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Zoológico espacial

JOSÉ ROBERTO V. COSTA
Astronomia no Zênite
O Universo é tudo para nós

Estrelas, planetas rochosos e gasosos, planetas anões, satélites, cometas e asteróides... Quais as diferenças entre todos eles? Chegou a hora de tirar todas as suas dúvidas e saber quem é quem neste verdadeiro zoológico espacial. Então, sem mais demora, vamos logo a classificação desses “bichos”!



   O Sol é uma estrela – uma estrela anã. Existem estrelas de volumes, massas e cores variadas. Mas há algo em comum a todas elas. As estrelas são constituídas, em sua maior parte, de hidrogênio e o hélio. Esses gases estão na forma de plasma, o quarto estado da matéria. Toda estrela é um corpo celeste feito de plasma que se mantém coeso devido a força gravitacional de sua enorme massa.

Mais uma coisa: em qualquer estrela ocorrem reações termonucleares. Reações no núcleo do átomo, convertendo hidrogênio em hélio (e hélio em outros elementos) com enorme liberação de energia. Estrelas geram radiação eletromagnética (luz visível, radiação e calor) em quantidades extraordinárias.

Estrelas não são habitáveis, mas somente graças a elas a vida pode surgir em algum planeta ao redor.


Alguns exemplos de estrelas
Nome Constelação Tipo Cor Distância
Betelgeuse Órion supergigante vermelha 430 anos-luz
Acrux Cruzeiro do Sul subgigante azul 320 anos-luz
Arcturus Boieiro gigante laranja 37 anos-luz
Sol anã* amarela 8 minutos-luz
Kapteyn Pintor subanã vermelha 13 anos-luz
* seqüência principal




   Planetas não emitem luz e radiação como as estrelas. Mas além disso, para que um corpo celeste ser chamado de planeta ele deve: 1) estar em órbita ao redor do Sol, 2) ter uma forma arredondada e 3) ser um objeto de dimensão predominante entre os demais que estiverem em órbitas vizinhas.

O resultado prático dessa definição é que o Sistema Solar fica com oito planetas: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno.

Plutão, que foi descoberto em 1930, possui características físicas e orbitais que só recentemente foram melhor compreendidas pelos astrônomos. Por isso ele passa a integrar uma nova classe de objetos, a dos planetas anões. Pela definição, o Sistema Solar tem três planetas anões: Plutão, Ceres e Éris. Esses astros não se encaixam no item 3 da definição de planeta, apresentada acima.

No Sistema Solar, podemos classificar os planetas em três grupos distintos. São eles:

Planetas telúricos Do latim Tellus, sinônimo de Terra. São planetas rochosos do mesmo tipo que o nosso e que estão mais próximos do Sol. Além da Terra, Mercúrio, Vênus e Marte são telúricos.
Planetas gigantes Também chamados Jovianos, em alusão a Júpiter, o maior planeta do Sistema Solar. São enormes, mas não são compostos sobretudo por matéria sólida, e sim gás.
Planetas anões É muito semelhante a um planeta comum, pois possui forma arredondada e está em órbita do Sol. Porém, sua órbita não está “limpa”. Ceres, por exemplo, fica no cinturão de asteróides e sua vizinhança orbital está repleta desses pequenos corpos irregulares.

Planetas extrasolares
A DEFINIÇÃO DE PLANETA, porém, foi pensada para o Sistema Solar. Para os planetas fora do domínio do Sol – os chamados extrasolares ou exoplanetas – as peculiaridades de cada sistema devem ser levadas em conta. Em comum a todos os planetas está o fato desses astros não produzirem energia por meio de reações termonucleares (como fazem as estrelas).

Contexto e localização definem quem é planeta. Mas no reino das outras estrelas os astrônomos já identificaram tipos planetários curiosos, como a Superterra – nada mais que um planeta rochoso maior que o nosso, ou o Júpiter quente – um gigante gasoso cuja órbita situa-se muito próxima de sua estrela-mãe, o que torna sua atmosfera turbulenta e aquecida.




   Os satélites naturais (também chamados luas) são corpos celestes que circulam em torno de um planeta. Satélites não estão em órbita de uma estrela, mas podem ser arredondados ou não. As luas de Marte, por exemplo, são irregulares.

A Lua é um satélite da Terra. O centro de gravidade do sistema Terra-Lua fica abaixo da superfície terrestre (embora distante do centro da Terra). No caso dos satélites de Júpiter, o centro de gravidade fica bem mais perto do centro desse planeta.

Se as massas de dois astros forem tais que o centro de gravidade fique a meio caminho entre eles, com num haltere, teremos um sistema planetário duplo – e nenhum satélite.

Os satélites são sempre menos massivos (e menores) que os planetas em torno dos quais orbitam. Porém, isoladamente, um satélite pode ser maior que um planeta. É o caso, por exemplo, de uma das luas de Saturno, Titã – maior que o planeta Mercúrio.


Alguns satélites do Sistema Solar
Nome do satélite Planeta a que pertence Diâmetro aproximado Período orbital
Ganimedes Júpiter 5.260 km 7 dias
Titã Saturno 5.150 km 16 dias
Tritão Netuno 2.710 km 6 dias
Miranda Urano 2.400 km 1,4 dias
Deimos Marte 23 km 1,3 dias
Leda Júpiter 10 km 241 dias
Para efeito de comparação, a Lua tem 3.476 km de diâmetro e leva 27 dias para completar uma volta em torno da Terra (revolução).




   Asteróides são corpos rochosos que estão em órbita do Sol, mas são pequenos e têm formas irregulares. Às vezes são chamados de planetóides. Os asteróides são feitos do material remanescente da formação do Sistema Solar.

Os que estão situados logo após a órbita de Marte, no chamado Cinturão Principal, são provavelmente restos de matéria que nunca conseguiu se agregar para formar um planeta, devido a influência gravitacional de Júpiter.

Asteróide vem do grego aster, estrela, e oide, sufixo que indica semelhança. Isso se deveu as primeiras observações desses objetos, no século XIX. Na prática não existe tal similaridade.

Estima-se que existam mais de 400 mil asteróides com diâmetro superior a 1 km. Foram catalogados pouco mais de 3 mil. Há um segundo cinturão de Asteróides depois da órbita de Netuno, chamado Cinturão de Kuiper, mas esses objetos devem ter algumas características distintas daqueles do Cinturão Principal.


Alguns asteróides conhecidos
Nome Dimensões (em km) Revolução*
Palas 570 x 525 x 482 4,61 anos
Kleopatra 217 x 94 4,67 anos
Matilde 66 x 48 x 46 4,31 anos
Eros 33 x 13 x 13 1,76 anos
Toutatis 4,6 x 2,4 x 1,9 3,98 anos
Gaspra 19 x 12 x 11 3,29 anos
* Tempo gasto para completar uma volta em torno do Sol.




   Cometas são ainda menores que asteróides e também são lembranças da época da formação do Sistema Solar. Verdadeiros fósseis espaciais, os cometas, no entanto, se desgastam a cada passagem, ao exibir suas caudas que nada mais são que material de seu próprio núcleo, uma “bola de gelo suja” de dióxido de carbono, metano, amônia, água e alguns minerais.

Nunca confunda cometas com meteoros, que são as populares “estrelas cadentes”. Embora também venham do espaço, meteoros são um fenômeno atmosférico. Eles riscam um céu com velocidade, todas as noites, sendo visíveis no máximo por alguns segundos.

Cometas são corpos celestes que giram em torno do Sol como os planetas e asteróides, exibindo uma ou mais caudas quando se aproximam do astro-rei. Cometas são visíveis no céu por semanas ou meses. Eles não “passam voando”.


Cometas famosos e suas passagens pela Terra
Nome Última passagem* Período orbital
Halley 09/fev/1986 76,1 anos
Encke 19/abr/2007 3,3 anos
Hale-Bopp 31/mar/1997 4.000 anos
Borrelly 14/set/2001 6,86 anos
* Data do periélio, ou seja, sua menor distância ao Sol.


Mais
As cores das estrelas
Os planetas anões
Asteróides: os pequenos mundos
O Cinturão de Kuiper
Cometas: os astros travessos


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• Última atualização em 12/05/2010 às 08h20min.
   

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