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| » Quando foi criada a bandeira e quem foi o autor? |  |
Foi no ano de 1889. O projeto é de autoria de Raimundo Teixeira Mendes, com a colaboração de Miguel Lemos. O professor Manuel Pereira Reis, catedrático em Astronomia da Escola Politécnica tratou da posição das estrelas e o desenho foi executado por Décio Vilares. |
| » O que representam as formas geométricas e cores? |  |
O retângulo e o losango estão presentes com as mesmas tonalidades na bandeira imperial, mostrando que a bandeira republicana não rompeu definitivamente com o Império. O losango, em particular, é a representação da mulher na posição de mãe, esposa, irmã e filha.
A esfera é o antigo símbolo do mundo, unindo o Brasil a Portugal através de D. Manuel, em cujo reinado se deu o descobrimento. Ela é também um antigo emblema romano, presente na bandeira do Principado do Brasil instituída por D. João IV, onde já constava a faixa branca (faixa zodiacal).
O verde da bandeira tem muitos significados, pois remonta o primeiro objeto que provavelmente funcionou como bandeira: ramos de árvores arrancados em instantes de alegria espontânea. Na bandeira do Brasil o verde tem outros significados históricos, como a Casa de Bragança, a filiação com a França e o estandarte dos Bandeirantes.
O amarelo recorda o período imperial e, poeticamente, é a representação do Sol. Essa cor recorda à Casa dos Habsburgos e também à Casa de Castela e a Casa de Lorena, a que pertencia D. Leopoldina, esposa de D. Pedro I. Combinado ao verde, o amarelo irmaniza-nos com os povos africanos.
O azul, juntamente com o branco, também remonta a nacionalidade lusitana, bem como homenageia a história do Cristianismo e a mãe de Jesus, padroeira de Portugal e do Brasil. O branco, plenitude das cores, traduz os desejos de paz. |
| » Por que não existe vermelho na bandeira? |  |
A palavra Brasil faz alusão ao pau-brasil, árvore típica do país à época do descobrimento e de florada notadamente vermelha. É provável que o nome seja muito anterior ao descobrimento e sua etimologia também faz referência à cor vermelha. Por que então a bandeira não traz essa cor?
Simplesmente porque os autores da bandeira não fizeram referência ao mesmo, preservando as cores da antiga bandeira imperial e excluindo não somente o vermelho mas também o preto. A bandeira do Brasil é um pendão idealista e limpo, sem recordar guerras, ameaças ou agressões (tão comuns em bandeiras de outros povos). Ela está mais próxima dos antigos estandartes, erguidos apenas para coreografar o bem-estar e o jubilo aos céus.
Coincidência ou não, o povo brasileiro é um dos mais pacíficos do mundo, e embora o país sofra com violência urbana, ela é originária de problemas sociais. A população em si não valoriza os conflitos armados – nem mesmo em seu passado histórico. |
| » Por que o lema Ordem e Progresso? |  |
Esta é a síntese de um sistema filosófico que por algum tempo foi muito bem aceito em certas regiões da Europa e da América (influenciando inclusive a independência dos EUA) e especialmente no Brasil.
O lema não reflete um estado temporal do país, mas é uma convocação ao desenvolvimento, indica uma meta, valores a serem buscados. A divisa Ordem e Progresso recorda diretamente à França, sendo originária do lema positivista de Auguste Comte: o amor por princípio e a ordem por base, o progresso por fim. |
» Por que cada estrela representa um Estado? E qual foi o critério usado nessa correspondência? |  |
No decreto que criou a bandeira, de 19 de novembro de 1889, diz-se expressamente que as estrelas simbolizam os Estados e o Município Neutro do Brasil. Mas não houve, originalmente, uma discriminação entre as estrelas sobre qual representa este ou aquele Estado da União.
Essa atribuição foi estabelecida posteriormente, observando apenas uma certa coerência entre as posições das estrelas no céu e a seqüência geográfica dos Estados. Assim, Estados no centro do Brasil são representados por estrelas do Cruzeiro do Sul, Estados a oeste por estrelas do Cão Maior, do Sul pelo Triângulo Austral e assim por diante. |
| » Por que existe uma estrela isolada na bandeira? |  |
Seu nome é Spica (Espiga), a principal estrela (Alfa) da constelação de Virgem. Spica faz referência à deusa da agricultura Deméter, geralmente representada com uma espiga de cereal, que na constelação é exatamente a estrela Spica (cujo nome significa espiga).
A observação de Spica está ligada à descoberta da precessão dos equinócios por Hiparco (190-120 a.C.), um dos acontecimentos mais significativos da Astronomia antiga. Na bandeira do Brasil, Spica tornou-se a representação do Estado do Pará, pois este era o Estado da União cuja capital era a mais setentrional do país (Amapá e Roraima tornaram-se Estados somente em 1988).
Spica também mostra a extensão territorial do Brasil: nenhum outro país com dimensão geográfica semelhante ocupa parte dos dois hemisférios da Terra. |
» Por que a estrela isolada não representa o Distrito Federal? |  |
Porque o Distrito Federal já está representado por uma estrela mais significativa do ponto de vista simbólico: Sigma do Oitante. Sigma possui um brilho aparente muito inferior ao de Spica, estando quase no limite da percepção a olho nu, apesar de ser uma estrela com 4,8 vezes o diâmetro do Sol.
Porém, Sigma do Oitante está numa região do firmamento bem próxima do pólo celeste sul (que é a projeção do pólo sul terrestre na esfera celeste). Dessa posição singular resulta que todas as estrelas visíveis nos céus do Brasil descrevem arcos em torno de Sigma do Oitante (veja esta gravura).
Assim, Sigma do Oitante pode ser observada de praticamente todo o território brasileiro, a diferentes alturas do horizonte, sem nunca nascer ou se pôr está sempre no céu, em qualquer dia e horário. Este é, sem dúvida, um significado bastante apropriado, seja para o Rio de Janeiro, Brasília ou qualquer outra localidade que por ventura venha a representar o Município Neutro da União. |
» É verdade que a disposição das estrelas mostra o aspecto do céu em certo dia e hora? |  |
Não exatamente. As estrelas na bandeira do Brasil reproduzem parte de uma esfera celeste vista como se estivesse nas mãos de um artista, que a inclinou segundo a latitude da cidade do Rio de Janeiro no dia 15 de novembro de 1889, às 12 horas siderais, instante em que a constelação do Cruzeiro do Sul tem sem eixo maior na vertical.
Doze horas siderais correspondem às 08 h e 37 min da manhã. É portanto um céu diurno! O Sol já está acima do horizonte e não é possível observar estrela alguma no céu. Ainda que fosse, suas posições estariam invertidas, uma vez que observar o modelo de uma esfera celeste é como ver o firmamento refletido. |
| » A faixa branca não deveria ser ascendente? |  |
Só assim ela estaria de acordo com a inscrição contida em seu interior, certo? Afinal, progresso combina com subir. Mas o fato é que essa faixa branca é uma tradição presente desde antes da bandeira do Principado do Brasil, instituída por D. João IV, e foi concebida para dar uma perspectiva esférica ao círculo azul. Além disso, segundo o próprio Teixeira Mendes, ela está associada à Faixa Zodiacal, por onde transitam os planetas.
A rigor, a faixa é sim ascendente. O círculo azul da bandeira do Brasil representa uma esfera celeste e não uma visão real do firmamento. Numa esfera celeste, a Terra está posicionada no centro – como se estivesse por trás da bandeira. Note que desse ponto de vista singular a inclinação da faixa se inverte, isto é, na verdade todos nós a vemos no sentido ascendente! |
| » Podemos ver as estrelas bandeira no céu? |  |
A despeito da imagem invertida do céu da bandeira, é possível contemplar no firmamento o Cruzeiro do Sul na vertical, de pé (ou passagem pelo meridiano local), e também as constelações de Escorpião e Triângulo Austral (no céu real à Leste do Cruzeiro), além das demais presentes na bandeira.
Naturalmente a altura da constelação do Cruzeiro do Sul com relação ao horizonte varia conforme a localização geográfica do observador. Mas o desenho da bandeira não é rigoroso com respeito à posição das estrelas.
Assim, a melhor época para observar o céu da bandeira em território brasileiro é o mês de maio. Os horários podem variar de lugar para lugar, mas é suficiente observar entre 20 e 23 horas para perceber quando o Cruzeiro faz sua passagem meridiana. |
| » Quais as medidas e cores oficiais da bandeira? |  |
A bandeira deve ser desenhada na proporção de 20 por 14 unidades. Sendo que a posição correta e dimensões do losango, esfera, estrelas e da faixa branca é dada pelo desenho modular da bandeira. |
| » Quais as normas disciplinares para hasteamento e disposição da bandeira do Brasil? |  |
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A bandeira oficial A MAIORIA DOS BRASILEIROS DESCONHECE que a fabricação da Bandeira Nacional obedece a rígidos critérios em relação às dimensões das figuras geométricas (retângulo, losango e círculo), das letras e das estrelas.
Em junho de 1998, o INMETRO concluiu a análise de conformidade a bandeira do Brasil. Todas as marcas analisadas na época apresentaram erros acima do tolerado pelo INMETRO (± 10%) e em vários itens dimensionais, sendo todas consideradas fora dos requisitos dimensionais (reprovadas).
Ao contrário da bandeira de outros países (como os Estados Unidos, com 50 estrelas dispostas em linhas alternadas de 6 e 5 estrelas) a bandeira do Brasil tem posições muito bem definidas para suas 27 estrelas, que de fato reproduzem suas posições aproximadas na esfera celeste.
O rigor do desenho da bandeira do Brasil, principalmente no que se refere à proporção das formas e a disposição das estrelas, torna bastante comum encontrarmos cópias incorretas à venda. A propósito, a bandeira que você tem em casa está certa?
 | Clique aqui e carregue para o seu computador um arquivo compactado contendo a Bandeira do Brasil Oficial em alta resolução (Imagem GIF 2379 x 1649 pixels, 24Kb). |
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 | Clique aqui para baixar papéis de parede da bandeira do Brasil. Ou veja aqui a imagem real da esfera celeste em 15/nov/1889, com destaque para as estrelas presentes na bandeira atual e a posição dos planetas naquele dia. |
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Referência bibliográfica: • Coimbra, R. O. A Bandeira do Brasil. Rio de Janeiro: Fundação IBGE, 1972. 502 p. |
Publicação em periódico impresso: • Costa, J. R. V. O firmamento como símbolo nacional. Tribuna de Santos, Santos, 25 nov. 2002. Caderno de Ciência e Meio Ambiente, p. D-4. |
Sobre esta página: Você está em zenite.nu?faqbrasil Última atualização em 07/04/2010 às 16h31min.
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