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Sedna e os planetas


Esta é a história de Sedna, um novo membro da "família do Sol", o chamado Sistema Solar, formado pelos planetas, suas luas...

– Ei, espere um momento, que história é essa de "novo"? Quando ele nasceu?
Bom, na verdade ele deve ser tão velho quanto a própria Terra, mas os astrônomos só o encontraram agora, então para nós ele é novinho em folha. Recém saído do anonimato diretamente para as lentes dos astrônomos e das câmeras de TV...

– Puxa! Já tem fotos dele? Posso ver uma?
Ora, você quer ou não ouvir a história?

– Ok, ok, pode começar...

A descoberta
TUDO COMEÇOU EM NOVEMBRO DE 2003, quando um telescópio famoso lá da Califórnia, Estados Unidos, tirou algumas fotos de uma certa região do céu (não muito distante das Três Marias) e encontrou um objeto que se movia entre as estrelas. Ah, e antes que você pergunte, não era um disco voador.

Planetas se movem em relação as estrelas. Veja o caso de Júpiter, por exemplo. Ele é o planeta brilhante que agora em abril aparece do lado Leste (o nascente) logo depois que o Sol se põe.

Experimente comparar a posição dele com a de estrelas próximas. Faça isso por três ou quatro noites seguidas e você vai notar que ele se move por entre as estrelas, que se mantêm fixas umas em relação as outras. Aliás, vem daí o nome planeta (palavra de origem grega que significa "errante"). Os planetas ficam passeando entre as estrelas, numa estrada imaginária que os astrônomos chamam de Zodíaco.

Na Antiguidade, quando as primeiras pessoas que contemplavam o céu notaram isso, os planetas receberam o nome de deuses do Olimpo (como Júpiter, Vênus ou Marte), pois só mesmo sendo um deus para passear entre as estrelas. E Sedna, por sinal, é o nome de uma deusa esquimó que, segundo a lenda, deu vida as criaturas marinhas do pólo Norte.

– Ah, posso interromper agora?

Tudo bem, qual a dúvida?

– Planetas se movem em relação as estrelas, e planetas recebem nomes de deuses. Sedna foi descoberta se movendo no meio das estrelas, e recebeu o nome de uma deusa, então Senda é um plan...
Não. Na verdade o nome foi dado mais por causa da região onde Sedna foi descoberto, um lugar mais de 90 vezes mais longe que a distância que nos separa do Sol. Tão distante que a temperatura nunca por lá é maior que -240°C!

Mas você tem razão num ponto. Muitos andaram dizendo que Sedna era mais um planeta do Sistema Solar. Alguns astrônomos o chamam de planetóide, e talvez ele acabe sendo classificado como planeta anão, a exemplo de Plutão.

– Qual a diferença? E o que é um planeta, afinal?
Bem, vamos lá. Os planetas são corpos com forma esférica (como uma bola), podem ser feitos de rocha (como a Terra e Marte) ou de gás (como Júpiter e Saturno).

Os planetas giram obrigatoriamente em torno de uma estrela (e isso exclui a Lua, que gira em torno da Terra). As estrelas, como você já sabe, são corpos celestes capazes de produzir sua própria luz e energia, como o Sol.

A regra oficial
ATÉ AQUI PLANETAS E PLANETÓIDES SÃO PARECIDOS. Mas aí entra um "porém". Planetas têm que ter um certo tamanho, no mínimo o tamanho de Plutão (o menor planeta do Sistema Solar, com 2390 km de diâmetro) e no máximo doze vezes o tamanho de Júpiter (o maior planeta do Sistema Solar, com 142.800 km de diâmetro).

Mas essa "regra" foi criada pelos astrônomos. Assim Plutão entra na categoria dos planetas e ainda sobra espaço para os planetas gigantes que já foram descobertos girando em volta de outras estrelas.

Sedna é menor que Plutão (tem ¾ de seu tamanho). Assim não entra na "turma dos planetas", embora tenha a forma de uma bola, seja feito de rochas e gire em volta do Sol. Sedna é um planetóide, classificado entre os planetas e os asteróides, objetos que também giram em volta de uma estrela, mas são menores que Plutão e não necessariamente possuem forma esférica.

– E se os astrônomos mudarem a regra? Sedna pode virar um planeta?
É possível, mas é bom lembrar que Sedna não está lá sozinho. Não muito longe da região em que foi descoberto estão os chamados "objetos transnetunianos", astros que ficam depois de órbita de Netuno. Isso inclui, por exemplo, Varuna (com 900 km de diâmetro) e outro de nome engraçado, Quaoar (com 1250 km de diâmetro).

Novos mundos
Eles não podem simplesmente ficar de fora. E tem mais: os astrônomos ainda podem encontrar outros mundos. Quem sabe até um maior que Plutão (que também é transnetuniano)? É provável que não haja uma "mudança radical" no Sistema Solar, isto é, Plutão tem boas chances de continuar sendo um planeta e Sedna deve permanecer como planetóide, assim como Varuna e Quaoar.

Uma coisa a gente aprende: o Sistema Solar não é um lugar "todo certinho", com planetas girando em órbitas circulares, todas num mesmo plano. Mas sim um elaborado conjunto de planetas, satélites, cometas, asteróides, planetóides – e quem sabe o que mais vamos descobrir! Nada daquela chatisse, tudo devagar e sem graça... O Universo não é um lugar maravilhoso?

– Pode crer! Mas cadê minha foto de Sedna?
Olha ela aí...

Clique na figura para ver em tela cheia!
Clique para ampliar
PARA PÔR NA PAREDE. Desenho feito em computador
mostra como seria a vista nos arredores de Sedna.
A "luzinha" distante é o Sol mesmo! Um astronauta
que visitasse Sedna poderia cobrir o Sol usando
apenas a cabeça de um alfinete!


Aqui vemos Sedna comparado a outros astros do Sistema Solar.
Clique sobre a gravura para ampliá-la.



Afinal, fotos de verdade! Esses são os três fotogramas que revelaram Sedna
no telescópio. As fotos originais são da Nasa/Caltech/M. Brown




• Última atualização em 29/04/2008 às 22h08min.
   

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