Meu céu
Os planetas do Sistema Solar em detalhes

JOSÉ ROBERTO V. COSTA
Astronomia no Zênite
O Universo é tudo para nós

APENAS CINCO PLANETAS são visíveis a olho nu. É fácil distingui-los entre as estrelas se seguirmos algumas dicas:

1• Os planetas podem apresentar uma luz fixa, sem cintilações.

2• Mercúrio e Vênus se afastam muito pouco do Sol e por isso são vistos sempre ao entardecer ou ao amanhecer.

3• Devemos procurar planetas entre as treze constelações eclípticas, isto é, na constelação de Ofiúco e nas doze constelações zodiacais.
 

Contos de uma noite estrelada
NUM DOS TRABALHOS MAIS IMPRESSIONANTES de Van Gogh, o firmamento é retratado com pinceladas fortes, onde as estrelas são manchas num céu tumultuado, com um halo sombrio contornando a Lua.

A “Noite estrelada”, de 1889, é considerada uma das obras de arte mais importantes do século XIX, mas é apenas um dos feitos do célebre pintor holandês que exalta aspectos do céu.

O Sol, a Lua e as estrelas são presença constante na história da arte, como elemento inspirador de pintores, poetas, escritores e toda a sorte de artistas deste mundo.

Também pudera; há algo tão vasto e fascinante quanto um céu estrelado? Talvez, somente o mar, outra imensidão exaltada freqüentemente nas artes.

Porém – verdade seja dita – o espaço é infinitamente maior que a soma de todos os mares do mundo. E também é “habitado” por uma variedade imensa de “criaturas”, entre planetas e nebulosas, galáxias e quasares, buracos negros e outros personagens exóticos.



Constelações zodiacais.
O Zodíaco compreende uma faixa de aproximadamente 18° centrada na eclíptica.

Tesouros à mostra
PARA SABERMOS QUE ESSES OBJETOS EXISTEM, nem sempre é preciso mergulhar os olhos nos telescópios mais poderosos. Às vezes, basta contemplar o mesmo céu estrelado de Van Gogh – a olho nu. Bem ali, diante de nossa vista erguida, entre os milhares de pontinhos brilhantes que acreditamos serem sempre estrelas, estão os planetas, por exemplo.

Para começar, todos os planetas visíveis a olho nu (alguns se destacam mais que a estrela mais brilhante) estão em órbita do Sol, assim como a Terra. Mas apenas cinco ou seis deles podem ser vistos no céu sem auxílio de uma luneta. Então, como identificá-los em meio a tantas estrelas?

COMO OS PLANETAS APARECEM AO TELESCÓPIO ESTE MÊS

Ilustração comparativa, calculada para o dia 15 de outubro de 2014. Como o observador
realmente verá o planeta depende do tipo de instrumento e do aumento utlizado.

Por incrível que pareça, não é difícil. Planetas não piscam. Seu brilho é estático, e não cintilante como o das estrelas. Isso porque o piscar – a intermitência luminosa de um objeto no céu – é resultado da turbulência constante em nossa atmosfera.

A luz que vem das estrelas é praticamente pontual pois, de tão distantes, seus tamanhos (até mesmo as muito grandes) acabam sendo desprezíveis. O piscar acontece porque a atmosfera é estratificada, dividida em camadas, e porque o objeto em questão está muito longe ou é muito pequeno, sendo observado com um ponto.

É a diferença de refração de cada camada que faz com que os raios de luz de objetos assim sejam desviados continuamente antes de chegar aos nossos olhos. Por isso sua imagem escapa continuamente e ele pisca. No fim, tudo não passa de uma ilusão (no espaço, onde não existe atmosfera, os astronautas não notam o cintilar das estrelas).


Coordenadas equatoriais dos planetas em tempo real
Ascensão reta, declinação, distância e magnitude: clique na imagem à direita.
Recurso adaptado do Astronomy Calculator, de Russ Back©. Transcrito com autorização.

Magnitude, ascensão reta, declinação... Isso parece "grego" para você? Acesse o glossário e tire suas dúvidas.

Caçando planetas
MAS COM PLANETAS É DIFERENTE. Como estão muito mais perto, seus tamanhos devem ser considerados. Planetas não são vistos como pontos, mas como pequenos discos. É por causa disso que no mesmo instante em que um raio de luz vindo de um planeta foge dos seus olhos, outro ocupa o lugar.

Portanto, na pior das hipóteses (atmosfera poluída e muito turbulenta) um planeta “se sacode” por um instante ou outro, mas não cintila. Outra dica: os planetas estão sempre ao longo da mesma trajetória aparente que o Sol percorreu durante o dia, que é também o mesmo caminho da Lua no céu: o zodíaco. Por isso você nunca verá um planeta perto da constelação do Cruzeiro do Sul, por exemplo.


Onde estão os planetas agora?
Veja uma simulação do Sistema Solar mostrando a posição atual dos planetas.
Escolha: de Mercúrio a Marte ou de Júpiter a Plutão (abre numa janela popup).



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Publicação em periódico impresso:
• Costa, J. R. V. Contos de uma noite estrelada. Tribuna de Santos, Santos, 14 ago 2006. Caderno de Ciência e Meio Ambiente, p. D-2.


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• Última atualização em 26/02/2011 às 13h28min.
   

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