Saturno, o senhor dos anéis
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JOSÉ ROBERTO V. COSTA
Astronomia no Zênite
O Universo é tudo para nós

Cronos (Encyclopedia Mythica - www.pantheon.org)Pergunte a qualquer um: qual o planeta mais bonito do Sistema Solar? Talvez alguns digam que é a Terra, esse pequeno mundo azul maltratado por uma espécie que vive aqui há menos de dois milhões de anos. Mas a maioria, principalmente os que já tiveram a oportunidade de ver imagens reais dos planetas, dirá que é Saturno.

Em parte pelo seu tamanho, quase tão grande quanto Júpiter; em parte pelo magnífico conjunto de anéis brilhantes, quase um símbolo da Astronomia planetária.

1-Núcleo rochoso;
2-Hidrogênio metálico,
3-Hidrogênio líquido
e 4-Atmosfera.

Composição e atmosfera
SATURNO POSSUI UMA COMPOSIÇÃO média parecida com a do Sol. Uma diferença é que o modelo atualmente aceito para sua estrutura interna apresenta um núcleo rochoso composto por óxidos de ferro e magnésio, silício e sulfureto de ferro, entre outros (totalizando até 25% da massa).

Cerca de 50% de seu raio é ocupado por hidrogênio metálico líquido, que só existe sob pressões milhões de vezes superior à pressão ao nível do mar. Acima desta camada, um invólucro de hidrogênio molecular e hélio estende-se até os limites visíveis da atmosfera de Saturno.

Em Saturno, os ventos que sopram na direção leste são muito mais rápidos que o mais poderoso furacão da Terra, movendo-se com até 70% da velocidade do som. Em nosso planeta, a proximidade com o Sol é a fonte de calor necessária à circulação dos ventos.

No caso de Saturno, há uma fonte interna de calor, o que também explica porque emite o dobro da radiação infravermelha que recebe do Sol. Provavelmente conseqüência da compressão do hélio nas regiões centrais da atmosfera.

Na mitologia grega, Saturno é Cronos, deus do tempo. A escolha deveu-se ao fato dos povos antigos já terem percebido que a trajetória de Saturno no céu levava mais tempo que a dos outros quatro planetas visíveis a olho nu, incluindo Júpiter, filho de Saturno.

Curiosidades sobre Saturno
 Os anéis de Saturno são formados por uma miríade de cristais de gelo e rocha, pequenos como grãos de arroz ou grandes como uma casa. Toda a estrutura tem cerca de 275 mil quilômetros de largura, mas não ultrapassa 1 km de espessura.

 O brilho dos anéis é devido ao reflexo da luz nos cristais de gelo. Sua estabilidade é garantida, em parte, pelos satélites pastores, que desempenham complexas relações de equilíbrio. Mimas, por exemplo, é responsável pela falta de matéria na divisão de Cassini, e Pan, pela divisão de Encke.

 A origem dos anéis não está plenamente esclarecida: caso tenham sido formados junto ao planeta não são um sistema estável e o material precisará ser reposto periodicamente, ou desaparecerão um dia.

 No volume ocupado por Saturno cabem 760 Terras com folga. Porém sua massa é apenas 95 vezes maior que a terrestre, o que resulta numa densidade menor que a da água. Resultado: se fosse possível colocar o planeta numa enorme piscina ele flutuaria!

 A baixa densidade também pode ser confirmada por outra característica notável de Saturno: ele é o planeta mais achatado de todo o Sistema Solar. O diâmetro polar é 10% menor que o equatorial. O mesmo fenômeno ocorre em Júpiter, mas a diferença é de 6%.

 Enquanto se passa um ano em Saturno, na Terra você envelheceu quase 30 anos. O planeta fica, em média, 9,5 vezes mais longe do Sol do que a Terra, por isso recebe quase 100 vezes menos luz e calor que a Terra.

 Durante alguns anos acreditou-se que Titã seria a maior lua de Saturno e também de todo o Sistema Solar. Essa hipótese foi baseada em medidas feitas por telescópios na Terra, considerando a densa atmosfera de Titã. Coube à Voyager 1 devolver o título de maior satélite para Ganimedes, de Júpiter.


Mais
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A família do Sol

Referência bibliográfica:
• Beatty, J. K., O'Leary, B., Chaikin, A. The New Solar System. New York: Sky Pub. Corp., 1981. 224
• Cayeux, André de, Brunier, Serge. Os planetas. Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1985. p. 105-117.
• Astronomia. v 1. Rio de Janeiro: Rio Gráfica, 1985. p. 181-192.
• Universo. São Paulo, Abril, p. 261-267, 1999.


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• Última atualização em 06/06/2011 às 22h28min.
   

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