
   

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