+ Cartas celestes para a sua cidade: Meu céu

JOSÉ ROBERTO V. COSTA
Astronomia no Zênite
O Universo é tudo para nós

O FIRMAMENTO ACIMA DE NOSSAS CABEÇAS é um patrimônio para toda a humanidade. Temos sorte de viver num mundo onde a atmosfera não nos impede permanentemente de contemplar as estrelas. Fazemos isso há milênios, e hoje nem nos damos conta do quanto progredimos graças a observação do Universo.

Mas como reencontrar as maravilhas que os nossos antepassados tanto admiraram no céu? Como reconhecer as constelações, localizar os planetas e saber com antecedência sobre os melhores eventos celestes do mês? Bem, é para isso que serve está página!

Dicas para observar o céu noturno
O MEIO MAIS FÁCIL de reconhecer as constelações é descobrir duas ou três estrelas imediatamente reconhecíveis e usá-las para encontrar os demais grupamentos de estrelas do céu. As Três Marias são um bom começo. Esse famoso asterismo celeste forma a cintura do gigante caçador Órion, bem visível nas noites de verão do Brasil.

Acompanhe na gravura abaixo. Uma linha através das Três Marias o leva a estrela Aldebaran, em Touro, e de lá para outro famoso asterismo, as Plêiades (também conhecidas como Sete Irmãs). Para o outro lado, você chegará em Sírius, de Cão Maior, a estrela mais brilhante do céu noturno.

Outras retas imaginárias o ajudarão a chegar em outras constelações e reconhecer outras estrelas. Use um planisfério celeste para aprender mais rápido. E não se confunda com os planetas! Eles são astros errantes, ora ficam do lado de uma estrela, ora as abandonam e seguem seu caminho.

Por estarem muito mais perto de nós que as estrelas, os planetas se movem noite após noite por entre o céu estrelado. Para encontrá-los siga estas dicas:

  • Planetas não cintilam como estrelas, a menos que estejam próximos do horizonte ou sejam observados sob uma atmosfera turbulenta/poluída.
  • Planetas seguem o mesmo caminho no céu por onde passaram o Sol e a Lua
    (a eclíptica). Você nunca verá Marte, por exemplo, perto do Cruzeiro do Sul.
  • Planetas são objetos extensos quando vistos numa luneta com magnificação de pelo menos 40 vezes (as estrelas sempre aparecem como pontos). Com uma luneta você distinguirá as fases de Vênus, o disco avermelhado de Marte, o sistema de satélites de Júpiter e os anéis de Saturno.
  • Imprima e use mapas celestes on line, como os fornecidos aqui. Eles fornecem a posição atual dos planetas no céu. Assim você não corre o risco de confundí-los com estrelas, especialmente se ainda não adquiriu experiência.
  • Não esqueça os planisférios celestes (como os que você pode baixar gratuitamente aqui). Ao contrário das cartas on line, eles não fornecem a localização de um planeta, mas lhe ajudarão muito para que você se familiarize cada vez mais com o céu noturno.

Escolhendo o lugar
SEMPRE QUE VOCÊ FOR OBSERVAR O FIRMAMENTO, especialmente quando em busca de objetos de céu profundo como galáxias e nebulosas, é preferível deslocar-se para locais afastados, longe das luzes da cidade. Visite um local apropriado durante o dia e confira as condições de segurança e mobilidade, para que à noite você saiba o quanto pode se deslocar em volta do seu telescópio.

Você será capaz de enxergar mais estrelas quando seus olhos se adaptarem à escuridão, normalmente após uns vinte minutos sem luz artificial por perto. Ao consultar mapas e acessórios use uma pequena lanterna com o refletor encoberto com papel celofane vermelho.

Finalmente, apesar da Lua ser um dos astros mais fascinantes para observação astronômica, a luz do luar dificulta a visibilidade dos objetos mais débeis. Por isso, se o seu objetivo não é a própria Lua, procure observar nas noites sem luar.

Usando um mapa do céu
MUITOS DOS MILHARES DE PONTINHOS DE LUZ que vemos a noite no céu têm nome, classificam-se dentro de grupos maiores e todos seguem uma harmoniosa ordem universal. A descoberta do céu noturno é acessível a qualquer um de nós – e sempre vem acompanhada da mais pura satisfação.

Nesta página fornecemos dois tipos de mapas celestes para você imprimir e observar o céu. O primeiro está pré-configurado para todas as capitais do Brasil e para as principais cidades de Portugal, sendo gerado pelo “Heavens-Above”, de Chris Peat.

Se você vive em outra localidade, basta consultar a seção “Meu céu”, que disponibiliza mapas do céu e outras informações sob medida para o lugar em que você mora. Se tiver dúvidas quanto ao uso desses mapas, consulte esta ajuda.


Também disponibilizamos o mapa “Your Sky” de John Walker. Nesse caso será preciso inserir manualmente as coordenadas geográficas do lugar desejado. Este mapa apresenta diversas possibilidades de configuração. Clique aqui para consultar as coordenadas das cidades brasileiras.


Latitude: Norte Sul
Longitude: Leste Oeste


MODO DE USAR Faça coincidir a escala das 24h do dia com a escala de datas, de modo a corresponder o dia da sua observação. Com isso, o mapa mostrará a porção do céu visível. Agora levante o mapa sobre sua cabeça com a parte indicada por N apontando na direção norte.

Planisférios
O PLANISFÉRIO CELESTE é o jeito mais prático de reconhecer as constelações. Afinal, os mapas celestes obtidos com os recursos acima tem uma desvantagem óbvia: eles são gerados para uma certa data e hora. Isso é ótimo para localizar um planeta ou outro astro errante, como os cometas. Mas só serve numa noite, num certo horário.

Se você quer ter a liberdade de pesquisar o céu em qualquer noite do ano e na hora que lhe for mais conveniente, o planisfério é a solução. Ele é uma esfera celeste planificada que deixa à mostra apenas a parte do céu visível ao longo do ano em uma determinada região da Terra.

Uma carta celeste comum também não consegue mostrar todas essas combinações ao mesmo tempo. Seria preciso ter várias a mão. Mas um planisfério celeste combina em um único dispositivo todas essas cartas – e de uma forma muito simples de montar e prática para usar e transportar.

A seguir, vínculos para algumas páginas que fornecem planisférios celestes gratuitos. Baixe, imprima, monte e observe! As instruções estão incluídas.

  • Planisphere v2.0 
    Programa gratuito, com versão em português, que gera planisférios para diversas latitudes,
    no formato PDF e com várias opções de configuração.
  • Planisférios para o Brasil 
    Página do instituto de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
  • Planisfério do Observatório Phoenix 
    Página do observatório instalado no município de Cláudio/MG, que além da astronomia,
    divulga a arte da construção amadora de telescópios.
  • Planisfério celeste do Tio Al 
    Download direto do arquivo em PDF. Tradução para o português do Uncle Al's Star Wheels para observadores no hemisfério sul.
  • Planisfério SKA 
    Arquivo JPG (em inglês). Produzido na África do Sul pelo Karoo Array Telescope.

Medidas angulares
EM ASTRONOMIA DE POSIÇÃO, A MEDIDA DE DISTÂNCIA É O GRAU. É fácil de perceber o motivo. Toda a abóbada celeste (de um horizonte ao outro) abrange 180 graus. Do horizonte ao zênite temos a metade, 90º. É útil saber distâncias angulares ainda menores.

De sorte que para a maioria das pessoas a relação entre o largura da mão e o comprimento do braço é um valor constante. Assim, com o braço estendido, um adulto pode obter uma estimativa de valores angulares usando partes de sua mão como mostra a gravura abaixo.

Ao fecharmos a mão, o punho cobre um ângulo de cerca de 10º. Da mesma forma, com a mão aberta na direção do céu, a largura do dedo mínimo (ou a ponta do indicador ou ainda 1cm de uma régua) cobre um ângulo de 1º. Vários segmentos do dedo indicador também podem fornecer estimativas angulares muito úteis no reconhecimento do céu. Mas é importante manter o braço estendido ao efetuar essas medidas. Céus limpos!


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